segunda-feira, 11 de março de 2019

Seja seu melhor melhor amigo

Hoje eu acordei me sentindo abatida, sem vontade de fazer nada, sabe? Fui fazer xixi, com a bexiga doendo de segurar por tantas horas enquanto dormia. E apesar de já ser quase hora do despertador tocar, resolvi ficar em silêncio pra não acordar o Edson, mas não voltei pra cama. Ao invés disso, peguei meu celular reserva, um velho Windowsphone de guerra, idêntico ao primeiro celular novo que possui na vida, mas que não é o meu, e sim de um amigo que foi gentil ao emprestá-lo quando precisamos. Com o celular em mãos, abri o navegador e acessei o YouTube. Um vídeo aleatório de coisas zero waste (posso traduzir de forma grosseira para "zero lixo", mas não é um bom nome pro movimento, pois é quase virtualmente impossível não gerar lixo algum) que uma garota randômica achava que não fazia sentido gastar dinheiro com. E usar o YouTube pra fugir de minhas tarefas foi tudo o que fiz pelo resto do dia. A única pausa que tirei, até Edson chegar tardiamente do trabalho, foi para colocar água pra todos os bichos. Essa maratona de vídeos que foram basicamente besteirol atrás de besteirol, e me acompanharam durante meus afazeres mundanos, como cozinhar e comer... culminou nos vídeos de uma moça americana falando em como sobreviver aos 20s, e já era noite.

Eu, que já tenho mais de trinta, me vi impelida - provavelmente por conta da foto na miniatura, dessa garota com olhos estranhamente enormes e lindos - não correspondente a realidade, inclusive - a clicar "só mais essa vez", e assim assisti um vídeo de mais de vinte minutos dela falando sobre problemas bem reais pra mim, nos meus trinta e um anos. E provavelmente, reais pra você que está me lendo também. Essa garota maravilhosa, que provavelmente tem vinte e poucos, e mora nos Estados Unidos, parece comigo, por quê? Será que todos sofremos das mesmas aflições nesse mundo contemporâneo? Hummm! Daí lembrei que tinha prometido publicar um texto aqui como segunda parte da ideia que eu estava desenvolvendo da última vez que postei. Seria algo que trataria basicamente do que ela falava. Mas de quando escrevi aquele texto para agora, eu já tenho novas ideias de como lidar com esse "problema", ou melhor: conjunto de problemas.

Primeiro, seja seu melhor melhor amigo, isso mesmo! Se você tem um (ou mais de um) melhor amigo você vai entender o que quero dizer. Seu melhor amigo vai te falar sempre a verdade, mas não vai te bater com ela. Vai querer sempre o melhor pra você, e celebrar quando você conseguir realizar o que queira. Não vai te deixar, por exemplo, desperdiçar seu dia, como fiz hoje. Tenho tentado ser essa pessoa pra mim, mas há dias em que eu vou falhar, como hoje, e tá tudo bem também. A gente não consegue ser o melhor que pode todos os dias. O que a gente não deve é se conformar com isso.

Eu tenho lido bastantes livros sobre self-improvement (desenvolvimento pessoal), vários de psicologia da força de vontade, procrastinação, hábitos, e até alguns de auto-ajuda, que são ruins, como livro, mas que deu pra pescar alguma coisa de boa. Como essa ideia de "seja seu melhor amigo" que vem de um livro de um cirurgião estético que morreu nos anos 70s. Apesar dos estudos citados nos livros de divulgação científica, serem quase sempre os mesmos, a perspectiva dos livros sobre os mesmos estudos, é diferente pra cada um. Agora eu estou, teoricamente, munida de estratégias para manejar certos hábitos ruins, na criação de novos, assim domando a procrastinação e finalmente fazendo o que descobri que é minha meta: ser uma pessoa melhor e fazer o meu melhor para as pessoas que amo e o meio onde vivo.

Então, o que exatamente faz com que eu passe um dia inteiro desperdiçando meu tempo?! Logo tempo, que é o recurso mais escasso que seres como nós, humanos, temos? Não me falta vontade, mas sobram hábitos ruins. E agora eu sei que não é porque eu não quero. Mas dificilmente eu conseguirei me livrar de todos, ou da maioria deles, porque é difícil mesmo. Pense em maus hábitos, como procrastinar, por exemplo, como um vício. E é um vício! Você tem o sistema de três partes: gatilho, ação e recompensa. Pense nas vezes que você precisou fazer algo, como um trabalho de escola, você ignorou isso para, sei lá, ver seu youtuber favorito, assistir stories e mais stories de pessoas que segue no Instagram, ou ficar na aba de "descobertas" desse aplicativo. Isso dá prazer, claramente, mas é vazio. Você não está realizando nada, só fugindo do que precisa fazer. Esse "prazer" de deixar algo pra depois, se enganado ao pensar: agora eu não to afim, mas mais tarde eu irei - bem, esse prazer é momentâneo e falso. Vem carregado de culpa, e te deixa mais e mais infeliz, se acumula, assim como suas tarefas ignoradas. É como eu sempre digo: fazer a coisa certa, é sempre o mais difícil!

