Por muito tempo eu só conseguia "amar" o que era idêntico (no mínimo similar) a mim. Pessoas com crenças diferentes, com gostos diferentes, eram pessoas com quem eu não desejava nenhum tipo de convívio, e não apenas isso, mas eram pessoas que eu não conseguia me abrir, ao menos para conhecer. E foi assim que eu acabei me isolando mais e mais, a ponto de não ter por perto nem as pessoas que amo. Minha desculpa é que ELAS não me entenderiam, ELAS me julgariam e não gostariam de mim. Quando na verdade era eu quem não as entendia, eu que as julgava e que não gostava de tê-las por perto.
Tudo começou a mudar quando eu notei que repetia com minha irmã o padrão de relacionamento que minha mãe tinha comigo. Não entendia porque ela era tão diferente de mim, logo ela deveria estar errada, claro! Tentava moldá-la à minha imagem, me frustrava e então me afastava. Quando o que ela mais precisava era de alguém pra apoiá-la. Como precisei da nossa mãe quando tinha a idade dela. Mas no meu caso, nessa idade, eu ainda tinha uma mãe, ela não!
Eu entendi a tempo o que se passava, e consegui recuperar um relacionamento que de outra forma, não mais existiria. E é um dos blocos na minha vontade de melhorar. E com certeza é uma das pessoas que mais amo no mundo. Eu a amo do jeitinho que ela é, e principalmente por isso. Por ela ser ela mesma, genuína, e completamente diferente de mim.
Outra história tão esdrúxula quanto essa, é que no início do relacionamento com meu esposo, eu achei que não daríamos certo porque ele gosta de música eletrônica. Vê se pode?! Nós temos um universo de similaridades, mas ele gostava de música eletrônica (que à época eu não gostava) além das músicas que eu gostava. Ridículo! E por essa eu devo agradecer a uma moça amiga de amigas minhas, com quem fui pra um show em Laranjeiras em 2011, por dar na minha cara com a realidade de quão estúpido era esse parâmetro.
O fato é que é normal que nos aproximemos mais de pessoas parecidas com a gente. Mas ao nos afastar de pessoas diferentes, estamos perdendo oportunidades. Oportunidade de conhecer coisas novas, de gostar de outras coisas, além das coisas que já conhecemos e gostamos. E perdemos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e únicas do seu próprio jeito.
E eu tenho pensado muito nisso agora, porque estou fazendo um curso de corte e costura com mulheres maravilhosas, e TODAS bem diferentes de mim. E hoje eu soube que o curso poderia ter parado por agora, e eu não as veria mais. E a realidade é que como não temos muita coisa em comum, dificilmente alguém iria querer a amizade dessa coisinha estranha que sou. E mesmo que o curso acabe hoje, ou daqui a um ou dois meses, eu vou sentir muita falta delas. Sentirei falta até de discordar delas.
E assim uma reflexão virou uma declaração à minha turma e professoras. Obrigada pelo carinho e atenção toda semana. Espero aproveitar bem o tempo com vocês. Vejo vocês segunda! ;)
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
terça-feira, 6 de novembro de 2018
Maneiras de se convencer a agir
Há anos venho dizendo que quero ser produtiva, mais amigável, enfim, mais viva! Bem recentemente, estava desesperada, não conseguia funcionar nem para coisas básicas. A internet, que sempre foi meu ponto de apoio e aprendizado, também é o meu vórtice de procrastinação. Anos e anos gastos pesquisando, lendo, vendo vídeos e tutoriais de como fazer de um a tudo. Nunca parando pra realmente me aprofundar em FAZER alguma coisa. Ao invés disso, me contentava em ver outros fazendo. Isso não é lógico! É preciso mudar!
Sempre fui muito autocrítica, e me encarregava de me estapear metaforicamente (e as vezes até literalmente) por coisas que deveria ter feito, e coisas que não deveria ter feito. Mas, estou tentando ser mais gentil comigo mesma. Parar de me criticar tanto, e me pré-ocupar tanto do futuro. Preceitos de mindfulness (meditação) que tenho aprendido e empreendido o quanto posso em minha vida. Mas talvez eu estivesse sendo muito gentil... Os princípios de mindfulness nos dizem pra não nos punir por termos nossos pensamentos desviados enquanto tentamos meditar, e nos guiar à concentração novamente. Bem, eu só não me punia, mas continuava a alimentar pensamentos monstros e hábitos horríveis, como procrastinar, reclamar de tudo e dormir o máximo de tempo que podia. A vida é o que a gente faz dela.
Outro conceito que sempre soou um alarme dentro de mim é o de self indulgence (ou autocomplacência), que significa sempre se perdoar e se gratificar. Pois bem, dar um tapinha nas próprias costas e continuar a fazer o mesmo erro é o que me deixa mal, cansei! Isso não quer dizer que não posso me perdoar, mas que ao me perdoar, eu me corrija, exatamente como funciona na meditação.
E é basicamente isso que tenho feito nos últimos dias. Estou torcendo pra ser uma daquelas resoluções de mudança de vida, e não só eu tendo mais uma crise de hipomania.
Mas, pra quem se importa, aí vão algumas metas recém pensadas (e algumas iniciadas):
P.S.¹: Ah, eu descobri que alguém lê esse blog (não só os bots do Google), como não sei se posso revelá-la aqui, vai ficar anônima. Mas vai minha gratidão pelas palavras generosas. Espero trazer algo útil pra outras pessoas além de mim mesma. Um beijo pra você que me lê!
