segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vibração

Tudo no universo vibra, mesmo o que parece completamente parado, vibra num nível molecular... E com essa reflexão eu quero começar uma atualização aqui neste blog.

Eu nunca mudei tanto antes, ou de alguma forma me movi, como durante essa quarentena. E falo quarentena porque tenho realmente permanecido distante fisicamente de todas as pessoas, até das mais queridas, exceto é claro, do meu companheiro. Isso porque tenho essa possibilidade, de estudar de casa, e sem trabalhar, a não ser nas tarefas domésticas e atividades de manutenção de vida. Da nossa, e dos seres que aqui cuidamos. Que devo lembrar sempre, mesmo que eu não o faça bem e regularmente, é um trabalho válido e necessário.

Talvez pelo apoio recebido, do meu companheiro, meu terapeuta, professores, novos e velhos amigos... Talvez pela curiosidade e vontade de me encontrar na equação da vida. Tenho aprendido mais do que nunca! Reconhecido o que são problemas, e o que me fizeram enxergar como tal. Aceitar a vida como ela se apresenta é uma luta constante, mas se prova a coisa certa a se fazer, de novo e de novo. 

Claro que não estou falando de aceitar o que posso mudar, como esse desgoverno e esse adormecimento às questões urgentes que dizem respeito à manutenção da vida na Terra, e da Terra. Não, não isso, mas de coisas com as quais vale mais a pena acolher que lutar contra. Vale mais a pena aceitar que condenar e tentar mudar a todo custo, ou reprimir.

Cresci espiritualmente, de uma pessoa ateia, antes quase fanática, a alguém que entende que a vida em si é uma divindade, e que TUDO é vivo, dentro e ao redor de nós. 

Cresci, e continuo trabalhando para crescer mais, no meu relacionamento afetivo. Entendendo nossas limitações e necessidades. Estudando sobre como aprendemos a amar, e que cada um ama e se sente amado de forma diferente. E principalmente, que não se deve esperar que o outro te dê o amor que você se deve. 

Apesar dos golpes constantes, e talvez até por conta destes, minha vontade de estudar Agroecologia, e trabalhar com comunicação e educação ambiental só cresce, pois a necessidade se faz cada vez maior e mais presente. E tão urgente que está atrasada uns 30 anos...

E com isso, venho aqui apenas para recomendar palestras e entrevistas com o Professor Antônio Donato Nobre sobre Mudanças Climáticas, sobre a importância de se ouvir os povos tradicionais e seus conhecimentos a cerca da vida nesse organismo vivo que é a Terra, sobre a nossa desconexão com Ela, sobre em como chegamos aqui, e principalmente, do que precisamos fazer para parar de trabalhar contra a vida, e trabalhar em seu favor!

Primeiro uma pesquisa sobre o nome de Antônio Nobre no Youtube já te trará uma grande quantidade de vídeos de dimensões diferentes, mas riquíssimos em conteúdo e importância para o entendimento de nossa condição humana e dos processos que acontecem na natureza. Dos quais o ser humano "civilizado" precisou investigar para aprender, quando os povos e culturas tradicionais, que não perderam a conexão com a Terra, conheciam e sempre estiveram dispostos a partilhar generosamente com seus irmãos desconectados.

https://www.youtube.com/results?search_query=antonio+nobre

Programa Córtex, uma conversa em tempo real com o Antônio Nobre no INPE. Imperdível!

https://www.youtube.com/watch?v=_9-fia-bdlo

Entrevista (palestra?) sobre Mudanças climáticas e a Terra como organismo vivo e os estudos a respeito da mesma.

https://www.youtube.com/watch?v=FkDaQXlrHyA

Conversa entre Ailton Krenak e Antonio Nobre para reflexões sobre Gaia (Terra).

https://www.youtube.com/watch?v=ozOla97mP9Y

 Eu diria assistam todos, é o que estou fazendo aos poucos.

 Descobrir o trabalho dele, como divulgador científico, e uma pessoa que faz tantas conexões, tão inesperado para um cientista, mas muito alinhado com a visão sistêmica da Agroecologia como ciência, me deixou fascinada e estou vibrando desde então. Tenho a impressão que o norte que eu busco, está se estabilizando, e que eu só preciso colocar o pé no chão e começar a andar.

