quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Vamos falar sobre saúde mental novamente?

Dentre muitas características da minha personalidade, uma eu não consigo classificar como defeito ou qualidade. Eu gosto de resolver meus próprios problemas sozinha. Talvez em áreas mais práticas da minha vida, isso tenha sido bastante útil. Acho que até descobri novas habilidades por conta disso. Mas quando se trata da minha saúde mental, quando experimento coisas novas para me colocar num estado melhor, eu até percebo uma melhora visível, só pra depois voltar para um estado similar ao que me encontrava antes.

Como já mencionei aqui, me reaproximar da minha família, e de outras pessoas que em algum momento foram importantes pra mim, mesmo que de forma tímida e as vezes completamente virtual, me deixou sentindo que esse é o caminho. Tentar aceitar que todo mundo tem defeitos, inclusive eu, e tá tudo bem também. Começar finalmente a fazer coisas que sempre quis fazer, e parar de dar mil desculpas pra não ter começado antes... Nossa, me deixou nas nuvens!

Como fazer uns canteirinhos com o Edson e Mateus e plantar umas coisinhas. Finalmente costurar uma peça que não era pra mim, e fazer alguém feliz com isso. Eu fiquei extasiada por um tempo com esses feitos. É o que me movia a acordar todos os dias. Dar comida e água pros bichos e regar e cuidar dos canteiros. Ter um dia na semana dedicado a ver, ouvir e cuidar de minha irmã e vó, foi uma coisa que eu pensei: poxa, por que não fiz isso antes?! E as coisas na minha vida só poderiam estar melhor, se assim eu desejasse. Eu até comecei um curso de corte e costura, coisa que queria desde que me entendo por gente... Mas, em algum momento, tudo começou a desandar novamente dentro de mim. E eu percebi que não adianta, eu não vou melhorar sozinha... Tudo isso me fez bem, claro. Mas por si só, não conta como "tratamento".

Bem recentemente (tipo hoje, enquanto cuidava dos bichos), admiti que meu problema pode ser um pouco mais grave do que eu imaginei a minha vida toda. E é difícil pra mim, fazer alguma coisa a respeito. Agir de forma ativa para tentar sanar isso. Todos os sentimentos de auto dúvida, sobre se vale a pena gastar dinheiro comigo mesma, e outros sentimentos negativos, os quais não vale nem a pena mencionar. Sim, eu não gosto de gastar dinheiro, quem dirá gastar comigo mesma. Talvez daí se origine todo esse espírito de "faça você mesma" que eu tenho.

Mas eu sei que uma hora a gente passa do ponto de respirar fundo, reconhecer que talvez só um profissional seja capaz de lidar com aquele problema. E finalmente pedir ajuda. É isso, eu espero muito em breve começar a fazer terapia.

Eu quero que você note que, nada disso aconteceu da noite pro dia. Eu estou num processo longo de auto descoberta e auto aceitação. Admitir meus defeitos e problemas (inclusive os de ordem mental) é essencial para me encontrar, me amar de verdade... E não apenas nos momentos em que estou me sentindo bem.

Há muito mais coisas pras quais não tenho resposta ainda, e provavelmente nunca terei. Mas agora que a busca começou, eu não consigo parar! Desejem-me boa sorte. E, se alguém ler isso aqui, dentro em breve eu pretendo escrever um texto sobre como a gente pode ter depressão e outros transtornos de ordem mental, sem que nada justifique bem isso na nossa vida atual. Pois é exatamente isso que acontece comigo.

Caso eu tenha algum leitor que não seja um bot, obrigada por ler até aqui. Ah, e se você precisa de ajuda, com qualquer coisa, eu posso ao menos escutá-lo. Até mais!

P.S.: A quem possa pensar que eu estou me expondo demais escrevendo sobre minha vida e saúde mental na internet. Eu não faço isso por piedade, nem algo do tipo. Eu faço isso por dois motivos: um é que escrever me ajuda a colocar os pensamentos em ordem, entender o que realmente estou sentindo. E o principal, é que em vários momentos, eu li textos, vi vídeos, ou qualquer peça de arte e afins de pessoas com problemas, que compartilham isso, pra que um dia seja algo de que possamos falar abertamente. E não um tabú, que leva tanta gente ainda hoje, a morrer em silêncio. E com isso eu só quero aumentar esse movimento. Mostrar que quando nos mostramos vulneráveis, é que somos mais fortes!