P.S.²: Eu comecei a ler novamente o livro Atenção plena – Mindfulness: Como encontrar a paz em um mundo frenético de Danny Penman, Mark Williams. Eu acho que todo mundo deveria meditar, e eu acredito que um dia, todo mundo fará isso. Será primordial para a saúde, como academia e Yoga são hoje. Outras sugestões são os apps de meditação Head Space (não sei se tem em português) a voz dele é perfeita, aqui está o canal com animações fofas e o voiceover dele , só pra você ter uma noção e querer mais https://www.youtube.com/user/Getsomeheadspace, o app Cíngulo: Autoconhecimento, que mescla exercícios, meditação guiada e autoconhecimento para amenizar e ajudar em crises de ansiedade, estresse ou desanimo e o app Daylio: Diário - Controle de humor, uma forma super prática e simples de monitorar seu humor e manter um diário com atividades mostradas por símbolos que você mesmo escolhe, tudo é personalizável e prático. Todas essas dicas de quem recentemente ficou sem Android, e não sente falta nenhuma. To muito bem no mundo offline, e eventualmente usando o PC, na maior parte pra pesquisas e blogar mesmo.
Sempre fui muito autocrítica, e me encarregava de me estapear metaforicamente (e as vezes até literalmente) por coisas que deveria ter feito, e coisas que não deveria ter feito. Mas, estou tentando ser mais gentil comigo mesma. Parar de me criticar tanto, e me pré-ocupar tanto do futuro. Preceitos de mindfulness (meditação) que tenho aprendido e empreendido o quanto posso em minha vida. Mas talvez eu estivesse sendo muito gentil... Os princípios de mindfulness nos dizem pra não nos punir por termos nossos pensamentos desviados enquanto tentamos meditar, e nos guiar à concentração novamente. Bem, eu só não me punia, mas continuava a alimentar pensamentos monstros e hábitos horríveis, como procrastinar, reclamar de tudo e dormir o máximo de tempo que podia. A vida é o que a gente faz dela.
Outro conceito que sempre soou um alarme dentro de mim é o de self indulgence (ou autocomplacência), que significa sempre se perdoar e se gratificar. Pois bem, dar um tapinha nas próprias costas e continuar a fazer o mesmo erro é o que me deixa mal, cansei! Isso não quer dizer que não posso me perdoar, mas que ao me perdoar, eu me corrija, exatamente como funciona na meditação.
E é basicamente isso que tenho feito nos últimos dias. Estou torcendo pra ser uma daquelas resoluções de mudança de vida, e não só eu tendo mais uma crise de hipomania.
Mas, pra quem se importa, aí vão algumas metas recém pensadas (e algumas iniciadas):
- Fazer agroecologia (agrofloresta, permacultura) - Porque é necessário, gratificante, e é mexendo na terra, vendo as plantas e árvores crescendo, as joaninhas, e insetos que nunca vi antes, pássaros e aves que nem conhecia... É assim que eu me sinto viva e bem. É quando to sentada, agachada ou ajoelhada no chão, reverenciando a mãe natureza, com a mão na terra, que olho pro céu e sinto aquela alegria enorme de viver que dá até vontade de chorar. A alegria da conexão com a natureza. O plus disso é ter alimento sem agrotóxico. Comer mais legumes, verduras e frutas, coisas que amo! E acredite, tudo é muito mais saboroso quando a gente mesmo que plantou, colheu e preparou. Isso sim é riqueza!
- Ter uma vida social - Eu sei, eu estou engatinhando para ter relações saudáveis com familiares, amigos e conhecidos. E eu quero ter pessoas por perto. Quero poder ajudar pessoas também.
- Criar um negócio - Todos esses anos, e eu nunca senti necessidade de ganhar dinheiro. Sempre me contentei com pouco, e sempre fui muito insubordinada pra ter um trabalho formal, com patrão, obediência e tarefas. Eu poderia só cuidar aqui do sítio, dos bichos e das plantas e me dar por satisfeita. Apoiar quem gera renda numa família, também é trabalho, sem sombra de dúvidas. Mas eu quero ser independente financeiramente. Não porque me sinto obrigada. Mas porque quero ter renda também. Quero fazer coisas, as quais não acho correto tirar da renda única que temos para sobreviver, mas quero ter essas experiências, e quero promover certas coisas, e aí só com dinheiro mesmo. Já até estou pensando no que fazer. Por enquanto a ideia é um zigoto, mas é mais promissora do que as que tive no passado. Não me fará rica, tem potencial de agregar outras pessoas, e casa com o estilo de vida que venho conquistando aos poucos, e do qual falarei a seguir.
- Sustentabilidade - Porque nós consumimos muito mais do que o planeta pode nos oferecer de forma saudável pra ele, e para todos os seres vivos que ele contém. É por isso que não dá mais para viver sem pensar nas consequências de nossas ações. E eu venho pensando muito sobre isso, e me martirizando a respeito. Mudando hábitos e atitudes. E é crescente. O que eu ainda não consegui fazer, tipo: parar de aceitar copos descartáveis, sacolas plásticas, canudo plástico, guardanapo, enfim, parar de gerar tanto lixo, é minha prioridade agora! É possível viver sem gerar nenhum lixo, reaproveitando TUDO, tudo mesmo! Mas, eu posso nunca chegar a esse nível, alguns sacrifícios podem ser demais pra mim. Mas certamente a maioria, nem é demais, e é até muito mais benéfico do que só usar algo sem me questionar sobre. Eu adoro reutilizar algo que iria pro lixo, ou ser a receptora de algo que não tinha mais serventia pra outra pessoa, criar algo útil de algo que iria prejudicar a natureza ou outras pessoas... Depois eu posso escrever sobre isso por aqui. Sobre nossas aventuras com compostagem e minimalismo, por exemplo.