Então, notando que eu não conseguirei me forçar a nada. Vou tentar uma estratégia que parece funcionar muito bem, que é: encontre um parceiro. Uma pessoa que possa te cobrar suas resoluções, e que ela mesma esteja vivendo situação semelhante, e também esteja nesse processo de desenvolvimento pessoal (no meu caso). Mas pode ser qualquer coisa, como alguém pra ser seu companheiro(a) de corrida, de academia, de leitura de livros, de alimentação saudável... E se você tiver a oportunidade de fazer isso em grupo, ainda melhor! O fato é que é muito fácil quebrar promessas feitas a si mesmo, mas é mais difícil quando tem outra(s) pessoas esperando algo de você, te apoiando, e precisando também do seu apoio.

Então, vamos lá para o que é necessário:
  •  Um companheiro(a) ou grupo de pessoas que estejam na mesma vibe (basicamente pessoas com ideias e desejos similares aos seus);
  • Metas claras. Anote-as. De preferência algo realista, e com prazo - realista também, por favor!
  • Plano de ação. E quanto mais detalhado melhor. Quebre seu objetivo em várias etapas, e antecipe qualquer intervenção que possa acontecer no caminho. Tenha planos backup (reserva) para esses imprevistos. Anote tudo! Seja no papel, no celular, num arquivo do Word, mas anote;
  • Por fim, foco! Não seja ambicioso, se você tentar mudar tudo ao mesmo tempo, o que vai acontecer é que vai ficar muito mais fácil cansar disso muito rápido e chutar o balde. Se vai mudar alguma coisa em sua vida, comece pequeno e mantenha-se concentrado em fazer aquilo se realizar. O que a ciência descobriu é que, em geral, a criação de um bom hábito, como se exercitar ou controlar as finanças (um ou outro por vez, ok?), tem o poder de reverberar pra todas as áreas de sua vida, de forma natural. Não é lindo?!
Se você quiser fazer sua própria pesquisa, o que recomendo fortemente. Afinal é sempre bom procurar melhorar a si mesmo. Os livros que li, ou estou lendo sobre o assunto são:

  • Força de Vontade - Roy Baumeister e John Tierney;
  • O poder do hábito - Charles Duhigg (ainda não terminei, mas é um ótimo livro); 
  • Solving The Procrastination Puzzle Audiobook - Timothy A. Pychyl (infelizmente não tem versão em português, até onde sei. Mas é muito bom e curtinho);

E os de auto-ajuda que tentei ler, mas não rolou pra mim. Mas talvez seja mais a sua praia:


  • O milagre da manhã, de Hal Elrod;
  • Como Vencer os Sentimentos Negativos - Maxwell Maltz (esse é dos anos 60s); 
Além de claro, inúmeros vídeos, artigos e matérias na internet que falam a respeito desses assuntos. Escolha o que mais te convém, e seja feliz!

O vídeo que me fez publicar esse texto:

https://www.youtube.com/watch?v=tWHVqFKC5og

Recomendo também o canal da Jout Jout Prazer, muito bom! 

https://www.youtube.com/user/joutjoutprazer




 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O ser humano em suspensão

Partindo do princípio de que não há verdade absoluta sob esse céu, eu estou aqui pra partilhar minhas recentes descobertas na área de autoconhecimento, e no entendimento do nosso papel no mundo, ou seja, do que é afinal ser humano. Digo de antemão que é só um arranhãozinho na superfície de algo muito profundo, e que ainda que eu vivesse mil anos estudando incessantemente, mesmo assim, não arriscaria dizer que finalmente conheço tudo a respeito desse assunto, ou mesmo que o que descobri é a verdade.

Até bem pouco tempo, como devem saber os que não estão me lendo pela primeira vez, ou os que me conhecem, eu me mantinha isolada do mundo, numa posição confortável de evitar até mesmo as redes sociais. Não me arrependo desse hiato de presença virtual, pois esse tempo longe das mídias sociais foi bastante importante para uma melhor perspectiva a respeito do que a internet, e os meios pelos quais interagimos dentro dela, significam. Me sentir uma outsider (alguém de fora) nessa conjuntura, me ajuda, por vezes, a ter uma visão mais prática e realista dessas ferramentas. Menos glamourosa ou demonizada.