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O preço do individualismo

Esses dias, enquanto lavava louça, lembrei do trecho de um poema que sintetiza bem o que venho tentando acatar em minha vida recentemente. A consideração e preocupação com o próximo, seja o próximo quem for. Eu tendo, egoistamente, a me fechar no meu próprio mundo. Alheia assim as necessidades e desejos das outras pessoas ao meu redor. Desde quem quer apenas desfrutar de minha companhia (sabe-se lá por qual motivo!), ou quem precisa de algo que eu posso prover. É lógico que aqui estou iniciando com uma reflexão micro, mas mais tarde chegaremos onde realmente importa.

Ao pesquisar, descobri que são poemas, no plural, e de mais de um indivíduo. Então, irei pedir licença para apresentá-los aqui:

Martin Niemöller

"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar."

Intertexto -- Bertold Brecht

"Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo."

No caminho com Maiakóvski
Eduardo Alves da Costa

"Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada."

Todos esses textos representados acima, refletem sobre como se importar e lutar pelo próximo, significa na realidade, se importar consigo mesmo. Não desmerecendo o altruísmo*, mas trazendo-o para a crua realidade de nós humanos como espécie. O altruísmo, e a empatia são como mecanismos de autopreservação. Logo, não se importar com o outro, a ponto de desumanizá-lo para justificar nossa negligência ou mesmo atitudes prejudiciais, fará com que não tenhamos mais voz válida quando for o nosso momento de necessidade.

Por mais doce que seja pensar que nos bastamos na vida, que somos autossuficientes. A verdade é que somos seres totalmente dependentes uns dos outros, seja por companhia, aprovação, e indispensáveis (ou não) serviços e produtos. Como seres integrados em sociedade não temos o hábito de parar pra pensar o quanto precisamos do outro. Então, lá vai uma sugestão de exercício: faça notas mentais (se preferir, anote mesmo em papel ou no celular), de tudo que usou ou fez hoje, e que não seria possível se outra pessoa não pudesse providenciar ou dispor pra você. Talvez você note a importância de pessoas em quem usualmente você não pensa, ou não dá o devido crédito. Desde o agricultor que cultiva os alimentos que fazem parte de suas refeições três ou mais vezes ao dia (espero eu que pelo menos três), a sua mãe que acorda cedo para fazer seu café da manhã, ou a roupa que está usando que pode ter sido feita do outro lado do mundo por várias pessoas.

Nem todas as pessoas farão por você sem que possam receber algo em troca, nem todo mundo tem o interesse genuíno em sua existência (como seus pais, por exemplo), mas todos estamos numa teia de contribuição para mantermos uns aos outros. Que tal refletir sobre isso? Notar que somos seres da mesma espécie, com o mesmo objetivo (sermos felizes) e interferir na vida do outro APENAS para que esse alcance a felicidade, ou a mantenha. Claro que falo isso a respeito do dia-a-dia. Eu sei que há crimes a serem punidos, e pessoas que precisam de ajuda para enxergar o mal que fazem. Por isso que peço: pensem sempre se o que está fazendo prejudicará alguém, e aja de acordo com o que mais se encaixa com o pensamento de: não farei ao outro, o que não desejo que façam a mim. Porque o que acontece quando pensamos de uma forma, e agimos de outra, é que adoecemos. É de extrema importância que tenhamos o amor em mente, e que bons sentimentos guiem nossas escolhas. E nunca feche os olhos para uma injustiça, seja ela com quem for. Mesmo com aqueles que são o completo avesso do que nós somos. Injustiça é exatamente o que significa.



*altruísmo
substantivo masculino
  1. filosofia
    segundo o pensamento de Comte 1798-1857, tendência ou inclinação de natureza instintiva que incita o ser humano à preocupação com o outro e que, não obstante sua atuação espontânea, deve ser aprimorada pela educação positivista, evitando-se assim a ação antagônica dos instintos naturais do egoísmo.
    • amor desinteressado ao próximo; filantropia, abnegação.
https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/ciro-protesta-com-poesia-mas-erra-o-autor/n1237597600680.html
Apesar de esse link conter notícia sobre um presidenciável, quero dizer que sou avessa a conversar sobre o assunto, pois não tenho nada e nem ninguém para defender. É apenas a fonte conveniente dos textos que precisava para essa reflexão. Traduzindo: me deixem fora dessa!


Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazistas - 1933
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar."Fonte: Último Segundo - iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/ciro-protesta-com-poesia-mas-erra-o-autor/n1237597600680.html
Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazistas - 1933
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar."Fonte: Último Segundo - iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/ciro-protesta-com-poesia-mas-erra-o-autor/n1237597600680.html
Martin Niemöller, símbolo da resistência aos nazistas - 1933
"Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar."Fonte: Último Segundo - iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/ciro-protesta-com-poesia-mas-erra-o-autor/n1237597600680.html

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Sobre o que nunca foi segredo

Há um tempo que venho pensando em como me envolver com a causa LGBTQ+, em como ajudar pessoas que possam estar passando por problemas para se assumir, ou mesmo para aceitar a si próprio. Tentei encontrar aliados por aqui na cidade, mas não conheço muita gente (antisocial que sou), e as pessoas gostam do conforto de não precisar militar a respeito de nada. Resolvi então fazer o mais básico, aparecer, dizer que estou aqui, e quem eu sou.
A letra que me representa na sigla, ainda hoje é bastante controversa. Se por um lado temos a liberdade de nunca precisar sair do armário quando em um relacionamento hétero, por outro, ao nos assumirmos corremos o risco de sermos rechaçados no nosso próprio meio, e no caso de nós mulheres (junte a isso o machismo), assediadas por homens héteros afim de realizar fantasias sexuais com suas parceiras.
Depois de várias conversas a respeito com meu esposo, decidi que eu deveria sair do armário, que entrei sem querer ao me comprometer com ele. Minha orientação sexual nunca foi segredo, mas ao entrar na minha nova família, não foi algo que quis revelar para os meus sogros de gerações tão distantes da minha. Nem pessoas do nosso convívio, que com o tempo se mostraram homofóbicas. E eu permaneci calada, até agora. Mas, ao continuar assim, eu não estou apenas negando parte do que me faz eu, como também estou nos ferindo como causa.
Acredito que não tenho nada a perder nesse momento em minha vida, e estou cansada de ficar em silêncio. Eu nunca tive, e nunca terei vergonha de ser quem eu sou. E se alguém tem qualquer problema com isso, eu sinto muito. Mas não diz respeito a mim, só a você.
Sempre acreditei que preconceito pode ser uma questão de pura ignorância, e portanto, fácil de consertar. Nesse caso, eu aceito perguntas a respeito da causa LGBTQ+, contanto que sejam feitas com bom espírito, e de dúvidas genuínas. E se você faz parte da sigla, e pode se manifestar, não fique em silêncio. Quanto mais de nós vier à tona, mais a sociedade terá a oportunidade de entender, que não há nada de errado conosco. Que somos iguais aos demais, e que por amar quem amamos, não dá direito a ninguém de nos odiar. Porque ser LGBTQ+ não é só sobre com quem nos relacionamos sexualmente, é sobre uma luta pelo direito ao amor. O direito, que sim, deve ser universal, de ser amado e de amar.
Pretendo escrever muito mais sobre esse assunto no futuro. Principalmente nesses tempos obscuros que estamos vivendo.

Eu preciso agradecer a pessoa mais importante na minha vida, por sempre me dar apoio, e por aceitar essa causa comigo. Eu queria que todo mundo fosse um pouco como você Edson.

So, I'm here, and I'm queer!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Mudança de hábito

