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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vibração

Tudo no universo vibra, mesmo o que parece completamente parado, vibra num nível molecular... E com essa reflexão eu quero começar uma atualização aqui neste blog.

Eu nunca mudei tanto antes, ou de alguma forma me movi, como durante essa quarentena. E falo quarentena porque tenho realmente permanecido distante fisicamente de todas as pessoas, até das mais queridas, exceto é claro, do meu companheiro. Isso porque tenho essa possibilidade, de estudar de casa, e sem trabalhar, a não ser nas tarefas domésticas e atividades de manutenção de vida. Da nossa, e dos seres que aqui cuidamos. Que devo lembrar sempre, mesmo que eu não o faça bem e regularmente, é um trabalho válido e necessário.

Talvez pelo apoio recebido, do meu companheiro, meu terapeuta, professores, novos e velhos amigos... Talvez pela curiosidade e vontade de me encontrar na equação da vida. Tenho aprendido mais do que nunca! Reconhecido o que são problemas, e o que me fizeram enxergar como tal. Aceitar a vida como ela se apresenta é uma luta constante, mas se prova a coisa certa a se fazer, de novo e de novo. 

Claro que não estou falando de aceitar o que posso mudar, como esse desgoverno e esse adormecimento às questões urgentes que dizem respeito à manutenção da vida na Terra, e da Terra. Não, não isso, mas de coisas com as quais vale mais a pena acolher que lutar contra. Vale mais a pena aceitar que condenar e tentar mudar a todo custo, ou reprimir.

Cresci espiritualmente, de uma pessoa ateia, antes quase fanática, a alguém que entende que a vida em si é uma divindade, e que TUDO é vivo, dentro e ao redor de nós. 

Cresci, e continuo trabalhando para crescer mais, no meu relacionamento afetivo. Entendendo nossas limitações e necessidades. Estudando sobre como aprendemos a amar, e que cada um ama e se sente amado de forma diferente. E principalmente, que não se deve esperar que o outro te dê o amor que você se deve. 

Apesar dos golpes constantes, e talvez até por conta destes, minha vontade de estudar Agroecologia, e trabalhar com comunicação e educação ambiental só cresce, pois a necessidade se faz cada vez maior e mais presente. E tão urgente que está atrasada uns 30 anos...

E com isso, venho aqui apenas para recomendar palestras e entrevistas com o Professor Antônio Donato Nobre sobre Mudanças Climáticas, sobre a importância de se ouvir os povos tradicionais e seus conhecimentos a cerca da vida nesse organismo vivo que é a Terra, sobre a nossa desconexão com Ela, sobre em como chegamos aqui, e principalmente, do que precisamos fazer para parar de trabalhar contra a vida, e trabalhar em seu favor!

Primeiro uma pesquisa sobre o nome de Antônio Nobre no Youtube já te trará uma grande quantidade de vídeos de dimensões diferentes, mas riquíssimos em conteúdo e importância para o entendimento de nossa condição humana e dos processos que acontecem na natureza. Dos quais o ser humano "civilizado" precisou investigar para aprender, quando os povos e culturas tradicionais, que não perderam a conexão com a Terra, conheciam e sempre estiveram dispostos a partilhar generosamente com seus irmãos desconectados.

https://www.youtube.com/results?search_query=antonio+nobre

Programa Córtex, uma conversa em tempo real com o Antônio Nobre no INPE. Imperdível!

https://www.youtube.com/watch?v=_9-fia-bdlo

Entrevista (palestra?) sobre Mudanças climáticas e a Terra como organismo vivo e os estudos a respeito da mesma.

https://www.youtube.com/watch?v=FkDaQXlrHyA

Conversa entre Ailton Krenak e Antonio Nobre para reflexões sobre Gaia (Terra).

https://www.youtube.com/watch?v=ozOla97mP9Y

 Eu diria assistam todos, é o que estou fazendo aos poucos.

 Descobrir o trabalho dele, como divulgador científico, e uma pessoa que faz tantas conexões, tão inesperado para um cientista, mas muito alinhado com a visão sistêmica da Agroecologia como ciência, me deixou fascinada e estou vibrando desde então. Tenho a impressão que o norte que eu busco, está se estabilizando, e que eu só preciso colocar o pé no chão e começar a andar.