Agora, já há um tempo usando, confesso que até abusando de tempos em tempos, desses meios de interação, até devido a resistência de me comunicar com as pessoas no mundo real. Noto nos outros o que pensava era farto em mim, e que era um defeito meu, o que me fazia completamente infeliz e sem esperança de um futuro mais otimista no horizonte. Boa parte de nós (ao menos na minha constatação, que pode estar enviesada, pode ser contaminada pelas bolhas sociais e/ou pela necessidade de me ver nos outros) sente um vazio. Muitos não sabemos o que realmente queremos na vida, e da vida. Quase todo mundo fantasia com fugas para uma existência completamente diferente da sua. Uma escapatória aos doces vícios aos quais nos habituamos, e que parece, não nos deixarão mais em paz. Estaríamos doentes como indivíduos ou como seres sociais?

Nos ocupamos admirando (podemos ler também: invejando) recortes de vidas, que estão perfeitamente emoldurados para nosso entretenimento, com intuitos muitas vezes escusos. Amamos ou odiamos pessoas baseados no que essas pessoas deixam que vejamos delas. Por isso tanta decepção, e pior, tanta amenização de questões problemáticas, dependendo de se quem está no holofote é uma celebridade ou algum fulano da vida. Nos preocupamos em estar sempre certos sobre questões atuais, e defendemos nossos pontos com unhas e dentes em detrimento de qualquer respeito ao direito do próximo de discordar da gente. E fazemos questão de não ouví-lo, gritando cada vez mais alto, e mostrando nossa 'superior capacidade de raciocínio lógico e retórica'. Assim, afastando qualquer possibilidade de entender o ponto do outro, e de conseguir ser ouvido. Já que o maior ponto de conflito têm sido a política (partidária ou não), falo para aqueles que não sabem ou esqueceram: política não consiste em vencer e impor sua vontade ao outro, e sim negociar e chegar a um meio-termo, comprometendo o desejo dos dois (ou mais) lados envolvidos nessa negociação. Compromisso, nesse caso, significa que todas as partes envolvidas sairão sem estar completamente satisfeitos, mas ninguém deixará de ser ouvido e atendido em algo do qual não abre mão. Então, o que você não abre mão? E o quanto isso é importante pra você a ponto de te afastar de alguém querido? Se sua resposta for movida por paixão, ou ódio, há de ter cuidado para não estar escolhendo lado errado, e ainda mais desagradável, as batalhas erradas.

Toda essa ocupação mental nos deixa exaustos. Por milhares de anos, os humanos viveram uma vida muito pacata. Mesmo as pessoas mais influentes e famosas, não conheciam mais de algumas dezenas de pessoas em sua existência. Não tinham tantos eventos acontecendo na sua vida, e no mundo (do qual tinham conhecimento) ao seu redor. Se ocupavam em cuidar, além de si, das pessoas que amavam, e do lugar onde viviam. Eu tenho trinta e um anos, e parte da minha vida foi assim. Mas a internet ampliou nossos horizontes, expandiu nossas possibilidades, de uma forma sem precedentes, e em questão de poucos anos. E isso é especialmente verdade num país como o Brasil, que o acesso a internet e aparelhos como smartphones, se tornou algo comum e mais facilitado recentemente. Nada disso é necessariamente ruim, dependendo do que fazemos com isso, e de como nos colocamos perante a esse infinito de informações e cenários possíveis de interação. Mas, toda mudança muito drástica do modo de viver, individual ou coletivo, como nesse caso, sem que tenhamos sido preparados para isso, pode ser muito danoso. As regras, costumes e etiquetas desse novo universo ainda estão sendo criadas, testadas, quebradas, e em tempo real. Algo inerente à sua própria natureza, camaleônica e subversiva. Aos poucos nos damos conta de que o mundo virtual é uma extensão desse, e não está à parte dele, portanto deve obedecer às mesmas regras éticas. Mas é esse viver tão acelerado, onde temos que estar prontos para emitir opinião instantânea, ou à ação imediata, sem parar pra investigar, meditar, digerir... Isso faz com que tenhamos a impressão que não temos tempo para nada. Quando perdemos tanto tempo com questões banais e desnecessárias, nos impedindo de olhar pra dentro, e de perceber o impacto que nossas vidas geram em outras vidas. Como nosso modo de viver determina o presente e futuro das pessoas que amamos e afeta o lugar em que vivemos.