Há uns treze anos atrás eu larguei a escola logo no início do ano letivo. Era a segunda vez que isso acontecia. Mas era a primeira vez que eu sabia o motivo: depressão! 
Nessa época, falar sobre depressão não era algo aceitável. Era quase como sair do armário nos dias atuais. Exceto o ódio. Diziam que era porque você não tinha Deus no coração, e coisas semelhantes. Como sou ateia, algumas pessoas poderiam até imaginar que tinham razão. 
Você ouvia histórias sobre casos mais extremos. Como de pessoas que ficavam loucas, ou perdiam o cabelo, ou ainda, adoeciam tanto fisicamente, a ponto de serem finalmente levadas a sério. Uma lástima!
Nesse ano, eu estava estudando a noite, e uma professora de Educação Física resolveu, após tocar no assunto, fazer um trabalho em sala sobre depressão. Foi ela anunciar o que queria, eu já entrei em pânico.
Fomos divididos em grupos de quatro ou cinco pessoas, não recordo bem. E o bendito trabalho consistia em fazer uma breve apresentação sobre depressão, valia encenar ou escrever uma poesia, algo criativo e artístico. Na época eu escrevia, pra caramba (pena quantidade não querer dizer qualidade!). Inclusive, o que teimosamente eu chamava de poesia. Mas eu travei. O tema era pessoal demais pra mim, e eu entrei em parafuso. Tínhamos quinze minutos ou meia hora (faz tempo, não recordo tão bem) para bolar algo. Eu não consegui criar nada, e pra mim, eu também prejudiquei o grupo com meu estado. Afinal, estava muito alterada, e eles tentavam me acalmar o tempo todo.
Resultado: toda a turma criou algo, apresentou com sucesso, e ao questionar ao meu grupo sobre a nossa apresentação, e ser informada que não tínhamos nada, a professora olhou pra mim desapontada e falou diretamente comigo (ou ao menos foi o que percebi na época) que não esperava isso de mim, ou algo do tipo.
Saí de lá em prantos. Não creio que a aula dela era a última, mas saí correndo do colégio. Olhos tão anuviados que não enxergava nada à minha frente. Eu tinha mania de querer vagar sem sentido, quando tinha crises. E nessa noite, pedi pro Ramon e o Alysson me acompanharem (confesso que não recordo se saímos andando ou não). Chorei, reclamei, queria mesmo morrer. E resolvi então que não queria mais ver os colegas que eu tinha prejudicado, e muito menos a professora, a quem eu tinha desapontado, e que não tinha tido a sensibilidade de perceber o motivo. Pensando bem, não é como se ela tivesse uma bola de cristal, né?
Contar isso a alguém, e pedir ajuda estava completamente fora de questão! Por isso que mesmo sendo uma excelente aluna, à época, eu largava a escola assim que tinha uma crise, e os professores ficavam sem pista de porquê. Era um estigma que eu não estava pronta para mostrar ao mundo. E também não queria que sentissem por mim, e me favorecessem por isso de alguma forma. E foi assim que eu passei os próximos quatro ou cinco anos. Até ser vencida pelo cansaço e me render à prova do Supletivo. Lembro que não ter terminado o ensino médio, só acrescentava ainda mais à minha depressão. Mas eu queria realmente aprender, por isso resistia tanto ao Supletivo. Mas a melhor coisa foi tirar esse entrave do meu caminho. Melhorou bastante minha ansiedade, e minha autoimagem.

Não sei por que exatamente, mas senti vontade de contar essa história. Isso foi há muito tempo, e de lá pra cá muita coisa finalmente mudou. Apesar de que admitir que tenho depressão, e que preciso aprender a conviver com isso, seja algo muito, mas muito recente em minha vida. Hoje é bom saber que eu não preciso encarar isso sozinha. E é bom ter o apoio e a compreensão das pessoas que me amam, e estão ao meu lado.
Se você também sofre de depressão, saiba que não há vergonha nisso. E que você não precisa ter motivos no mundo real pra justificar esses sentimentos e emoções.
Uma a cada quatro pessoas sofre de depressão no mundo. Umas mais severas ou leves do que a sua. Mas você com certeza conhece mais alguém no mesmo estado que o seu. As vezes essas pessoas só não admitem, portanto, não procuram ajuda, e nada muda.
Os tratamentos para depressão são os mais variados possíveis, basicamente qualquer coisa pode funcionar como terapia. Inclusive hobbies, fazer novas amizades, estar em contato com animais e a natureza, fazer trabalho voluntário, expressar-se criativamente, terapia com psicólogo, e em alguns casos, até tomar antidepressivos pode funcionar. Mas uma coisa que nunca vai fazer você melhorar é sofrer sozinho! O isolamento é como combustível para a depressão, e eu demorei mais do que deveria pra entender isso.
Admitir que tem algo errado, e não ter receio de procurar ajuda e apoio dos que o amam, é essencial para começar a se sentir melhor. Acredite em mim!

Eu quero aqui agradecer à minha família, meus irmãos, minha vó e ao meu Edson e meus sogros, por se importarem e cuidarem de mim. É por conta de vocês que eu tenho vontade de seguir.

E se alguém precisa de ajuda, eu posso tentar guiá-los na busca de apoio. E saiba que você vale muito!


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Solidão

Estar sozinha me trás emoções ambivalentes. Ao mesmo tempo que anseio, temo. Desde que me entendo por gente eu aprecio ficar sozinha. Sempre associado com um tempo pra mim, pra ouvir meus próprios pensamentos, tomar meu tempo pra resolver o que é preciso, ou só fazer coisas sem ser julgada, como dançar pela casa inteira, andar pelada ou cochilar durante o dia. Mas, por conta da depressão, é também um momento onde estar só com meus pensamentos não é uma coisa fácil, nem desejável.