Que meus passos também possam inspirar outros. Que o "trabalho de formiguinha" , não seja visto de forma pejorativa como hoje, mas como uma ação válida e constante para o alcance coletivo do que se faz tão mais urgente e necessário a cada dia que passa, a cada decisão e ação de gigante que vão contra as regras de colaboração e diversidade da natureza. Porque sozinho o esforço é grande e dispendioso, mas juntos podemos mover o mundo!


segunda-feira, 25 de maio de 2020

Encontro


Apesar de passar a maior parte da minha vida adulta de forma reclusa. Eu considero que o que me move, e por vezes me comove, é o contato com outras pessoas. E não só isso, mas a conexão derivada desses contatos. Então, depois que recuperei uma certa normalidade na vida, voltando a estudar. Até as férias já foram um tormento. Após duas semanas eu já estava chorando dizendo que bastava, imagina agora! E quanto mais o tempo passa, e as coisas ficam cada vez mais incertas, mais eu me dobro pra não me deixar tomar pela ansiedade de pensar sobre o que será do depois. Então vamos analisar o agora.

O nosso problema não é mais a pandemia do que nossa inabilidade de concordar em alguma coisa. Vivemos um momento de polarização. Não é o único da história, mas por estar acontecendo agora, durante uma pandemia, parece tão devastador!

As pessoas estão fora de contato umas com as outras, fora de contato com elas mesmas, e com a realidade. Porque essa é provavelmente uma das maiores crises a nível mundial que a humanidade está enfrentando, com tendências a piorar. E ainda assim a gente está envolvido em defender ou atacar personalidades. Sim, ao invés de nos unirmos para um bem comum, até as famílias estão divididas. A quem serve toda essa discórdia e caos? De onde vem essa esquizofrenia coletiva que estamos vivendo onde a vida, sua, de um ente querido ou de estranhos, é menos importante que continuar achando que está certo? O que aconteceu a essas pessoas para que se rendam a delírios sobre gurus, salvadores da pátria, e negacionismo da História, da Ciência?

Eu entendo a nossa tendência ao fanatismo, à tirania. É um alívio para a angústia de ter escolhas, de ser responsável por elas, e de não ter outra pessoa a quem culpar quando tudo dá errado. É resposta natural a uma sociedade que de repente nos coíbe com uma falsa liberdade apresentada através de escolhas infinitas. Quando na verdade, poucas vezes podemos escolher fora do padrão sem pagar o alto preço pela individualidade.

Quando não me enxergam como igual, quando me vêm como "o outro", eu me torno desumanizado. Quem me vê assim, me despe de direitos. Me tira a fala, e em consequência, a vida. Ser o outro significa não merecer nada de bom. Significa ser uma ameaça. Um bode expiatório para responsabilizar por tudo que considero ruim. E aí está o ponto de encontro da dicotomia que vivemos. Você, não importa em que lado esteja, é esse "outro" de alguém. Você pode estar vendo o próximo como parte de uma massa anencéfala, que é literalmente a escória do mundo contemporâneo. E essa pessoa, não está te vendo de forma muito diferente. Como se cura isso?! Não há pílula que nos resgate desse delírio, ou há?!

Crises são importantes oportunidades de crescimento. Crescer dói, não é prazeroso, mas é recompensador. A gente precisa de humildade pra acolher o próximo. Se ele esteve errado, dê oportunidade para que se arrependa, e que sua punição não seja o mesmo que seu crime, o isolamento, o individualismo. Esse momento não é o certo para torcer contra, eu diria que nenhum é.

Vamos recalibrar nossas emoções, nos reaproximar, nos ouvir. Não provoque, não ameace, e se sua intenção é que o outro enxergue a realidade, não ofenda. A ofensa é a garantia de não ter ouvidos pra alcançar. Encontre no outro o que têm de igual ou similar. Parta do princípio que como seres da mesma  espécie, ninguém é tão divergente do outro que não tenha, ao menos uma coisa em comum.

Tendo dito tudo isso, eu tenho que reconhecer que há pessoas além da redenção. Não tenho respostas do que é necessário para que elas sejam responsabilizadas. Mas, por agora, para lidar com elas, basta lembrar de não alimentar o medo, seu combustível. Não podemos forçar ninguém a pensar sobre seus atos, a sentir empatia, e agir com amor. Mas, uma vez conscientes, nós podemos fazer justamente isso.

O amor, amor por si mesmo e pelo outro, como uma extensão de você, e pelo que é divino dentro e ao redor de nós, isso é a única coisa que pode nos salvar de nós mesmos.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Em busca de raiz

Já tive as mais diversas crises desde que essa pandemia se instaurou. O que tem mantido minha relativa sanidade é manter contato com os professores do meu curso, e algumas atividades aqui e acolá, meus encontros online com meu terapeuta, e minha contínua busca por conhecimento, em especial autoconhecimento.

