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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Agrotóxicos e transgênicos, sua relação com as mudanças climáticas e o potencial do Brasil numa prática regenerativa

Hoje o Brasil é o segundo país a usar mais sementes transgênicas, e o maior no uso de agrotóxicos, inclusive o segundo maior consumidor de agrotóxicos proibidos em outros lugares do mundo. Mas o que é produzido no país? E mais importante, a quem é destinada essa produção? 

Aqui, como em outros países da América latina, e outros países subdesenvolvidos no globo, produz-se commodities agrícolas, entre outros. Que em geral são exportados para os mesmos países que proíbem o uso de agrotóxicos e transgênicos em suas terras. Mas, curiosamente, permitem a importação de produtos transgênicos, e em que foram usados os mesmos agrotóxicos proibidos por lá. Fazendo de países como o nosso, os chamados "celeiros do mundo", pela alta taxa de produção de grãos.

Mesmo com essa alcunha, aparentemente tão importante e simbólica, esses países permanecem miseráveis. Produzir mais alimento para o mundo, além de não promover nosso crescimento econômico, tem exaurido nossos bens naturais. Como:

  • a biodiversidade, tanto vegetal quanto animal, com o desmatamento de florestas para a implantação de monocultura em larga escala; 
  • o solo, que passa de um deserto verde, com as monoculturas, a deserto no sentido literal, por esgotamento deste, em poucos anos de mau uso; 
  • a água, dos recursos mais importantes! Motivo para a vida nesse planeta ser possível. 

A agricultura é responsável por mais de 60% do consumo de água doce no mundo. No Brasil esse número aumenta para 70%. Água essa que se torna contaminada pelos produtos químicos usados, que acabam chegando aos nossos rios, lençóis freáticos e até os oceanos. 

Concluímos portanto que o agronegócio é a prática de troca da vida por dinheiro. Para a sustentação de um modelo de negócio que se baseia, principalmente, na produção de alimento para a pecuária, e na própria pecuária em si. Como no caso da soja e o milho, dois dos produtos mais plantados no Brasil, que são voltados para a alimentação animal na pecuária. Que é um dos maiores causadores de gases do efeito estufa. Nosso país, como um dos maiores exportadores de carne, é portanto, um dos maiores contribuidores para as mudanças climáticas. Com as práticas de destruição de florestas para instalação de monoculturas e pastagens. 

Nos últimos anos, o descaso do poder público com o meio ambiente e os territórios dos povos tradicionais, aumentou o desmatamento ilegal e as queimadas da mata restante, principalmente nos biomas da Amazônia e Cerrado. Ameaçando, não só a existência desses biomas e sua biodiversidade, mas a própria vida no planeta. Uma vez que retiradas as florestas, é questão de tempo para os desertos se consolidarem. Sem floresta, não há chuva. Os oceanos vão retirar a umidade dos continentes, causando secas, aumento da temperatura do planeta, e fenômenos como tufões, tornados, enchentes, secas, tempestades, invernos rigorosos e outros desastres naturais. Que são só alguns dos exemplos do que veremos cada vez mais, enquanto navegamos por um clima, não mais tão cômodo pra vida. Isso tudo virá associado a uma massiva extinção de espécies alimentícias, além de fauna e flora silvestre. E consequente fome, com um maior agravamento da pobreza no mundo. Esse é o período geológico causado pelo humano, o Antropoceno. Resultado de séculos de colonização do resto do mundo pelos europeus, dois séculos de industrialização, e menos de um século da Revolução verde.