A boa notícia, é que nós podemos ter um bom convívio com as pessoas, inclusive por meio da internet, e de forma utilitária, não vazia. Ao mesmo tempo que não precisamos nos orientar pela bússola do próximo. Ou seja, não precisamos ser tão rico, tão bonito, tão viajado, tão feliz, quanto o outro, nosso modelo, nos parece. Não há perfeição! E você não deveria estar lendo essa afirmação aqui para entender isso, é senso comum. Então por que continuar infeliz procurando por isso?
Busque o que é especial pra você, o que dá sentido a sua existência. Mas que nunca seja para agradar a terceiros. Que seja para que você sinta orgulho de si, mesmo que ninguém, além de você, saiba o que é, e conheça suas realizações. Essa motivação é a real! Sem barganhar por atenção. Sem se medir pela régua de outras pessoas, pois cada um tem a sua.

Por fim, maus hábitos são extremamente difíceis de serem combatidos, eu sei. Luto todos os dias contra os meus, perdendo miseravelmente quase sem notar. Por isso, penso que a estratégia mais válida, é introduzir bons hábitos, talvez até opostos aos seus maus hábitos, em sua rotina. Algo que acrescente à sua vida, ou de seus entes queridos, da sua comunidade. Se doe um pouco ou defenda algo em que acredita. Mas de forma a inspirar amor e esperança, nunca ódio e medo. Se para defender algo você precisa gerar ódio ou medo nas pessoas, ou a causa não é justa, ou você está fazendo do jeito errado.

*Esse texto será dividido em duas partes. Aqui apresento como que uma lista de sintomas num esboço rápido do que estamos vivenciando, além de formas de conviver com esses sintomas. E no próximo, pretendo investigar como chegamos a esse ponto, e o que podemos fazer para reverter esse quadro, e uma olhadinha na minha experiência e planos para melhorar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Escolhas

Recentemente eu assisti uma entrevista do autor de "Me Chame Pelo seu Nome", o italiano Aciman André, e como provavelmente muita gente, fiquei surpresa que o autor se declare hétero, inclusive com mulher e filhos para "comprovar" o afirmado. Uma de suas falas durante a entrevista conduzida pelo Pedro HMC do canal "Põe na Roda" (do qual sou fã) me foi bastante problemática. Ele dizia que depois de duas vodkas todo mundo era bissexual. Quando comentei no vídeo, incomodada pelo dito, eu só falei que as pessoas não deveriam ser levadas a beber só porque alguém quer que elas "se liberem sexualmente", isso havia me soado muito como estupro de vulnerável, já que uma pessoa embriagada não tem discernimento suficiente para responder a investidas sexuais. Não lembro se mais de uma, ou apenas uma pessoa veio me educar a respeito do que ele "realmente quis dizer", e eu levei em consideração o argumento da moça. Continuei pensando a respeito, e hoje cheguei a conclusão que meu desconforto com a frase não é apenas, como se não fosse o suficiente, pela insinuação de estupro, mas algo ainda mais problemático. Mais uma vez, invisibilização das sexualidades não monossexistas (como a heterossexualidade e a homossexualidade exclusivss). Bissexuais, pansexuais ou polissexuais, como quiser, não se sentem atraídos por apenas um gênero, mas pelo próprio, e por pelo menos um outro. Mas isso parece ser ignorado pelas demais pessoas, e esse é o problema. Dizer que "todo mundo é bissexual", mesmo que bêbado, é dizer que nossa sexualidade não é válida. E mais, é tratar nossa sexualidade como promíscua. Nós seríamos abertamente promíscuos, nada mais. É também limitar nossas relações à motivações meramente de cunho carnal, e não é esse o caso em absoluto. Por isso essa frase tinha me incomodado profundamente, são camadas de problematizações escondidos em uma "piada" que a primeira vista pode até soar inocente, mas não é. E me fez lembrar uma coisa que aconteceu comigo há muitos anos. Uma pessoa amiga, e que à época se declarava apaixonada por mim, talvez pela confusão de seus próprios sentimentos, disse que eu era "safada" e não LGBT. E pasmem, essa pessoa falou isso não pra me machucar, de forma alguma. Ela achava que isso aliviava o peso do que eu era. Projetando em mim, o que talvez ela estivesse pensando de si mesma frente aos seus próprios sentimentos e desejos dirigidos a alguém do mesmo sexo. Eu não fiquei brava com ela, e tinha até esquecido desse evento, mas tudo voltou à tona pensando sobre a fala do Aciman nessa entrevista.
Não venho condená-lo por ter dito isso. Não estou querendo colocar ninguém na fogueira, pelo contrário. Como até respondi pra moça que tentou interpretar para mim o que ele queria dizer com isso, ele conhece muito mais gente que eu, e tem muito mais tempo de vida. Ou seja, a realidade dele é totalmente diferente da minha. E as experiências de vida dele podem tê-lo ensinado justamente esse conceito. No final das contas, a gente aprende com o que vive, ou com o que vê. Só estou dizendo, não se limitem a isso. E não invalidem outras vivências! Por ser um espectro (observável em escala, por assim dizer), há pessoas em todas as variáveis de sexualidade, inclusive os fora desse espectro, como é o caso dos assexuados (pessoas que não sentem atração sexual). Sendo assim, claro que vai ter gente nos extremos, no meio e em todas as escalas, inclusive fora! Essa é a beleza da diversidade, e de sermos tão maravilhosamente diferentes uns dos outros, sem que isso seja, ou mesmo precise ser, um problema na vida de ninguém. E por fim, tratar desse assunto como se fosse só uma questão sexual é um erro inadmissível. Todas as pessoas se relacionam afetivamente, não só sexualmente. Tocar só nesse ponto, faz com que continue se concretizando na cabeça, principalmente dos heterossexuais, que a gente não ama, a gente só faz sexo, e só quer sexo. E também, que se não fosse por nossa "safadeza" nós conseguiríamos muito bem, ter relacionamentos "normais", entre opostos apenas. Vê como isso é problemático?! Não continuem endossando falas assim, só porque gostam da pessoa que a profere. Não é militância se a gente escolhe quando ficar ofendido, e quem pode ou não dizer certa coisa a nosso respeito.