Lendo sobre pós junguianos, me deparei com o James Hillman, e em seguida com a menção de Ecopsicologia pela primeira vez. Eu me entusiasmei por entender naquele instante, ser o casamento da psicologia com a ecologia, dois dos meus assuntos preferidos. 

Vi alguns vídeos do James Hillman falando a respeito, mas pra compartilhar essa novidade, eu precisava de conteúdo em português. Encorajada pela minha professora de Ética e meio ambiente, eu fui em busca. Não foi nada difícil encontrar bastante conteúdo, em forma de vídeo no Youtube, do psicólogo e teósofo brasileiro Marco Aurélio Bilibio. E até um site dedicado https://ecopsicologiabrasil.com/. De início eu estava fascinada, e vendo todos os vídeos de suas palestras e entrevistas. Agora eu to tentando agir com mais parcimônia e levar um tempo pra pensar a respeito do que ouvi. Já há alguns dias não vejo um inédito. No último vídeo seu é que notei, até pela fala dele, que, apesar da ecopsicologia ser um estudo recente, é centrada no conhecimento ancestral dos povos originários dos continentes invadidos, como também nas filosofias e religiões orientais, como o Taoismo, por exemplo. E por tanto, eu deveria me aprofundar nessas leituras e experiências. 

Antes de conhecer a Ecopsicologia, minha meta era ensinar Agroecologia, e assim enriquecer a vida das pessoas, com todas as possibilidades que a Agroecologia possibilita, tendo uma escola, ou mesmo ensinando em lugares diversos, mas definitivamente tendo um ambiente modelo. Agora tenho também a intenção de promover além do ensino ambiental, o bem estar humano, através da ecopsicologia, e dos conceitos de unidade com a mãe terra. E há a possibilidade, já que há cursos de formação, e até planos para um curso de pós-graduação. Não fosse a impossibilidade no momento, nem as incertezas, estaria me planejando pra seguir pra Brasília e aprender. Mas, tudo a seu tempo!

Daí, ontem o Youtube me sugeriu um documentário chamado "The Earthing Movie: The Remarkable Science of Grounding", e eu respondi assistindo. Inicialmente achei que seria sobre o processo degradação do planeta, eu não li nem o título inteiro. O vídeo começa seguindo um casal de cineastas e ativistas ambientais sofrendo as consequências por ter se exposto a um químico, enquanto gravavam sobre um grande vazamento de óleo. Depois, em busca de cura (ou melhora de vida) para a filhinha deles. E aí é que o filme realmente começa, nos contando a história de como, um dos autores do livro "Earthing: The Most Important Health Discover Ever" chegou a conclusão que usar sapatos nos isola do campo magnético da Terra, e nos inibe de trocar energia com nosso planeta, e de como isso é prejudicial para a nossa saúde.

É de se esperar que, no mundo atual, a ideia de que algo tão simples quanto ficar descalço possa melhorar nossa saúde é de, no mínimo se desconfiar. Mas como é fácil de testar, e se não há nenhum obstáculo, não haverá nenhuma contra indicação também (exceto em espaços urbanos). O intuito é ficar descalço, ou pelado se puder deitar no chão, e ter contato pele com terra, ou grama, ou pedra. Os autores do livro e adeptos da prática afirmam que esse ato tão simples tem poder de amenizar inflamações. E inflamações são as causas mais comuns dos sintomas que tendemos a tratar com remédios farmacológicos, sem ao menos saber sua causa. Um outro dado que recordei durante o filme, é que inflamações, seja onde for, estão ligadas à quadros de depressão.

Ontem mesmo experimentei ir a um lugar mais ou menos isolado do sítio, largar os chinelos e meditar de pé no chão e com a cara pro sol, debaixo das árvores. Foi delicioso, e eu me perguntei porque não é sempre assim que medito. Não sei se por consequência de ficar feliz com mais essa forma de reconectar com a terra, ou do ato em si, mas eu me senti mais calma e centrada ontem. E hoje, levantei mais cedo que o que costumo durante essa quarentena, e fui fazer algumas pequenas coisinhas pelo sítio. Mas eu precisava falar sobre isso com vocês, então passei um tempo fazendo outras amenidades, e agora estou aqui. 