E ainda nem adicionamos à equação o fator humano. Antes da Revolução verde realmente se consolidar no Brasil, a população rural e urbana era equilibrada. A maioria dos brasileiros viviam no campo nos anos 60s, 55,3%. Em dez anos, o oposto acontecia, e a maioria da população se tornaria urbana, 55,9%. De lá para cá, apenas cerca de 15,6% da população se encontra em regiões rurais. Isso é resultado direto do Agronegócio. Vários fatores contribuíram para isso. Entre eles:

  • a instalação de grandes latifúndios com maquinários e tecnologias que dispensam muita mão de obra;
  • o aumento na ocorrência das ditas "pragas" e doenças das lavouras, como consequência do uso desses agrotóxicos;
  • contaminação das sementes crioulas (sementes selecionadas e plantadas por agricultores e passadas por gerações) por polinização cruzada com as sementes transgênicas, causando alterações inesperadas e desvantajosas;
  • falta de constância das chuvas, e aumento na ocorrência de fenômenos ligados às mudanças climáticas, como secas prolongadas e geadas fora de tempo; 
  • propaganda e educação financiada pelo próprio Agronegócio (no Brasil desde os anos 40 com a Fundação Rockfeller e seu programa de extensão e educação rural), com práticas tradicionais de agricultura sendo rebaixadas como "atrasadas" e inadequadas para a modernidade, e o estímulo para a "modernização" do campo;
  • desvalorização do trabalho no campo, tido como muito duro, e adequado apenas à pessoas sem educação formal. Desestimulando assim a permanência dos jovens, principalmente de territórios tradicionais, em suas comunidades. Que por falta de autoestima e melhor alternativa de sobrevivência, acabam migrando para os centros urbanos;
  • falta de estrutura e apoio do estado para agricultura familiar e área rural em geral, entre outros.

É esperado que pouco mais que 15% da população trabalhe para alimentar todo o restante, em condições precárias e sem valorização de seu trabalho e dos frutos do seu esforço. Não é de se admirar que as novas gerações procurem se educar em campos não voltados a agricultura, e abandonem a zona rural em busca de oportunidade melhor de vida nas cidades. O que acaba por gerar e aumentar os problemas nos centros urbanos, como falta de estrutura, saneamento básico, saúde, educação, criminalidade, etc.

Possíveis Soluções

O Brasil existe como um país rico em bens naturais que poderia ser uma potência econômica mundial. E mais importante, um exemplo de como desfrutar bem de toda essa riqueza natural, sem nunca esgotá-la, e tendo um povo vivendo bem desses, e por esses recursos. Para isso podemos trocar o Agronegócio, que só envenena, empobrece e não alimenta nossa população, por Ecoturismo e Turismo agroecológico.  Mantendo nossas reservas naturais, melhorando a vida das comunidades que vivem nesses territórios, sua autoestima e renda. Resolvendo o problema de evasão rural, e por consequência,  melhorando as condições nas cidades. 

Com isso, as terras, antes usadas pelo latifúndio, poderiam finalmente ser distribuídas, através da tão esperada e atrasada Reforma Agrária, e regeneradas com práticas como Permacultura e  Agrofloresta Sintrópica. Num esforço de recuperar nossos biomas, enquanto produzindo comida saudável, local, diversa e economicamente mais viável, do que as práticas agrícolas atuais. Essa mudança não é só possível, como existente atualmente em pequena escala. Hoje movimentos camponeses como o MST já trabalham de forma agroecológica. E, pelo menos 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros vem da agricultura familiar, e não de grandes latifúndios. Claro que um esforço para capacitação de uma assistência técnica e financiamento inicial se faria necessário e indispensável. 

Seria essencial uma prática de educação socioambiental, e implementação de programas como: práticas de agricultura urbana; saneamento básico com reciclagem de água e lixo; implantação do uso de energias ditas limpas; reeducação alimentar favorecendo o consumo de alimentos não processados e a redução do consumo de animais; implementação de melhoria dos transportes coletivos nas cidades; melhoria no planejamento urbano, e por fim, e não menos importante, um sistema de educação voltado para a cooperação e valorização da diversidade, de ideias, de corpos, de origens, e não mais na competição e padronização. 

Uma interação maior das pessoas com seus territórios e sua natureza, melhorando seu convívio com a Terra, nos curando da ideia de que estamos de alguma forma, separados da vida no planeta. Nos fazendo entender que como parte dessa vida, e como ser racional, que pode planejar seus atos, podemos contribuir pra sua manutenção e melhoria. Mesmo assim, sem dar as costas para o progresso científico e a modernidade. Porém nesse modelo, cada um teria seu papel na mudança. Ninguém esperaria apenas pelo Estado ou empresários. Seriam necessários grandes sacrifícios, responsabilidades e tempo para adaptação e observação de resultados. 