P.s¹.: Não leiam essa parte se ainda não viram o filme ou leram o livro, e pretendem fazê-lo. A verdade é que eu ainda não vi o filme, ou li o livro, mas peguei spoilers nos comentários da entrevista. E não me pareceu promissor pra visibilização LGBTQ, já que a história se trata de um "caso de verão", entre um rapaz jovem e um homem mais velho. Que parece focado na parte sexual da história, que tem um final que não é feliz para o casal (assim soube). Não tenho NADA contra isso, de tratar a sexualidade humana em uma peça. Mas para se redimir, e não soar que está só surfando na onda do pink money (exploração do poder de consumo de pessoas LGBTQ), e da polêmica, é bom que suas próximas histórias com personagens desse universo, tratem também de mais aspectos de um relacionamento, não só o desejo, mas o afeto, sejam mais profundos, e mais duradouros do que uma temporada. Assim ele pode se redimir aos meus olhos, não que isso seja importante pra ninguém.

P.s.²: Eu comentei tudo isso com o Edson, e ele me convenceu que não valia a pena escrever mais um comentário no vídeo para falar sobre isso, porque eu poderia atrair muitos defensores do autor, o que era sem sentido, nesse caso. Então decidi fazer essa publicação, ao invés disso, e fico grata por isso. Me fez desenvolver melhor meu pensamento, escrever sobre, com certa calma de não ofender ninguém, ou atrair ódio para mim, o autor ou o dono do canal, o que não é minha intenção de forma alguma. E me fez cumprir uma promessa que tinha feito. A de escrever mais publicações com a temática do vale.

Adendo: retirei o texto do ar por querer reconsiderar o que pensei e escrevi ainda sem ler o livro ou assistir a obra homônima. Pois bem, li o livro, e ainda tenho as mesmas considerações. Por isso restabelecendo o texto aqui.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Analogia da Borboleta

Há muitos anos atrás eu escrevi um poeminha que se chamava Pupa. Veja, à época eu tinha um fotolog ou blog (não lembro qual dos dois, pois já tive ambos) de poesias de autoria própria. Infelizmente num rompante, eu deletei blogs e arquivos com as tais poesias na esperança de romper com um passado que considerava triste e desejava esquecer. Avancemos o tempo: valeu como quase um "rito de passagem", mas hoje sinto falta de minhas criações, e daria dinheiro para tê-las todas de volta. Algumas eram até boas!

Bem, nessa época as pessoas costumavam fazer comentários pertinentes sobre o que outras publicavam. Não havia essa interação que tornou tudo automático e impessoal, o famigerado "like". Mas não houve nenhuma resposta a esse meu poeminha. Eu adorava quando as pessoas pegavam a ideia do que eu tinha escrito, ou chegavam pra mim com alguma interpretação própria. Mas nada, nenhuma interação! Quando isso acontecia, eu imaginava que ninguém tinha entendido nada, e ficava triste. Nem passava pela minha cabeça que era uma criação ruim, porque eu considerava boa.