Algumas palavras da minha professora de Ética e meio ambiente sobre propósito, e uns reflexos que fiz ao assistir o filme e perceber o processo que levou o Clint Ober a esse conceito da necessidade da conexão com a Terra, além da palestra no TED Talk do ativista e Jardineiroguerrilheiro, como ele se define, Ron Finley, que está mudando a saúde, os hábitos e a cara de sua comunidade na periferia de Los Angeles, me fizeram concluir que a experiência de cada indivíduo nessa Terra é única. Com elementos que não se repetirão da mesma forma em outra vida, e isso nos dá a possibilidade de enxergá-la e servi-la de forma única. Não pense que não há nada que possa fazer de bom. Como uma célula nesse organismo vivo, todos temos nosso próprio papel. Não abdique ao dever que é também o seu direito!

Vídeo do Youtube, entre palestras e entrevistas com o psicólogo e teósofo Marco Aurélio Bilibio:


Documentário Earthing no Youtube em inglês, não encontrei com legendas:

https://www.youtube.com/watch?v=44ddtR0XDVU&t=24s

TED Talk do jardineiro guerrilheiro Ron Finley com legendas:

https://www.youtube.com/watch?v=EzZzZ_qpZ4w


domingo, 8 de dezembro de 2019

Renda!

É fim de período no IFS. Questões que eu considerava um problema antes, já não me abalam tanto mais. Estou relativamente feliz, apesar de ser bombardeada com os absurdos que acontecem no Brasil, no mundo!

O otimismo vem de uma percepção, talvez não muito bem fundada, quase um desejo que não seja ilusão, de que as mudanças estão acontecendo, a passos lentos para a necessidade, sim, mas elas estão!

Sinto isso com o veganismo: agora há o que algumas pessoas estão chamando de "modinha" de pessoas adotando uma dieta a base de vegetais, ou mesmo se tornando veganas, militando e tudo. E enquanto isso, a indústria da carne parece desesperada para barrar isso, enquanto redes de fast food, indústria de frios, todos, criam pratos e produtos veganos. Talvez por conta do sucesso estrondoso desse tipo de produto. Por isso minha esperança. Geralmente o que acontece são algumas tentativas desesperadas de derrubar o novo, danosas e retrógradas, antes de notar que para sobreviver você deve evoluir também. Estou no aguardo!

O movimento agroecológico no cultivo de alimentos também está crescendo, apesar das iniciativas do nosso governo, por exemplo, de liberar geral agrotóxicos. Há um movimento crescente para fazer tudo de forma mais natural. Ao invés de pesticidas, controle biológico, que é o uso de extratos de plantas, a introdução de insetos (como a joaninha), ou o uso de microrganismos como fungos e bactérias em plantações para controlar, por assim dizer, outros organismos danosos àquela plantação. Além do advento de culturas mais voltadas para uma maior diversidade de espécies plantadas, e formas diferentes de plantá-las, como a Agrofloresta. E não só pra controlar "pragas" mas também na recuperação do solo. Sim, o solo, não a planta!

O solo é um organismo com vida, não só um espaço onde plantar os vegetais, e ele deve ser cuidado. Especialmente depois do que a monocultura e a pecuária fizeram às terras que foram desmatadas para uso. Tudo em busca da sustentabilidade! Essa é a palavra de ordem, mas não é a correta. Na crise que nos encontramos, nada mais é sustentável. Estou certa de que o que separa a população geral de uma alimentação mais rica e saudável é, principalmente o conhecimento. Existem até plantas tão adaptadas a solos pobres e falta de cuidado que, literalmente são tidas como "ervas daninhas", porém são comestíveis e nutricionalmente ricas, chamadas de PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais), outras são poderosas plantas medicinais. Seu alimento é o seu remédio, ou o seu veneno. Educar-se te dá o poder da escolher qual dos dois.
 
Movimentos como os LGBTQIAP+, que é resistente, resiliente, e apesar do sofrimento e ameaças, não está mais disposto a se calar. Todas as mulheres trans e travestis, todas as artistas drags na mídia, trazendo suas palavras, falando de seu sofrimento, mas também de seus desejos, sonhos. Hoje, crianças e jovens não héteros, e especialmente os não cis, podem se ver representados. E isso tem uma enorme diferença no desenvolvimento saudável dessas pessoas, e na possibilidade de que suas vidas não sejam repeteco de tanta gente que sofreu e ficou pelo caminho, se foram muito cedo, ou morreram em vida mesmo, vivendo algo que não era sua verdade. A gente sai do armário, a gente fala a nossa verdade, a gente enaltece umas às outras, pra que mais pessoas possam ser livres e felizes, e principalmente donas de sua própria história. Então estamos aqui pra dizer que amor é amor, e que gênero é um papel social. Que nada deve ser imposto, deixa tudo ao natural.