Uma das maiores lições na Agroecologia é que o tempo da Terra é diferente do tempo humano. Se queremos algo rápido, fácil, e portanto lucrativo economicamente, podemos estar sacrificando o nosso tempo como espécie no planeta e também como indivíduos. E no processo, sacrificando outras espécies. A Terra tem suas atividades de autorregulação, é resiliente... Mas passamos dos limites de estresse que poderíamos causar a esse organismo, do qual ele pudesse se recuperar. Estamos falando agora de uma Terra que passa por um quadro de redução de saúde, que a levaria, fazendo um paralelo com o corpo humano, a UTI. Queremos retribuir à divindade da Vida, transformando esse ser tão generoso e estatisticamente improvável, com seu clima perfeito à vida como conhecemos, em mais um planeta estéril nesse Sistema?! A vida é o que faz a própria vida possível no planeta! Tudo funciona igual ao nosso corpo, com processos de regulação minuciosos. E são esses processos que estão sendo quebrados por nossas ações como espécie. Não é mais possível decidir por não fazer nada, e não é nada inteligente continuar ignorando o chamado para a mudança e ação!

 Fontes consultadas (de leve, não muito cientificamente):

AGROTÓXICOS, SEMENTES TRANSGÊNICAS E NOVAS BIOTECNOLOGIAS - http://revistas.aba-agroecologia.org.br/index.php/rbagroecologia/article/view/22988/14276

PROPRIEDADE MONOPOLISTA DE SEMENTES: DO BEM COMUM À
 
A BIOTECNOLOGIA E SEUS USOS ENTRE SEMENTES CRIOULAS E TRANSGÊNICAS:DUAS FACES DA TECNOLOGIA E UM CASO PARA A BIOÉTICA - https://revistas.unicentro.br/index.php/guaiaraca/article/view/6142/4242
 
O AQUECIMENTO GLOBAL E A TEORIA DE GAIA: SUBSÍDIOS PARA UM DEBATE DAS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS - https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/climatologia/article/view/720

PERCEPÇÃO DOS AGRICULTORES EM RELAÇÃO AO USO DE AGROTÓXICOS E SEMENTES TRANSGÊNICAS - http://tede.unioeste.br/bitstream/tede/4034/5/Gislaine_Santos_2018

Brasil é 2º maior comprador de agrotóxicos proibidos na Europa - https://ciclovivo.com.br/vida-sustentavel/alimentacao/brasil-e-2o-maior-comprador-de-agrotoxicos-proibidos-na-europa/
 

Atividades que mais consomem água - https://brasilescola.uol.com.br/geografia/atividades-que-mais-consomem-agua.htm

A MIGRAÇÃO DO CAMPO PARA OS CENTROS URBANOS NO BRASIL: DA DESTERRITORIALIZAÇÃO NO MEIO RURAL AO CAOS NAS GRANDES CIDADES - http://www.congresso2017.fomerco.com.br/resources/anais/8/1502235198_ARQUIVO_fomerco_AMIGRACAODOCAMPOPARAOSCENTROSURBANOSNOBRASIL.pdf

 
Agrotóxicos proibidos na Europa são campeões de vendas no Brasil - https://reporterbrasil.org.br/2018/12/agrotoxicos-proibidos-europa-sao-campeoes-de-vendas-no-brasil/
 
 
 
Qual a contribuição do Brasil para as mudanças climáticas? E qual o perfil das emissões brasileiras? - https://ipam.org.br/entenda/qual-a-contribuicao-do-brasil-para-as-mudancas-climaticas-e-qual-o-perfil-das-emissoes-brasileiras/

Alguns documentários e vídeos quea a entender o Agronegócio e suas impactos para as mudanças climáticas e a vida humana, e sobre Agroecologia e Agrofloresta sintrópica:

Cowspiracy - A Conspiração da Vaca 

 


https://www.youtube.com/watch?v=sgj5Z9MZOaI 

 

O Mundo Segundo a Monsanto 


 

https://www.youtube.com/watch?v=sWxTrKlCMnk

  

Agrofloresta - agricultura recuperando o meio ambiente

 


https://www.youtube.com/watch?v=uSiuV0CkREM


Ser Tão Velho Cerrado


 



Agroecologia, Agrofloresta e PANC | Valdely Kinupp

 


https://www.youtube.com/watch?v=1H4ySHAJyB4

 

 E qualquer vídeo no Youtube com o Professor Antônio Donato Nobre, mas aqui vão alguns:

Sobre Teoria de Gaia, Mudanças climáticas e práticas regenerativas:


 
https://www.youtube.com/watch?v=FkDaQXlrHyA&t=64s

 

Córtex com Antonio Nobre. Mudança Climática e o Fim do Mundo Materialista
 
 
 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O que todo mundo sabe, mas finge não saber (a respeito da corrupção)

Acho graça das respostas de políticos e empresários envolvidos em escândalos de corrupção no Brasil. Sempre negam, não importa se o pegaram com a mão no bolo e a boca cheia e suja. Como se apenas negar já o absolvesse instantaneamente.
O que indigna é que não importa o quanto o ato de corrupção seja um fato conhecido e corriqueiro, é quase impossível fazer com que alguém, que descaradamente roubou o dinheiro de todos nós brasileiros, pague por isso. São tantos recursos, tantas brechas, e eles ainda podem usar e abusar de suas influências (inclusive no judiciário) e do espólio de nosso suor para pagar sua defesa.
Somos um país de gente acostumada a baixar e menear a cabeça quando atingidos por injustiças. Melhor, fazemos piada! Afinal, todos nós contra um punhado de poderosos inalcançáveis, insuperáveis. Que alegam que podem fazer o que bem entendem, pois possuem dinheiro, possuem linhagem, e/ou possuem nosso aval (através da "vontade do povo" refletida nas urnas), são portanto, legitimados a nos possuírem.
Somos pessoas miseráveis vivendo num país riquíssimo, de onde esses poderosos conseguem extirpar até o último recurso, seja ele natural ou fruto da nossa labuta, sem nenhum sentimento de culpa ou medo de que tudo isso possa acabar de vez.
A impunidade parece a única coisa confirmada, num país que elege tantos políticos reconhecidamente corruptos. Onde a frase "rouba, mas faz" é aceitável e desejável até, melhor do que o que só rouba.
É lamentável que mesmo com o que está vindo às claras nesse últimos tempos (que não deve ser da missa a metade, como dizem), nós já tão habituados a aceitar que tudo acabe em pizza. Estejamos conformadamente esperando a conta, afinal, somos nós que pagaremos por mais esse banquete. Aliás, já estamos pagando.
Imagino que por trás de todos esses escândalos exista alguém (possivelmente um grupo de pessoas) muito poderoso com interesse de que seja de conhecimento geral todos esses casos de mal uso de nossos recursos e/ou do poder que designamos cegamente aos que nos representam. Mas, com que intuito? Será interesse político de derrubar os que estão desfrutando do poder agora, para então ascender ao poder (simples demais né?)? Será que é um plano elaborado para nos distrair de algo muito maior e assombroso? Será que é só mais um faz de conta nessa terra-de-ninguém? Bem, vamos torcer para que não se tenha nenhum objetivo obscuro e que se esteja mesmo querendo fazer justiça, mesmo que seja o mais improvável.
 Só nos resta fazer um esforço. Reivindicar imparcialidade. E educar ao nosso povo a praticar e valorizar mais a honestidade, e se reconhecer não só como mais um número nas urnas, mas como recurso para poder melhorar sua vida, e o lugar onde vive: o mundo!
E com isso finalizo com a conclusão que todo mundo já sabe: a solução está na educação! E não estou falando da vida escolástica exclusivamente. Falo principalmente de uma educação política, que desestigmatize a política. Algo que faz parte do nosso dia-a-dia. E que é o que torna nossa vida em sociedade possível.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Reforma familiar