P.S.¹: Ah, eu descobri que alguém lê esse blog (não só os bots do Google), como não sei se posso revelá-la aqui, vai ficar anônima. Mas vai minha gratidão pelas palavras generosas. Espero trazer algo útil pra outras pessoas além de mim mesma. Um beijo pra você que me lê!
P.S.²: Eu comecei a ler novamente o livro Atenção plena – Mindfulness: Como encontrar a paz em um mundo frenético de Danny Penman, Mark Williams. Eu acho que todo mundo deveria meditar, e eu acredito que um dia, todo mundo fará isso. Será primordial para a saúde, como academia e Yoga são hoje. Outras sugestões são os apps de meditação Head Space (não sei se tem em português) a voz dele é perfeita, aqui está o canal com animações fofas e o voiceover dele , só pra você ter uma noção e querer mais https://www.youtube.com/user/Getsomeheadspace, o app Cíngulo: Autoconhecimento, que mescla exercícios, meditação guiada e autoconhecimento para amenizar e ajudar em crises de ansiedade, estresse ou desanimo e o app Daylio: Diário - Controle de humor, uma forma super prática e simples de monitorar seu humor e manter um diário com atividades mostradas por símbolos que você mesmo escolhe, tudo é personalizável e prático. Todas essas dicas de quem recentemente ficou sem Android, e não sente falta nenhuma. To muito bem no mundo offline, e eventualmente usando o PC, na maior parte pra pesquisas e blogar mesmo.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Mudaram as estações...
Por Enquanto - Legião Urbana
Mudaram as estaçõesE nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém, só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa
Eu fico cantarolando músicas para me conformar... Essa é a mais recente. Eu não tenho saúde mental para lidar com todas as notícias preocupantes, todos os disparos de violência e violações validados por discursos de ordem e ódio. Estou muito desanimada e preocupada com as minorias, o meio ambiente e o futuro de todos nós. Sim, eu quero, mais do que nunca, estar errada sobre todas essas minhas preocupações, mas é pintar nas mídias sociais e ser bombardeada por alardeamentos de arrepiar. Como fiz a escolha de um pouco antes das eleições não usar o Instagram, estou fazendo a escolha de voltar a me afastar do Facebook. Não dá! Eu quero ser forte, ser resistência, apoiar outras pessoas. Mas minha paranoia, minha empatia não deixam. Eu sinto dor fisicamente e estou em estado constante de alerta. Eu realmente não tenho saúde mental para isso! Mas quero ter.
Continuarei escrevendo por aqui, pois isso contribui pra minha sanidade. Quando escrevo me entendo, me acalmo... É isso!
domingo, 28 de outubro de 2018
Desejo, necessidade, vontade...?!
Eu tenho, ao escrever esse texto, trinta anos, a poucos dias de completar trinta e um. Estou casada há quase sete anos, e já tem um tempinho que começaram as cobranças por um filho, um "fruto" da nossa união.
Durante toda a minha vida antes do Edson, eu nunca me imaginei como mãe, no sentido de ter alguém criado e saído de meu ventre. Mas, em várias oportunidades vislumbrei a possibilidade de ser mãe adotiva, e coisas do tipo.
No iniciozinho do nosso relacionamento eu assisti um filme chamado "O Lutador", e lembro de ter uma vontade forte de ter um filho biológico. A verdade é que acho que não entendi o filme direito na época, e estava muito sensibilizada ainda com a morte de minha mãe. Depois disso, o mesmo desejo em momentos de desespero em meio a crises depressivas muito fortes, e por fim, como resultado de pressão dos meus sogros que, naturalmente desejam netos.
Mas hoje, eu não sinto desejo, necessidade ou mesmo vontade de gerar um filho. Adotar volta e meia é um pensamento recorrente, e aqui vai o porquê: sei que muitas crianças orfãs precisam de alguém que as ame, e que cuide de verdade delas. Não tenho necessidade de laços sanguíneos para amar. Mas há um porém, uma criança que já foi rejeitada, as vezes a partir do seu nascimento (ou concebimento), precisa de alguém forte, e que saiba lidar com suas necessidades e peculiaridades. E eu, por minha vez, ainda não me sinto segura de dizer que sou essa pessoa.
Ter um filho, ou adotar uma criança, que seja, significa ser responsável por uma vida. Ser responsável pelo que será daquele ser, daquele momento por toda a sua vida. É permanente, e é a coisa que mais necessita de sua atenção e total responsabilidade. Tendo dito isso, sim é assim mesmo que vejo. E por isso mesmo, eu acredito que fazer um filho, ou mesmo criá-lo, não te faz um bom pai/mãe. Há muito mais envolvido no processo. E muita gente nunca deveria ter filho. Por enquanto, uma dessas pessoas sou eu.