Infelizmente não lembro bem dela, apenas da ideia geral. Como boa narcisista que sou, falava, claro, sobre mim. Eu me comparava a uma lagarta, sabe aquela fase indesejada, larva de borboleta, considerada peste? Pois bem, faminta ela devora tudo o que pode, pra ter energia ao criar o casulo e ficar lá quietinha até ressurgir como uma borboleta, mas não antes de lutar muito pra sair do casulo e assim, fortalecer suas asas, ferramentas indispensáveis a uma borboleta.

Hoje pela manhã, enquanto cuidava dos bichos eu pensava a respeito da comparação que tinha feito nesse poeminha. E de como me é ainda mais real hoje, mas estendido ao ser humano, como indivíduo. Uma reflexão a partir do meu entendimento de vida, é verdade. Mas acho válido escrever aqui. Na infância e adolescência podemos ser como uma lagarta, nossa única preocupação é o nosso próprio bem estar, por vezes nem nos passa pela cabeça o sacrifício que os nossos cuidadores, por exemplo, fazem por nós. Afinal, damos tudo por garantido como nosso direito, e acabamos sendo ingratos e até reclamando se as coisas não são do jeito que desejamos. Quando adultos é que a realidade começa a nos pegar, e muitas vezes nos vemos com a necessidade de considerar o outro além de nós mesmos. Seja por conveniência, necessidade ou amor, o fazemos. Ao precisarmos amadurecer, o caminho se volta para o interno, e tudo deve ser considerado. Pensamos o porquê, e pesamos consequências. Se obtivermos sucesso nisso, ainda nessa fase emergimos como borboletas do casulo, depois de enfrentar várias e longas batalhas internas. À época, eu jurava que era uma pupa, a borboleta em fase de casulo, mas eu ainda era uma lagarta, uma peste que só considerava suas próprias vontades e satisfações. Hoje eu me considero pupa, cada vez mais me voltando pra dentro, tentando ser melhor. Não creio que serei uma borboleta nessa vida, mas vou morrer tentando!

P.S.¹: Um apelo aos que me conhecem desde os primórdios da internet por aqui. Se qualquer um de vocês tiverem qualquer poema (ou coisa do tipo) de minha autoria, me faria uma criatura muito feliz poder lê-los novamente. Não se acanhem em me procurar. Obrigada!

P.S.²: Eu consegui lembrar de umas duas, se não me engano, e as reescrevi de memória na íntegra. Depois posso publicar aqui, se eu as achar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

É que Narciso acha feio o que não é espelho...

Por muito tempo eu só conseguia "amar" o que era idêntico (no mínimo similar) a mim. Pessoas com crenças diferentes, com gostos diferentes, eram pessoas com quem eu não desejava nenhum tipo de convívio, e não apenas isso, mas eram pessoas que eu não conseguia me abrir, ao menos para conhecer. E foi assim que eu acabei me isolando mais e mais, a ponto de não ter por perto nem as pessoas que amo. Minha desculpa é que ELAS não me entenderiam, ELAS me julgariam e não gostariam de mim. Quando na verdade era eu quem não as entendia, eu que as julgava e que não gostava de tê-las por perto.
Tudo começou a mudar quando eu notei que repetia com minha irmã o padrão de relacionamento que minha mãe tinha comigo. Não entendia porque ela era tão diferente de mim, logo ela deveria estar errada, claro! Tentava moldá-la à minha imagem, me frustrava e então me afastava. Quando o que ela mais precisava era de alguém pra apoiá-la. Como precisei da nossa mãe quando tinha a idade dela. Mas no meu caso, nessa idade, eu ainda tinha uma mãe, ela não!
Eu entendi a tempo o que se passava, e consegui recuperar um relacionamento que de outra forma, não mais existiria. E é um dos blocos na minha vontade de melhorar. E com certeza é uma das pessoas que mais amo no mundo. Eu a amo do jeitinho que ela é, e principalmente por isso. Por ela ser ela mesma, genuína, e completamente diferente de mim.
Outra história tão esdrúxula quanto essa, é que no início do relacionamento com meu esposo, eu achei que não daríamos certo porque ele gosta de música eletrônica. Vê se pode?! Nós temos um universo de similaridades, mas ele gostava de música eletrônica (que à época eu não gostava) além das músicas que eu gostava. Ridículo! E por essa eu devo agradecer a uma moça amiga de amigas minhas, com quem fui pra um show em Laranjeiras em 2011, por dar na minha cara com a realidade de quão estúpido era esse parâmetro.
O fato é que é normal que nos aproximemos mais de pessoas parecidas com a gente. Mas ao nos afastar de pessoas diferentes, estamos perdendo oportunidades. Oportunidade de conhecer coisas novas, de gostar de outras coisas, além das coisas que já conhecemos e gostamos. E perdemos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e únicas do seu próprio jeito.
E eu tenho pensado muito nisso agora, porque estou fazendo um curso de corte e costura com mulheres maravilhosas, e TODAS bem diferentes de mim. E hoje eu soube que o curso poderia ter parado por agora, e eu não as veria mais. E a realidade é que como não temos muita coisa em comum, dificilmente alguém iria querer a amizade dessa coisinha estranha que sou. E mesmo que o curso acabe hoje, ou daqui a um ou dois meses, eu vou sentir muita falta delas. Sentirei falta até de discordar delas.
E assim uma reflexão virou uma declaração à minha turma e professoras. Obrigada pelo carinho e atenção toda semana. Espero aproveitar bem o tempo com vocês. Vejo vocês segunda! ;)