Quando meu esposo e eu nos apaixonamos e nos casamos, eu achei que minha saúde mental iria melhorar, afinal de contas, eu tinha tudo o que sempre desejei. Eu queria que fosse tão simples! A verdade é que eu tenho sido menos aberta a aproximação de pessoas em geral, inclusive família. O que me traz a hoje: zero amigos, e tentando desesperadamente me conectar com minha família. Anos atrás eu nunca pensei que falta de amizades poderia ser um problema pra mim. Eu acreditava que tinha vários amigos. Quando na verdade, eu colecionava conhecidos, e era a única pessoa amiga da maior parte das relações que mantinha.

É difícil pra mim perceber o quanto necessito de interações sociais pra me sentir bem. Racionalmente, ao menos pra mim, o convívio com o Edson já deveria cobrir isso. E pra ele, também um introvertido, já é o suficiente. Mas pra mim não. Eu choro pela deterioração de minhas habilidades sociais. Pelo fato de ter brigado com meu único amigo, e de não conseguir fazer novas amizades. A verdade é que eu não quero me dar ao trabalho de conhecer novas pessoas, por medo de me decepcionar com elas, ou pior, de não as cativar. Eu ponho muito peso no significado da palavra amizade. Eu idealizo o que deve ser uma amizade perfeita, pois já tive muitas decepções! Tendo dito isso, sei que decepcionei também.

Tenho que lembrar sempre que todo mundo merece ser feliz, ser apreciado e amado. Que todo mundo tem o direito de encontrar pessoas que queiram compartilhar sua vida, que se sintam a vontade com alguém, que saibam que pode contar com aquela pessoa, que se sinta ouvido e entendido, tenha alguém pra compartilhar as coisas que o deixa feliz, e pra ouví-lo quando tudo vai mal também, alguém que fique feliz em ser seu amigo. Então, se todo mundo tem esse direito, eu também tenho.

Bem, o fato é que ficar sozinho encarando paredes, não é exatamente o que desejo pra ninguém, muito menos pra mim. A solidão precisa ser uma opção, e não uma situação. E o truque é que isso depende apenas de mim. De eu sair da caverna e ir explorar o mundo lá fora, que está cheio de coisas e pessoas de verdade, e não as sombras que constantemente analiso desenhadas na parede. O negócio é que é mais fácil falar do que fazer, como tudo nessa vida. Vamos torcer pra que eu consiga.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Redes sociais nunca mais?!

Essa publicação foi minha despedida do Facebook no dia 24 de março de 2018.

A quem interessar: Eu não estou usando o Facebook diretamente há um tempo. E recentemente também o Twitter e o Instagram saíram da minha rotina. Fiz isso tanto para me livrar de maus hábitos que havia criado, quanto pelo ambiente tóxico que encontro quando uso às redes sociais. A dicotomia que parece irreversível, alimentada por um mercado criado para nos confundir e desinformar, com o único intuito de se aproveitar da situação e conseguir nos "vender" soluções em forma de o "salvador da pátria".

Talvez não adiante muito vir aqui e pedir bom senso. Afinal estamos vivendo um tempo que as notícias reais, por vezes são ainda mais absurdas do que as notícias inventadas. Mas, por favor, tenham um pouco de atenção e cuidado ao compartilharem notícias que recebem por aqui, e principalmente pelo WhatsApp. Principalmente se o noticiado te deixou indignado ou estupefato. As notícias falsas são criadas justamente para isso. Pois é esse tipo de emoção que nos motiva a passar pra frente, a conversar sobre com os nossos conhecidos. Uma simples pesquisa no Google, uma visita ao site do E-farsas, www.e-farsas.com pode prevenir um comportamento que está prejudicando a humanidade, não só nós brasileiros. E que é tão fácil de ocorrer nesses tempos de internet e imediatismo.

Eu recomendo ainda, para os que não podem, ou não querem se afastar das redes sociais, compartilhem algo que te trouxe alegria ao invés de indignação. Alguma notícia boa que te fez ter esperança de que tudo vai ficar bem. Ou simplesmente algo maravilhoso e simples, que por nos dar como garantido nós não agradecemos. Ou algo extraordinariamente maravilhoso que você descobriu. Eu tenho certeza que há muitas coisas positivas no mundo ao nosso redor.
Nós não precisamos nos tornar alienados achando que tudo está bem no mundo, mas o contrário é ainda mais perigoso. E ao invés de repassar correntes, notícias (falsas ou não), aquela foto que você acha bonita com uma mensagem pronta, que tal apenas dizer "oi, tudo bem?!" para aquele amigo de quem sente falta, pro seu irmão que não vê há um tempo, ou simplesmente pra aquela pessoa legal com quem sempre quis conversar e nunca teve oportunidade. O melhor de tudo é que você pode fazer isso na vida real também. E que tal perguntar isso a si mesmo?! Você está bem?!