O texto da Rosely Sayão*, fala de dados sobre algo preocupante. O exagero do uso das tecnologias e o afastamento do vínculo social primário: a família. Em seu texto há apenas números que mostram pesquisas com filhos que se sentem "trocados" pelo celular. Os pais estariam usando demais seus smartphones e não dando a atenção necessária para seus filhos. Num dos comentários ao texto alguém cita que as crianças e adolescentes não são diferentes, abusando do uso desses aparelhos e se ausentando da interação com a família. Basta que fiquem sem essas tecnologias, pra que se note a diferença, afirma. 
Porém, o que acontece, na verdade, é uma evolução de mídia. Antes, tanto os pais (adultos), quanto os filhos (crianças e adolescentes) tinham como meio de entretenimento em casa, apenas a televisão. Nesse caso, fazia-se a vontade do mais forte, geralmente os pais! Lembro de nunca ver televisão nos horários das atrações infantis, quando minha mãe e vó estavam em casa era só novela. Para assistir a programação que eu queria, ou negligenciava as rotinas domésticas pela manhã, quando as duas não se encontravam. Ou aproveitava a sua ausência às tardes e mudava de canal. Saudades da TV Cruj no SBT, e dos desenhos vespertinos da TV Cultura, que só conseguia ver a muito custo, e já na adolescência! 
TV é uma tecnologia que pode ser aproveitada por quantas pessoas estiverem no cômodo. É uma experiência coletiva. Computador, tablet e o famigerado Smartphone, geralmente não. Digo geralmente porque já desfrutei de vídeos no computador ou smartphone na companhia de alguém. Dá pra fazer, claro, mas não é o mais comum. Como com um livro, é uma experiência mais individual. E há tantos usos para esse aparelho, posso jogar videogames, interagir com outras pessoas, ler (dificultado pelo tamanho da tela, mas possível), e o meu favorito: ver vídeos no Youtube. Esses são apenas alguns exemplos da funcionalidade dessa tecnologia usada em conjunto com a internet. 
Claro que haverá uma alienação. Somos impelidos a procurar por atividades que nos dê prazer, é de nossa natureza. Os deveres são chatos, e a convivência, nem sempre fácil e satisfatória. Todos sabem, mas parecem ignorar, que fazer parte de uma família é ótimo, mas traz aborrecimentos. Muitas vezes exageramos e os transformamos em problemas. Por isso também, a fuga. Não podemos culpar os smartphones, e sua capacidade de nos distrair, por destruir famílias. O que afasta os indivíduos não está em aparelhos e novas tecnologias, está em nossa natureza. De viver sob uma falsa alegação de que não temos problemas.
Muitos pais de ontem, deixaram a televisão criarem seus filhos. Ou por falta de tempo de estar com eles por conta de trabalho, ou porque não sabiam o que fazer com essas crianças. E é o mesmo que vejo muitos pais fazerem hoje, só que com videogames, smartphones e internet. Nada mudou! A sociedade "tenta" nos preparar para ter uma carreira, para ter uma família. Ao menos, é o que ela nos cobra quando adultos. Mas ninguém nos ensina a ser pai ou mãe. O cuidar geralmente se resume a alimentar e vestir. Uma criança necessita de muito mais que isso! E não estou falando de nada material. Precisa que se importem com ela. E que façam parte de sua vida o tempo inteiro. Nada deve ser ignorado ou negligenciado quando se trata de um filho. 
 Falo isso porque fui filha, e por mais que, na época, mesmo que quisesse minha "privacidade" quanto a muitos aspectos. Careci de mais interferência de minha família. Mas não posso culpar minha mãe. Ela fez o que pode com o que tinha. E a ela, sou grata por muito do que sou hoje. Só quero deixar registrado que o problema não é a nova tecnologia, são as velhas instituições. A família também precisa de uma reforma.

Pensando sobre o assunto deste link: A Importância do Vínculo*