Estou ciente que não existe uma paternidade/maternidade perfeita. Mas um pai ou mãe tem que prover o essencial para a formação de seu filho. E eu não estou falando apenas da parte material, isso é importante. Mas tem um papel, ao meu ver, até secundário. Uma criança precisa de estabilidade e segurança emocional, um lar sem conflitos, oportunidades para crescer e ser ela mesma, uma certa liberdade e senso de responsabilidade, inclusive por si mesma, e claro, carinho, atenção e amor. E isso alguém que ainda está tentando se encontrar, que não está resolvido, que não está preparado emocional e financeiramente, não pode prover.
Na infância é que formamos nosso caráter, é que definimos, muitas vezes, como seremos por toda nossa vida. E não é justo que a gente ponha filho no mundo porque ache que é nossa obrigação - nós não estamos vivendo um período de baixa no número de humanos, pelo contrário! Eu entendo que há pessoas que sonham em ser pai/mãe, que assim o seja, mas primeiro que organize sua vida, saiba que está pronto pra esse comprometimento irrevogável. Entenda a sua responsabilidade como progenitor/progenitora. Não tenha filho porque acha que deve, você não tem obrigação com sua espécie; porque seus pais/sogros ou apenas seu companheiro/companheira deseja; pra segurar alguém ao seu lado num relacionamento - isso não funciona, e ainda tem o potencial de te fazer sozinho e com um filho pra criar, que por vezes, não terá muito contato com o pai ou mãe, ou os dois, já que se trata de um objeto de barganha e frustração; ou ainda, porque você quer um mini-me seu ou de seu parceiro ou parceira: uma criança é outro ser, e por mais que você se esforce pra educá-lo à sua maneira, ele vai ter os próprios princípios - é assim que o mundo avança, por sinal. Pense em quando estava crescendo, e em como você mesmo é diferente de seus pais.
Em oportunidades anteriores, conversando com conhecidos e amigos, a gente sempre passa por momentos "curiosos" falando sobre o assunto. Tem a parte de ter um filho ser uma coisa sagrada na vida de um casal, o que não nos toca, já que ambos não somos religiosos. Uns olhares tortos, e uma frases do tipo: Ah, vocês ainda vão mudar esse pensamento depois. E a gente fica sem ter argumentos. É claro que a gente pode mudar de ideia depois quanto a querer, o fato é que depois de ter um filho, é que você não pode voltar atrás. Esse é nosso pensamento atual, é óbvio, e como tudo no universo, pode não ser definitivo. A situação que consideramos mais engraçada é quando o casal (ou indivíduo) está reclamando da vida de pai/mãe, do trabalho que dá, de como sua vida nunca mais será tranquila, da responsabilidade, falta de liberdade, daí quando a gente diz que não quer ter filho, o discurso vira outro e aí a pessoa diz que a gente precisa ter filho, porque é bom também, é a alegria da pessoa, é alguém pra cuidar de você quando velho. Que ao nosso ver, é o motivo mais desonesto para se ter um filho. Se você pensa assim, invista algum dinheiro a longo prazo ou faça uma poupança. Dá menos gasto, não irá te decepcionar e é certo de que vai lhe servir em sua velhice (quem sabe você possa pagar uma casa de repouso). Nem todo mundo tem cabeça pra cuidar dos pais quando esses envelhecem, eu sei que é triste, mas é fato. Não é garantia que seu filho ou filha vá querer isso. E não é justo pra ele ou ela, que em sua vida adulta tenha que desistir de sonhos e oportunidades pra cuidar dos pais. É drama demais!
Por fim, isso aqui são devaneios incompletos sobre o que significa pra mim ser mãe ou pai. O que representa ser o cuidador/cuidadora de uma criança. E como você não precisa ser pai ou mãe pra ter uma vida completa.
Tenha filhos, mas apenas se perceber o peso disso, e mesmo assim esteja disposto a arcar com todos os contras. Como tudo nessa vida, é uma decisão que deve ser muito bem pensada. E por enquanto, eu estou do lado dos que não desejam ser pais. Eu ainda quero aproveitar a vida de casal ao lado do Edson, e ser a cuidadora de muitos seres, mas todos bem mais simples que um ser humano.
P.S.: O título desse texto vem de uma música dos Titãs, composta por Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Marcelo Frommer chamada "Comida". E sua letra ilustra bem o que falo sobre o material ser o básico, mas que outros aspectos entram no que é essencial em nossa formação.
Durante toda a minha vida antes do Edson, eu nunca me imaginei como mãe, no sentido de ter alguém criado e saído de meu ventre. Mas, em várias oportunidades vislumbrei a possibilidade de ser mãe adotiva, e coisas do tipo.
No iniciozinho do nosso relacionamento eu assisti um filme chamado "O Lutador", e lembro de ter uma vontade forte de ter um filho biológico. A verdade é que acho que não entendi o filme direito na época, e estava muito sensibilizada ainda com a morte de minha mãe. Depois disso, o mesmo desejo em momentos de desespero em meio a crises depressivas muito fortes, e por fim, como resultado de pressão dos meus sogros que, naturalmente desejam netos.
Mas hoje, eu não sinto desejo, necessidade ou mesmo vontade de gerar um filho. Adotar volta e meia é um pensamento recorrente, e aqui vai o porquê: sei que muitas crianças orfãs precisam de alguém que as ame, e que cuide de verdade delas. Não tenho necessidade de laços sanguíneos para amar. Mas há um porém, uma criança que já foi rejeitada, as vezes a partir do seu nascimento (ou concebimento), precisa de alguém forte, e que saiba lidar com suas necessidades e peculiaridades. E eu, por minha vez, ainda não me sinto segura de dizer que sou essa pessoa.