Com isso eu venho dizer que o Facebook não tem lugar pra mim. A vida online está complicada demais, e eu resolvi tirar um tempo pra focar em mim mesma. Eu aconselho o mesmo pra todos que desejarem um ano mais tranquilo. Aos demais, saiam de suas bolhas. E nem aconselho ouvir o outro lado, pois só há extremos em toda parte. Assistam aos vlogs do Maurício Ricardo do site www.charges.com.br (e agora canal do YouTube), ele também tem página aqui no Facebook. E aconselho fortemente que ouçam podcasts. Os meus preferidos são o NBW que fala sobre política e sociedade, tanto no nível nacional, quanto internacional. E o maravilhoso podcast Mamilos que trata de assuntos polêmicos com imparcialidade e empatia. Tenham um ótimo fim de semana, e um bom ano, na medida do possível. Cuidem de si mesmos!

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Para deletar para sempre sua conta do Facebook não é tão simples, ao excluir normalmente na página de configurações, você só coloca sua conta em suspensão, e pode voltar a ela a qualquer momento, é só logar normalmente. Se você, como eu, tem interesse em deletar de vez sua conta do Facebook, precisa usar esse link facebook.com/help/delete_account, se certifiquem antes, se assim desejarem, de salvar todas as suas publicações na rede social. Isso pode ser feito em configurações gerais da conta, clicando no link no fim da página que diz "baixe uma cópia de seus dados do Facebook". Bem, depois de feito o backup, e deletado sua conta, você ainda terá 14 dias para mudar de ideia. Se você quer entender melhor como fazer isso veja esse artigo do Techtudo http://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2015/03/como-excluir-seu-facebook-e-encerrar-de-vez-com-sua-conta.html.
Se você quer motivos para fazer isso ouça os podcasts:

http://www.b9.com.br/89010/mamilos-141-quem-quer-privacidade/
http://www.b9.com.br/88463/mamilos-139-fake-news/
http://podcastnbw.com/archives/1079

Inclusive recomendo ouvir sempre esses dois podcasts, porque vale muito a pena.
Eu acabei excluindo também o Twitter. Quando comecei a usá-lo ano passado estava apaixonada, tornou-se um vício bem rápido, passei um tempo sem usá-lo (como uma desintoxicação), e ao retornar, notei quão tóxico é o ambiente do Twitter, onde as pessoas falam o que vem na cabeça delas, e atacam uns aos outros sem dó nem piedade.

Restaram então o Instagram, e o Youtube. Confesso que já fui viciada no Instagram também, hoje mal entro. E o que dizer do Youtube? É uma relação complicada de amor e ódio. Pra mim, tem muito potencial, mas é desperdiçado na esmagadora maioria dos casos. Seria muito bom se fosse só uma forma de compartilhar novidades, experiências e conhecimento (entre outras coisas boas), ou mesmo como forma de denúncia, quando necessário. Seria ótimo se fosse justo, se todo mundo pudesse ser remunerado, se pudesse ser um meio de vida, sem necessidade de transformar ninguém em grande youtuber. A desigualdade na sociedade se transferiu e se instalou muito rápido por lá. Mas também admito que é tudo o que eu disse antes, e mais. É uma forma de pessoas que não se encaixavam na sociedade encontrar seu espaço, criando conteúdo (bom ou ruim), e sim ajudou e ajuda muita gente, tanto os que criam conteúdo, como nós que consumimos. Por isso meu amor e ódio por ele.

Eu não usava mídias sociais há um tempo (desde 2012), e voltar a elas ano passado me mostrou que realmente não é meu lugar, mas talvez tenha sido o tempo que eu decidi voltar também, não foi o melhor momento. Nos primeiros dias sem Twitter eu me sentia perdendo. Perdendo o contato com as pessoas legais com quem interagia por lá. Perdendo as últimas notícias (relevantes ou não) que estão acontecendo no Brasil e no mundo... Mas tudo isso foi passando. Do Facebook, que já não era tão fanática, como eu preferia não ver atualizações de ninguém, ou quase ninguém, só sinto falta mesmo dos Grupos de Star Trek e coisas das quais gostava. Claro, além de pessoas do meu passado com quem perdi o convívio, mas que me reencontraram por lá.