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Maneiras de se convencer a agir

Há anos venho dizendo que quero ser produtiva, mais amigável, enfim, mais viva! Bem recentemente, estava desesperada, não conseguia funcionar nem para coisas básicas. A internet, que sempre foi meu ponto de apoio e aprendizado, também é o meu vórtice de procrastinação. Anos e anos gastos pesquisando, lendo, vendo vídeos e tutoriais de como fazer de um a tudo. Nunca parando pra realmente me aprofundar em FAZER alguma coisa. Ao invés disso, me contentava em ver outros fazendo. Isso não é lógico! É preciso mudar!
Sempre fui muito autocrítica, e me encarregava de me estapear metaforicamente (e as vezes até literalmente) por coisas que deveria ter feito, e coisas que não deveria ter feito. Mas, estou tentando ser mais gentil comigo mesma. Parar de me criticar tanto, e me pré-ocupar tanto do futuro. Preceitos de mindfulness (meditação) que tenho aprendido e empreendido o quanto posso em minha vida. Mas talvez eu estivesse sendo muito gentil... Os princípios de mindfulness nos dizem pra não nos punir por termos nossos pensamentos desviados enquanto tentamos meditar, e nos guiar à concentração novamente. Bem, eu só não me punia, mas continuava a alimentar pensamentos monstros e hábitos horríveis, como procrastinar, reclamar de tudo e dormir o máximo de tempo que podia. A vida é o que a gente faz dela.
Outro conceito que sempre soou um alarme dentro de mim é o de self indulgence (ou autocomplacência), que significa sempre se perdoar e se gratificar. Pois bem, dar um tapinha nas próprias costas e continuar a fazer o mesmo erro é o que me deixa mal, cansei! Isso não quer dizer que não posso me perdoar, mas que ao me perdoar, eu me corrija, exatamente como funciona na meditação.
E é basicamente isso que tenho feito nos últimos dias. Estou torcendo pra ser uma daquelas resoluções de mudança de vida, e não só eu tendo mais uma crise de hipomania.

Mas, pra quem se importa, aí vão algumas metas recém pensadas (e algumas iniciadas):

  • Fazer agroecologia (agrofloresta, permacultura) - Porque é necessário, gratificante, e é mexendo na terra, vendo as plantas e árvores crescendo, as joaninhas, e insetos que nunca vi antes, pássaros e aves que nem conhecia... É assim que eu me sinto viva e bem. É quando to sentada, agachada ou ajoelhada no chão, reverenciando a mãe natureza, com a mão na terra, que olho pro céu e sinto aquela alegria enorme de viver que dá até vontade de chorar. A alegria da conexão com a natureza. O plus disso é ter alimento sem agrotóxico. Comer mais legumes, verduras e frutas, coisas que amo! E acredite, tudo é muito mais saboroso quando a gente mesmo que plantou, colheu e preparou. Isso sim é riqueza!

  • Ter uma vida social - Eu sei, eu estou engatinhando para ter relações saudáveis com familiares, amigos e conhecidos. E eu quero ter pessoas por perto. Quero poder ajudar pessoas também. 