Ter um filho, ou adotar uma criança, que seja, significa ser responsável por uma vida. Ser responsável pelo que será daquele ser, daquele momento por toda a sua vida. É permanente, e é a coisa que mais necessita de sua atenção e total responsabilidade. Tendo dito isso, sim é assim mesmo que vejo. E por isso mesmo, eu acredito que fazer um filho, ou mesmo criá-lo, não te faz um bom pai/mãe. Há muito mais envolvido no processo. E muita gente nunca deveria ter filho. Por enquanto, uma dessas pessoas sou eu.
Estou ciente que não existe uma paternidade/maternidade perfeita. Mas um pai ou mãe tem que prover o essencial para a formação de seu filho. E eu não estou falando apenas da parte material, isso é importante. Mas tem um papel, ao meu ver, até secundário. Uma criança precisa de estabilidade e segurança emocional, um lar sem conflitos, oportunidades para crescer e ser ela mesma, uma certa liberdade e senso de responsabilidade, inclusive por si mesma, e claro, carinho, atenção e amor. E isso alguém que ainda está tentando se encontrar, que não está resolvido, que não está preparado emocional e financeiramente, não pode prover.
Na infância é que formamos nosso caráter, é que definimos, muitas vezes, como seremos por toda nossa vida. E não é justo que a gente ponha filho no mundo porque ache que é nossa obrigação - nós não estamos vivendo um período de baixa no número de humanos, pelo contrário! Eu entendo que há pessoas que sonham em ser pai/mãe, que assim o seja, mas primeiro que organize sua vida, saiba que está pronto pra esse comprometimento irrevogável. Entenda a sua responsabilidade como progenitor/progenitora. Não tenha filho porque acha que deve, você não tem obrigação com sua espécie; porque seus pais/sogros ou apenas seu companheiro/companheira deseja; pra segurar alguém ao seu lado num relacionamento - isso não funciona, e ainda tem o potencial de te fazer sozinho e com um filho pra criar, que por vezes, não terá muito contato com o pai ou mãe, ou os dois, já que se trata de um objeto de barganha e frustração; ou ainda, porque você quer um mini-me seu ou de seu parceiro ou parceira: uma criança é outro ser, e por mais que você se esforce pra educá-lo à sua maneira, ele vai ter os próprios princípios - é assim que o mundo avança, por sinal. Pense em quando estava crescendo, e em como você mesmo é diferente de seus pais.
Em oportunidades anteriores, conversando com conhecidos e amigos, a gente sempre passa por momentos "curiosos" falando sobre o assunto. Tem a parte de ter um filho ser uma coisa sagrada na vida de um casal, o que não nos toca, já que ambos não somos religiosos. Uns olhares tortos, e uma frases do tipo: Ah, vocês ainda vão mudar esse pensamento depois. E a gente fica sem ter argumentos. É claro que a gente pode mudar de ideia depois quanto a querer, o fato é que depois de ter um filho, é que você não pode voltar atrás. Esse é nosso pensamento atual, é óbvio, e como tudo no universo, pode não ser definitivo. A situação que consideramos mais engraçada é quando o casal (ou indivíduo) está reclamando da vida de pai/mãe, do trabalho que dá, de como sua vida nunca mais será tranquila, da responsabilidade, falta de liberdade, daí quando a gente diz que não quer ter filho, o discurso vira outro e aí a pessoa diz que a gente precisa ter filho, porque é bom também, é a alegria da pessoa, é alguém pra cuidar de você quando velho. Que ao nosso ver, é o motivo mais desonesto para se ter um filho. Se você pensa assim, invista algum dinheiro a longo prazo ou faça uma poupança. Dá menos gasto, não irá te decepcionar e é certo de que vai lhe servir em sua velhice (quem sabe você possa pagar uma casa de repouso). Nem todo mundo tem cabeça pra cuidar dos pais quando esses envelhecem, eu sei que é triste, mas é fato. Não é garantia que seu filho ou filha vá querer isso. E não é justo pra ele ou ela, que em sua vida adulta tenha que desistir de sonhos e oportunidades pra cuidar dos pais. É drama demais!
Por fim, isso aqui são devaneios incompletos sobre o que significa pra mim ser mãe ou pai. O que representa ser o cuidador/cuidadora de uma criança. E como você não precisa ser pai ou mãe pra ter uma vida completa.
Tenha filhos, mas apenas se perceber o peso disso, e mesmo assim esteja disposto a arcar com todos os contras. Como tudo nessa vida, é uma decisão que deve ser muito bem pensada. E por enquanto, eu estou do lado dos que não desejam ser pais. Eu ainda quero aproveitar a vida de casal ao lado do Edson, e ser a cuidadora de muitos seres, mas todos bem mais simples que um ser humano.
P.S.: O título desse texto vem de uma música dos Titãs, composta por Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Marcelo Frommer chamada "Comida". E sua letra ilustra bem o que falo sobre o material ser o básico, mas que outros aspectos entram no que é essencial em nossa formação.
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Pronta para me amar mais
Recentemente decidi olhar para dentro, e me vendo, percebi que muitas definições que tinha sobre mim não são certas, ou justas. E outras são simples delírios de uma mente tomada por visões de grandiosidade de si mesma.