Quanto ao Instagram, confesso que se tivesse um meio eficiente de fazer backup como o Facebook e o Twitter, eu já teria deletado. Mas no caso, eu também não iria querer perder o contato de algumas pessoas que sigo por lá, já até fiz alguns vínculos. E o Youtube é aquela coisa: cansada dos criadores que estão mais preocupados em agradar do que fazer o que gostam, afinal números significa retorno financeiro. Mas, de forma alguma os culpo por isso, afinal como dizem, todo mundo tem boleto pra pagar, não é mesmo? Mas, isso faz com que a minha tentativa de diminuir meu consumo diário de vídeos no Youtube seja limitado aos poucos canais que realmente me cativaram, de pessoas que eu sei que o fazem com paixão.

Quanto a mais problemática das mídias sociais ultimamente, será que a gente pode chamar de mídia social? Bem, o Whatsapp, não é um problema grande pra mim, pois não o uso como mídia social, não participo de grupos, nem mesmo de família! É só uma forma de me comunicar com as pessoas, quando eu preciso, ou elas precisam falar comigo. Infelizmente isso alimenta minha ansiedade as vezes. Já pensei em deletar do meu aparelho? Já! Mas não fiz porque eu não gosto de falar ao telefone, e essa é a forma principal de comunicação aqui em casa.

Como por algum tempo as redes sociais foram um jeito seguro de emular interações sociais pra mim. Perder tudo isso (ou quase) bateu forte em mim, e eu tive sérias quedas com relação a minha saúde mental. Mas estou tentando voltar aos trilhos fazendo o que deveria ter feito há muito tempo. Estou tentando interagir com as pessoas que amo no mundo real. E eu vi um grande avanço pra mim.
 Espero continuar assim. E esse blog é o meu jeito de não perder o hábito de escrever, escrever e escrever, como faço no meio falado, onde não paro a boca um segundo (sinto muito mesmo, pessoas que interagem comigo no mundo real). A diferença é que aqui ninguém é obrigado a me ouvir (ler). Mas, caso alguém leia isso, deixa um oi pra mim. Significaria o mundo pra essa aqui. E tiraria essa paranóia de que o pequeno número de leitores do meu blog, na verdade são bots do Google.

Por fim, aos que escolherem por continuar a usar as redes sociais, desejo empatia e amor. ;*

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Pequeno disclaimer de 18 de junho de 2018: eu voltei a usar o Facebook. Nada demais, só queria manter o contato com algumas pessoas, e esse é um bom meio para isso. Ah, e também nunca cheguei a deletar o Instagram. Mas do Twitter, realmente tô fora. Ao menos até agora.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Conversa de garotas

Precisamos falar sério sobre algo: sexo! Hoje li um artigo do Huffpost Brasil que fala sobre interações sexuais onde as mulheres não se sentiram confortáveis, expressaram de forma "educada" para o parceiro, e mesmo assim tiveram que passar por momentos não desejados, desagradáveis e/ou constrangedores. Essa discussão é importante, principalmente dentro do movimento #MeToo, que denuncia casos de assédio sexual, ou mesmo estupro, desde o ano passado.

Tudo começou em Hollywood com a repugnação ao comportamento predatório e bullier de um grande produtor cinematográfico, Harvey Weinstein. Apesar do movimento #MeToo existir desde 2006, ele cresceu e se tornou viral no final de 2017, com o uso da hashtag pela atriz Alyssa Milano, em solidariedade a sua amiga, Rose McGowan, primeira a denunciar Weinstein. O que se seguiu foi, ao menos nos EUA, uma onda de denúncias de outros casos envolvendo, em sua maioria, homens que abusavam de algum poder que exerciam sobre suas vítimas, geralmente no meio profissional, para levá-las a praticar sexo com eles, ou receber algum tipo de "favor sexual". Falei de "em sua maioria  homens", porque também houve denúncia contra uma mulher, (até onde sei). A cantora pop Melanie Martinez, que foi denunciada por uma amiga.  

E não só mulheres se juntaram ao movimento, como homens, nesse caso assediados por outros homens. O primeiro do qual recordo foi o ator Terry Crews (o eterno pai do Chris), que alegou ser pego pelas genitálias por um agente de Hollywood durante uma festa onde estava ao lado de sua esposa. Outra denúncia vinda de um homem, foi a do ator da nova série Star Trek Discovery, Anthony Rapp, que revelou ter sido assediado pelo ator Kevin Spacey numa festa em sua casa, quando tinha apenas 14 anos. O que levou Kevin Spacey a se "desculpar" saindo do armário. Uma mancada épica, e um desserviço para a comunidade LGBT.