  • Criar um negócio - Todos esses anos, e eu nunca senti necessidade de ganhar dinheiro. Sempre me contentei com pouco, e sempre fui muito insubordinada pra ter um trabalho formal, com patrão, obediência e tarefas. Eu poderia só cuidar aqui do sítio, dos bichos e das plantas e me dar por satisfeita. Apoiar quem gera renda numa família, também é trabalho, sem sombra de dúvidas. Mas eu quero ser independente financeiramente. Não porque me sinto obrigada. Mas porque quero ter renda também. Quero fazer coisas, as quais não acho correto tirar da renda única que temos para sobreviver, mas quero ter essas experiências, e quero promover certas coisas, e aí só com dinheiro mesmo. Já até estou pensando no que fazer. Por enquanto a ideia é um zigoto, mas é mais promissora do que as que tive no passado. Não me fará rica, tem potencial de agregar outras pessoas, e casa com o estilo de vida que venho conquistando aos poucos, e do qual falarei a seguir.

  • Sustentabilidade - Porque nós consumimos muito mais do que o planeta pode nos oferecer de forma saudável pra ele, e para todos os seres vivos que ele contém. É por isso que não dá mais para viver sem pensar nas consequências de nossas ações. E eu venho pensando muito sobre isso, e me martirizando a respeito. Mudando hábitos e atitudes. E é crescente. O que eu ainda não consegui fazer, tipo: parar de aceitar copos descartáveis, sacolas plásticas, canudo plástico, guardanapo, enfim, parar de gerar tanto lixo, é minha prioridade agora! É possível viver sem gerar nenhum lixo, reaproveitando TUDO, tudo mesmo! Mas, eu posso nunca chegar a esse nível, alguns sacrifícios podem ser demais pra mim. Mas certamente a maioria, nem é demais, e é até muito mais benéfico do que só usar algo sem me questionar sobre. Eu adoro reutilizar algo que iria pro lixo, ou ser a receptora de algo que não tinha mais serventia pra outra pessoa, criar algo útil de algo que iria prejudicar a natureza ou outras pessoas... Depois eu posso escrever sobre isso por aqui. Sobre nossas aventuras com compostagem e minimalismo, por exemplo.  
Torçam por mim!

P.S.¹: Ah, eu descobri que alguém lê esse blog (não só os bots do Google), como não sei se posso revelá-la aqui, vai ficar anônima. Mas vai minha gratidão pelas palavras generosas. Espero trazer algo útil pra outras pessoas além de mim mesma. Um beijo pra você que me lê!

P.S.²: Eu comecei a ler novamente o livro Atenção plena – Mindfulness: Como encontrar a paz em um mundo frenético de Danny Penman, Mark Williams. Eu acho que todo mundo deveria meditar, e eu acredito que um dia, todo mundo fará isso. Será primordial para a saúde, como academia e Yoga são hoje. Outras sugestões são os apps de meditação Head Space (não sei se tem em português) a voz dele é perfeita, aqui está o canal com animações fofas e o voiceover dele , só pra você ter uma noção e querer mais https://www.youtube.com/user/Getsomeheadspace, o app Cíngulo: Autoconhecimento, que mescla exercícios, meditação guiada e autoconhecimento para amenizar e ajudar em crises de ansiedade, estresse ou desanimo e o app Daylio: Diário - Controle de humor, uma forma super prática e simples de monitorar seu humor e manter um diário com atividades mostradas por símbolos que você mesmo escolhe, tudo é personalizável e prático. Todas essas dicas de quem recentemente ficou sem Android, e não sente falta nenhuma. To muito bem no mundo offline, e eventualmente usando o PC, na maior parte pra pesquisas e blogar mesmo.





sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Mudaram as estações...

Por Enquanto - Legião Urbana

Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre sempre acaba


Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou

Quando penso em alguém, só penso em você
E aí então estamos bem

Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa



Eu fico cantarolando músicas para me conformar... Essa é a mais recente. Eu não tenho saúde mental para lidar com todas as notícias preocupantes, todos os disparos de violência e violações validados por discursos de ordem e ódio. Estou muito desanimada e preocupada com as minorias, o meio ambiente e o futuro de todos nós. Sim, eu quero, mais do que nunca, estar errada sobre todas essas minhas preocupações, mas é pintar nas mídias sociais e ser bombardeada por alardeamentos de arrepiar. Como fiz a escolha de um pouco antes das eleições não usar o Instagram, estou fazendo a escolha de voltar a me afastar do Facebook. Não dá! Eu quero ser forte, ser resistência, apoiar outras pessoas. Mas minha paranoia, minha empatia não deixam. Eu sinto dor fisicamente e estou em estado constante de alerta. Eu realmente não tenho saúde mental para isso! Mas quero ter.
Continuarei escrevendo por aqui, pois isso contribui pra minha sanidade. Quando escrevo me entendo, me acalmo... É isso!