Quando estou mal, o que é a maior parte do tempo de minha vida, mesmo quando respondo entusiasmada que estou ótima, me vejo como um grande erro, que sou uma pessoa má, que eu poderia fazer mais por mim mesma, mas principalmente, pelas pessoas que amo, e até pelas pessoas com quem acho que deveria me importar mais. Eu não sou o suficiente, eu não sou o que preciso, ou precisam que eu seja, basicamente, que sou um erro que nunca deveria ter existido. Eu me isolo, me encolho, fico ressentida com tudo o que me dizem, e acho que todo comentário é uma indireta pra mim. Muitas vezes eu sinto que já deu, já vivi mais do que deveria, não tenho vontade de fazer absolutamente nada, mesmo as coisas mais básicas. E isso tudo, sem nada na minha vida justificar esses sentimentos tão intensos e ruins. Eu posso dizer a você que, agora, minha vida só poderia ser melhor, se assim eu a fizesse. E nessas vezes que minto que estou bem, é porque depois de muito reclamar do acaso, e das pessoas ao meu redor, notei que eu é que tenho a chave da minha própria felicidade, eu sou a responsável por ela, mais ninguém. E me faz bem não culpar ninguém, não me lamentar, não arrastar outras pessoas comigo.
Essa parte é embaraçosa, mas vamos lá: quando estou bem, sinto que sou capaz de tudo, sinto que sou mega inteligente, habilidosa, super criativa, sexy e bonita (hilária inclusive). E me pergunto como é que eu me afogo em tanto sentimento ruim, e tanta tarefa acumulada, se é tão "simples e fácil" ficar bem. Nesses momentos que penso em como ser a pessoa que esperam que eu seja, funcional, tendo um trabalho que me traga algum dinheiro e satisfação, em como me manter organizada, em como ter minha casa sempre limpa, em como ser o pilar da minha família, em como ajudar todo mundo, inclusive minha comunidade. Daí eu tenho milhares de "ideias brilhantes", faço mil planos, me convenço de que tudo é simples e que eu não preciso de ajuda, porque eu posso fazer tudo sozinha, certamente. Nunca acontece tudo ao mesmo tempo, ou eu me organizo e organizo a casa, ou eu faço planos mirabolantes, que nunca nem chegam a serem completamente pensados, e promessas que eu sei que não há chance alguma de serem cumpridas. É quando tomo decisões por impulso também, ou falo coisas das quais me envergonho e me arrependo depois.
Imagino quão complicado é para as pessoas que convivem comigo, que não são muitas, por sinal, me verem oscilar entre uma pessoa amável, amiga, acessível e capaz ou que é completamente crítica de todo mundo e dá sermões e conselhos não solicitados, pra alguém que não tem ânimo pra sair da cama ou sofá, que se odeia, e que não consegue manter compromissos, tem medo de fazer qualquer coisa, ou odeia tudo, alguém que está estagnado, que não consegue viver!
E pra quem pode estar pensando em "ah, o que você precisa é de Deus", ou "isso é frescura, mimimi", cara eu queria que você estivesse cem porcento certo! Eu não me importo de estar errada, quando eu estar errada, é a solução. Mas, eu cheguei aqui, nesse nível de esclarecimento sobre mim mesma, o que é só o começo por sinal, nunca parando de me questionar, e me angustiar com a falta de respostas para tanta coisa importante. E principalmente, vencendo o medo de fazer as perguntas que mais receio as respostas.
Agora eu acredito que estou mais perto de entender o que me faz eu. O porque do meu desejo de ser melhor não é o suficiente pra me mover, e é a mesma coisa que me faz sentir como lixo. E estou mais do que pronta para receber ajuda e tentar saber quem sou eu fora desses extremos, e me amar por completo, e funcionar com uma célula normal nesse organismo que somos nós humanos vivendo em sociedade. E ter um papel positivo para as pessoas que posso tocar.
Eu ainda não fui diagnosticada, sendo que ainda não marquei nenhuma consulta. Estou obtendo informações, coletando dados, evidências e fazendo uma reflexão profunda sobre mim e meu comportamento durante toda minha vida (e sim, isso tudo ainda pode ser uma desculpa para não ter feito algo necessário por inúmeras razões, dinheiro sendo a principal. Já falei que sou mão de vaca pra gastar dinheiro comigo?). Por isso não vou dizer o que acho que eu devo ter. Mas se você se identificou com algumas coisas que leu aqui, nós podemos ser irmãs ou irmãos de um certo transtorno, e eu pretendo compartilhar minhas descobertas, e falar sobre saúde mental sempre. Meu intuito é desmistificar transtornos mentais e auxiliar pessoas que precisam, a buscar a ajuda necessária. E sim, pra isso é necessário falar sobre minha vida, minhas experiências, meu defeitos e angústias. Por isso, eu não escrevo para você que se sente uma pessoa "normal", e que acha tudo que eu escrevi absurdo e sem sentido. Por você eu só posso ficar feliz. Mas, para as outras pessoas, as pessoas que não se encontraram ainda, e as que sentem que nunca irão. Pega aqui a minha mão, e vamos em frente! ;*
terça-feira, 2 de outubro de 2018
No caminho.
Estava aqui pensando como já fui ignorante, no sentido de falta de conhecimento mesmo. Como me importei com pré-conceitos e preconceitos que me foram passados por osmose pela minha família, escola, religião (eu fui católica até meus quinze anos)... E o quanto fui infeliz por isso. O quanto, enquanto sob o domínio disso, eu era rasa, diria até vazia mesmo. Privando-me de conhecer outras pessoas, outras culturas, de me conhecer principalmente.