Que meus passos também possam inspirar outros. Que o "trabalho de formiguinha" , não seja visto de forma pejorativa como hoje, mas como uma ação válida e constante para o alcance coletivo do que se faz tão mais urgente e necessário a cada dia que passa, a cada decisão e ação de gigante que vão contra as regras de colaboração e diversidade da natureza. Porque sozinho o esforço é grande e dispendioso, mas juntos podemos mover o mundo!


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Encontro


Apesar de passar a maior parte da minha vida adulta de forma reclusa. Eu considero que o que me move, e por vezes me comove, é o contato com outras pessoas. E não só isso, mas a conexão derivada desses contatos. Então, depois que recuperei uma certa normalidade na vida, voltando a estudar. Até as férias já foram um tormento. Após duas semanas eu já estava chorando dizendo que bastava, imagina agora! E quanto mais o tempo passa, e as coisas ficam cada vez mais incertas, mais eu me dobro pra não me deixar tomar pela ansiedade de pensar sobre o que será do depois. Então vamos analisar o agora.

O nosso problema não é mais a pandemia do que nossa inabilidade de concordar em alguma coisa. Vivemos um momento de polarização. Não é o único da história, mas por estar acontecendo agora, durante uma pandemia, parece tão devastador!

As pessoas estão fora de contato umas com as outras, fora de contato com elas mesmas, e com a realidade. Porque essa é provavelmente uma das maiores crises a nível mundial que a humanidade está enfrentando, com tendências a piorar. E ainda assim a gente está envolvido em defender ou atacar personalidades. Sim, ao invés de nos unirmos para um bem comum, até as famílias estão divididas. A quem serve toda essa discórdia e caos? De onde vem essa esquizofrenia coletiva que estamos vivendo onde a vida, sua, de um ente querido ou de estranhos, é menos importante que continuar achando que está certo? O que aconteceu a essas pessoas para que se rendam a delírios sobre gurus, salvadores da pátria, e negacionismo da História, da Ciência?

Eu entendo a nossa tendência ao fanatismo, à tirania. É um alívio para a angústia de ter escolhas, de ser responsável por elas, e de não ter outra pessoa a quem culpar quando tudo dá errado. É resposta natural a uma sociedade que de repente nos coíbe com uma falsa liberdade apresentada através de escolhas infinitas. Quando na verdade, poucas vezes podemos escolher fora do padrão sem pagar o alto preço pela individualidade.

Quando não me enxergam como igual, quando me vêm como "o outro", eu me torno desumanizado. Quem me vê assim, me despe de direitos. Me tira a fala, e em consequência, a vida. Ser o outro significa não merecer nada de bom. Significa ser uma ameaça. Um bode expiatório para responsabilizar por tudo que considero ruim. E aí está o ponto de encontro da dicotomia que vivemos. Você, não importa em que lado esteja, é esse "outro" de alguém. Você pode estar vendo o próximo como parte de uma massa anencéfala, que é literalmente a escória do mundo contemporâneo. E essa pessoa, não está te vendo de forma muito diferente. Como se cura isso?! Não há pílula que nos resgate desse delírio, ou há?!

Crises são importantes oportunidades de crescimento. Crescer dói, não é prazeroso, mas é recompensador. A gente precisa de humildade pra acolher o próximo. Se ele esteve errado, dê oportunidade para que se arrependa, e que sua punição não seja o mesmo que seu crime, o isolamento, o individualismo. Esse momento não é o certo para torcer contra, eu diria que nenhum é.

Vamos recalibrar nossas emoções, nos reaproximar, nos ouvir. Não provoque, não ameace, e se sua intenção é que o outro enxergue a realidade, não ofenda. A ofensa é a garantia de não ter ouvidos pra alcançar. Encontre no outro o que têm de igual ou similar. Parta do princípio que como seres da mesma  espécie, ninguém é tão divergente do outro que não tenha, ao menos uma coisa em comum.

Tendo dito tudo isso, eu tenho que reconhecer que há pessoas além da redenção. Não tenho respostas do que é necessário para que elas sejam responsabilizadas. Mas, por agora, para lidar com elas, basta lembrar de não alimentar o medo, seu combustível. Não podemos forçar ninguém a pensar sobre seus atos, a sentir empatia, e agir com amor. Mas, uma vez conscientes, nós podemos fazer justamente isso.

O amor, amor por si mesmo e pelo outro, como uma extensão de você, e pelo que é divino dentro e ao redor de nós, isso é a única coisa que pode nos salvar de nós mesmos.