Um debate extremamente importante se iniciou com todas essas denúncias, e um movimento de mulheres não mais se calando diante da violência verbal ou física e de cunho sexual, tão bem estabelecida na nossa sociedade, que foi usada como justificativa por alguns dos denunciados. Que alegam, ao se defenderem, que cresceram entendendo que esse tipo de comportamento é "normal". Agora talvez caminhamos para um mundo onde, não só se condena esse tipo de comportamento, mas não mais se aceita. Um momento em que todos devemos debater sobre nossas interações sexuais. Dentro desse contexto, onde mulheres denunciam violência sexual, não parece certo dar voz a casos em que, aparentemente o que aconteceu foi consensual. 

Muito se fala sobre consensualidade, também. Como qualquer assunto tabu, sexo não é diferente. Está cercado de nebulosidade e nuances. Ainda fazemos joguinhos, onde as diferenças de papel entre os gêneros (homem e mulher) é muito grande, e distante do ideal num mundo mais igualitário. As mulheres ainda não conseguem se expressar sexualmente sem serem reprimidas de alguma forma por isso; não conseguem dizer não, de forma clara e concisa para um homem, por não querer parecer rude, e por um instinto de não desagradar. E, por consequência, muitos homens acabam usando essa ambiguidade como desculpa para continuarem encontros sexuais em que as mulheres se mostram desconfortáveis. Afinal, eles não sabem interpretar os sinais que recebem delas. Sejam físicos ou verbais. Ah, me poupe! Nós convivemos há muito tempo em sociedade para não entender frases como "está ficando tarde..." e coisas do tipo.

Aqui no Brasil, em 2015 tivemos um movimento bem interessante sobre assédio: #primeiroassédio, campanha iniciada pela Juliana de Faria do Think Olga, após polêmicas envolvendo uma participante de 12 anos do programa Master Chef Júnior. Por aqui, sofreu um impulso pela temática da redação do Enem daquele ano "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira". Mulheres e garotas, usaram a hashtag nas redes sociais para comunicar sobre a primeira vez que sofreram alguma violência verbal ou física, sexual. Um ato de denúncia e de apoio feminino. Infelizmente, por aqui, o movimento logo esfriou. E tantas discussões interessantes que haviam sido criadas, logo desvaneceram. Uma pena!

Ao meu ver, devemos aproveitar esse momento para nos educarmos sobre o que é, ou não, saudável e aceitável, sexualmente falando. Não há uma só mulher que em algum momento da vida, não tenha sido assediada, ao menos verbalmente. E sim, isso inclui frases de "pedreiro" quando se passa na rua. E não, não é, e nem deve ser aceitável, e muito menos desejável. O assédio começa muito cedo nas vidas delas, infelizmente. E muitas mulheres desafortunadas, sofreram, ou sofrem constantemente, algum tipo de violência sexual. Afinal, vivemos num país onde, segundo dados de 2014, um estupro acontece a cada 11 minutos. Ontem mesmo fiquei sabendo de uma música que a letra normaliza o ato sexual com mulheres bêbadas, de forma esdrúxula. Sendo vangloriada como possível hit do verão. Pra quem não sabe, isso constitui crime de estupro de vulnerável. Posso fazer uma lista aqui só com músicas que fizeram sucesso, com letras bastante problemáticas sobre sexo e mulher.


Há muito o que se falar sobre o assunto. E espero que a discussão chegue por aqui de forma mais concisa, e em todas as camadas sociais, não só da elite que lê jornal e sabe inglês. Nossas meninas precisam se descobrir pessoas. Saber que tem todo direito sob seu próprio corpo, inclusive o direito de falar não no meio de um encontro. Se uma das partes não está confortável com a situação, nada mais justo que se expressar. Não precisa ter medo de ser mal educada, ou mesmo rude. Se a pessoa com quem você está realmente valer a pena, ela nunca irá questionar sua indisposição. No máximo você não terá um segundo encontro ruim.

> http://www.huffpostbrasil.com/2018/01/17/sobre-aziz-ansari-e-sexo-consentido-que-e-violento-mesmo-que-nao-seja-criminoso_a_23336027/?ncid=fcbklnkbrhpmg00000004

> http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/09/17/internas_polbraeco,626604/brasil-registra-um-estupro-a-cada-11-minutos.shtml

> http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2017/05/dia-nacional-contra-abuso-sexual-de-criancas-e-jovens-e-celebrado-nesta-quinta-18 

> http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2015/11/1700865-criadora-de-campanha-sobre-assedio-considera-tema-do-enem-uma-vitoria.shtml

> http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2018/01/16/internas_viver,738395/surubinha-de-leve.shtml

> http://direito.folha.uol.com.br/blog/fazer-sexo-com-algum-bbado-estupro