Tem sido um longo caminho, e nos momentos de clareza, como este, eu noto o quanto de conhecimento conquistei até aqui. E eu sei que eu tenho tanto mais para melhorar e crescer, quanto eu melhorei e cresci até agora.
E claro que eu não vim aqui me vangloriar de quão melhor pessoa eu sou por isso ou por aquilo. Venho mesmo sugerir que mantenha sua mente aberta. Não pense que sabe tudo sobre a pessoa ou assunto, a ponto de poder fazer juízo e emitir qualquer opinião. Nada é tão simples! E mais conhecimento sobre um assunto, certamente não vai doer, nem em você, e muito menos na próxima pessoa que você possa ofender com a sua "opinião" baseada em pensamentos que não foram elaborados por você, mas sim, quase que certamente, induzidos ou simplesmente passados como um vírus ou doença genética.
Da próxima vez que estiver pronto pra expelir palavras agressivas, tente entender de onde vem essa raiva, e qual a importância do que você acha sobre alguém ou algo. Você vai se decepcionar, muito provavelmente. E mesmo que seus pensamentos não importem pro ouvinte, a forma que você os entrega, ou seja, suas palavras, podem machucar.
Tem sido um longo caminho, e nos momentos de clareza, como este, eu noto o quanto de conhecimento conquistei até aqui. E eu sei que eu tenho tanto mais para melhorar e crescer, quanto eu melhorei e cresci até agora.
E claro que eu não vim aqui me vangloriar de quão melhor pessoa eu sou por isso ou por aquilo. Venho mesmo sugerir que mantenha sua mente aberta. Não pense que sabe tudo sobre a pessoa ou assunto, a ponto de poder fazer juízo e emitir qualquer opinião. Nada é tão simples! E mais conhecimento sobre um assunto, certamente não vai doer, nem em você, e muito menos na próxima pessoa que você possa ofender com a sua "opinião" baseada em pensamentos que não foram elaborados por você, mas sim, quase que certamente, induzidos ou simplesmente passados como um vírus ou doença genética.
Da próxima vez que estiver pronto pra expelir palavras agressivas, tente entender de onde vem essa raiva, e qual a importância do que você acha sobre alguém ou algo. Você vai se decepcionar, muito provavelmente. E mesmo que seus pensamentos não importem pro ouvinte, a forma que você os entrega, ou seja, suas palavras, podem machucar.
quinta-feira, 27 de setembro de 2018
Vamos falar sobre saúde mental novamente?
Dentre muitas características da minha personalidade, uma eu não consigo classificar como defeito ou qualidade. Eu gosto de resolver meus próprios problemas sozinha. Talvez em áreas mais práticas da minha vida, isso tenha sido bastante útil. Acho que até descobri novas habilidades por conta disso. Mas quando se trata da minha saúde mental, quando experimento coisas novas para me colocar num estado melhor, eu até percebo uma melhora visível, só pra depois voltar para um estado similar ao que me encontrava antes.
Como já mencionei aqui, me reaproximar da minha família, e de outras pessoas que em algum momento foram importantes pra mim, mesmo que de forma tímida e as vezes completamente virtual, me deixou sentindo que esse é o caminho. Tentar aceitar que todo mundo tem defeitos, inclusive eu, e tá tudo bem também. Começar finalmente a fazer coisas que sempre quis fazer, e parar de dar mil desculpas pra não ter começado antes... Nossa, me deixou nas nuvens!
Como fazer uns canteirinhos com o Edson e Mateus e plantar umas coisinhas. Finalmente costurar uma peça que não era pra mim, e fazer alguém feliz com isso. Eu fiquei extasiada por um tempo com esses feitos. É o que me movia a acordar todos os dias. Dar comida e água pros bichos e regar e cuidar dos canteiros. Ter um dia na semana dedicado a ver, ouvir e cuidar de minha irmã e vó, foi uma coisa que eu pensei: poxa, por que não fiz isso antes?! E as coisas na minha vida só poderiam estar melhor, se assim eu desejasse. Eu até comecei um curso de corte e costura, coisa que queria desde que me entendo por gente... Mas, em algum momento, tudo começou a desandar novamente dentro de mim. E eu percebi que não adianta, eu não vou melhorar sozinha... Tudo isso me fez bem, claro. Mas por si só, não conta como "tratamento".
Bem recentemente (tipo hoje, enquanto cuidava dos bichos), admiti que meu problema pode ser um pouco mais grave do que eu imaginei a minha vida toda. E é difícil pra mim, fazer alguma coisa a respeito. Agir de forma ativa para tentar sanar isso. Todos os sentimentos de auto dúvida, sobre se vale a pena gastar dinheiro comigo mesma, e outros sentimentos negativos, os quais não vale nem a pena mencionar. Sim, eu não gosto de gastar dinheiro, quem dirá gastar comigo mesma. Talvez daí se origine todo esse espírito de "faça você mesma" que eu tenho.
Mas eu sei que uma hora a gente passa do ponto de respirar fundo, reconhecer que talvez só um profissional seja capaz de lidar com aquele problema. E finalmente pedir ajuda. É isso, eu espero muito em breve começar a fazer terapia.
Eu quero que você note que, nada disso aconteceu da noite pro dia. Eu estou num processo longo de auto descoberta e auto aceitação. Admitir meus defeitos e problemas (inclusive os de ordem mental) é essencial para me encontrar, me amar de verdade... E não apenas nos momentos em que estou me sentindo bem.
Há muito mais coisas pras quais não tenho resposta ainda, e provavelmente nunca terei. Mas agora que a busca começou, eu não consigo parar! Desejem-me boa sorte. E, se alguém ler isso aqui, dentro em breve eu pretendo escrever um texto sobre como a gente pode ter depressão e outros transtornos de ordem mental, sem que nada justifique bem isso na nossa vida atual. Pois é exatamente isso que acontece comigo.
Caso eu tenha algum leitor que não seja um bot, obrigada por ler até aqui. Ah, e se você precisa de ajuda, com qualquer coisa, eu posso ao menos escutá-lo. Até mais!
P.S.: A quem possa pensar que eu estou me expondo demais escrevendo sobre minha vida e saúde mental na internet. Eu não faço isso por piedade, nem algo do tipo. Eu faço isso por dois motivos: um é que escrever me ajuda a colocar os pensamentos em ordem, entender o que realmente estou sentindo. E o principal, é que em vários momentos, eu li textos, vi vídeos, ou qualquer peça de arte e afins de pessoas com problemas, que compartilham isso, pra que um dia seja algo de que possamos falar abertamente. E não um tabú, que leva tanta gente ainda hoje, a morrer em silêncio. E com isso eu só quero aumentar esse movimento. Mostrar que quando nos mostramos vulneráveis, é que somos mais fortes!
Como já mencionei aqui, me reaproximar da minha família, e de outras pessoas que em algum momento foram importantes pra mim, mesmo que de forma tímida e as vezes completamente virtual, me deixou sentindo que esse é o caminho. Tentar aceitar que todo mundo tem defeitos, inclusive eu, e tá tudo bem também. Começar finalmente a fazer coisas que sempre quis fazer, e parar de dar mil desculpas pra não ter começado antes... Nossa, me deixou nas nuvens!
Como fazer uns canteirinhos com o Edson e Mateus e plantar umas coisinhas. Finalmente costurar uma peça que não era pra mim, e fazer alguém feliz com isso. Eu fiquei extasiada por um tempo com esses feitos. É o que me movia a acordar todos os dias. Dar comida e água pros bichos e regar e cuidar dos canteiros. Ter um dia na semana dedicado a ver, ouvir e cuidar de minha irmã e vó, foi uma coisa que eu pensei: poxa, por que não fiz isso antes?! E as coisas na minha vida só poderiam estar melhor, se assim eu desejasse. Eu até comecei um curso de corte e costura, coisa que queria desde que me entendo por gente... Mas, em algum momento, tudo começou a desandar novamente dentro de mim. E eu percebi que não adianta, eu não vou melhorar sozinha... Tudo isso me fez bem, claro. Mas por si só, não conta como "tratamento".
Bem recentemente (tipo hoje, enquanto cuidava dos bichos), admiti que meu problema pode ser um pouco mais grave do que eu imaginei a minha vida toda. E é difícil pra mim, fazer alguma coisa a respeito. Agir de forma ativa para tentar sanar isso. Todos os sentimentos de auto dúvida, sobre se vale a pena gastar dinheiro comigo mesma, e outros sentimentos negativos, os quais não vale nem a pena mencionar. Sim, eu não gosto de gastar dinheiro, quem dirá gastar comigo mesma. Talvez daí se origine todo esse espírito de "faça você mesma" que eu tenho.
Mas eu sei que uma hora a gente passa do ponto de respirar fundo, reconhecer que talvez só um profissional seja capaz de lidar com aquele problema. E finalmente pedir ajuda. É isso, eu espero muito em breve começar a fazer terapia.
Eu quero que você note que, nada disso aconteceu da noite pro dia. Eu estou num processo longo de auto descoberta e auto aceitação. Admitir meus defeitos e problemas (inclusive os de ordem mental) é essencial para me encontrar, me amar de verdade... E não apenas nos momentos em que estou me sentindo bem.
Há muito mais coisas pras quais não tenho resposta ainda, e provavelmente nunca terei. Mas agora que a busca começou, eu não consigo parar! Desejem-me boa sorte. E, se alguém ler isso aqui, dentro em breve eu pretendo escrever um texto sobre como a gente pode ter depressão e outros transtornos de ordem mental, sem que nada justifique bem isso na nossa vida atual. Pois é exatamente isso que acontece comigo.
Caso eu tenha algum leitor que não seja um bot, obrigada por ler até aqui. Ah, e se você precisa de ajuda, com qualquer coisa, eu posso ao menos escutá-lo. Até mais!
P.S.: A quem possa pensar que eu estou me expondo demais escrevendo sobre minha vida e saúde mental na internet. Eu não faço isso por piedade, nem algo do tipo. Eu faço isso por dois motivos: um é que escrever me ajuda a colocar os pensamentos em ordem, entender o que realmente estou sentindo. E o principal, é que em vários momentos, eu li textos, vi vídeos, ou qualquer peça de arte e afins de pessoas com problemas, que compartilham isso, pra que um dia seja algo de que possamos falar abertamente. E não um tabú, que leva tanta gente ainda hoje, a morrer em silêncio. E com isso eu só quero aumentar esse movimento. Mostrar que quando nos mostramos vulneráveis, é que somos mais fortes!
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