E um movimento tão importante, o feminismo, que luta pela equidade, que é um conceito difícil de entender, e por isso a confusão com o entendimento do feminismo como algo similar ao machismo. Não! A equidade de gênero se trata de uma correção na parcialidade do que é aceitável na sociedade tanto como dever ou direito da mulher. As mulheres não estão buscando nada além do que como ser humano lhe é de direito. O feminismo não é se impor sobre os homens, inferiorizá-los. É ser igual, partir das mesmas oportunidades, sem os obstáculos que se impõem exclusivamente ao gênero feminino. 
 
A ansiedade masculina perante ao potencial feminino, sua força, é conhecido e esperado. Nesse momento, como em outros que já passaram, há uma grande aversão, principalmente dos homens que se sentem ameaçados com a possibilidade de não ter mais poder sobre as mulheres de suas vidas, sejam suas companheiras, irmãs, filhas... E pessoalmente, considero que um medo também de ficarem sozinhos, de não serem tratados como especiais, pois não sabem dividir o poder. Ou talvez medo mesmo de que aconteça a eles, o que acontece às mulheres desde os primórdios. O que mais dói é a ignorância das mulheres machistas, manipuladas em geral, por uma sociedade viciada, e/ou por homens estúpidos ou intelectualmente desonestos e corruptos. E é por isso que o feminismo é um movimento que, sinto, é guarda-chuva para as lutas de todas as minorias. Dentro dele, a luta das mulheres negras. Num país em que as pessoas têm que se descobrir negras. Não por conta da miscigenação e uma falta de racismo. Mas pelo racismo velado, pela ideia de valor de características brancas. Tão danoso num país onde ainda é tão difícil fugir dos estereótipos. Difícil acessar educação sendo de periferia, com tantos obstáculos. Daí a importância da autoestima negra, periférica, feminina desse recorte do movimento.

Eu sei que toda essa visão positiva pode ser resultado da bolha em que me encontro. Mas eu to aqui fazendo meu papel, botando a cara ao sol, levantando questões e sendo eu mesma, sem pedir licença, sem pedir desculpas. Mas sem briga, que minha maneira de viver não é de embate, é de amor e tolerância. Dou o que espero pra mim. Lembro de um pensamento que diz que quando gritamos, mesmo quando nossos corpos estão próximos, é porque nossos corações estão distantes. 
 
Quero que meu coração esteja tão próximo aos demais, que eu só precise sussurrar!

domingo, 27 de outubro de 2019

Equilíbrio

Semana passada decidi por excluir permanentemente minhas contas de Facebook e Instagram. Por motivos políticos (o mal que essas redes sociais causam à sociedade civil de vários países nos seus processos eletivos) e pela minha saúde mental, estou na busca de menos interações virtuais, e mais reais (no sentido de presencial). Até publiquei uma notinha avisando, e pedi backup de minhas publicações às plataformas. Porém, no mesmo dia já desisti e retirei a nota. Eu mal uso essas redes sociais. O que me impede de efetivamente viver essas relações mais reais, é justamente outra plataforma, tão danosa quanto às citadas, o Youtube.
Daí eu fico aqui pensando a respeito. Minha geração não cresceu com internet em casa, muito menos num aparelho móvel que não largamos por nada nesse mundo. Eu só tive contato com internet em 2004, eu tinha então 16 anos. E durante esses quinze anos, a internet foi palco de meu crescimento, eu não mais separei minha vida dela. Conheci pessoas, conheci ideias, compartilhei experiências e criações, aprendi sobre quase tudo que sei hoje através de leituras e vídeos. Aprendi inglês, e até arranho na leitura do espanhol. Descobri movimentos e pessoas, que de outra forma, não teria sabido a respeito. Ou seja, eu sei o valor que a internet tem como fonte de informação, e como chave para crescimento pessoal. Mas ao mesmo tempo, sinto que uma hora, mesmo algo que te fez tão bem, pode também te fazer muito mal. Tanto, a ponto de ser uma boa ideia apenas ficar sem completamente. E agora eu estarei falando sobre comportamentos de dependência e compulsão. Então segurem-se, e vamos lá!
Na adolescência, eu costumava trocar a noite pelo dia pra poder usar a internet. Passava a madrugada toda conversando com as pessoas (pessoas essas que conhecia pessoalmente, e com quem conversava no mundo real também) pelo MSN (programa de mensagens da Microsoft). Nessa época tinha muita curiosidade sobre religião, já que até bem pouco tempo era católica. Pesquisava sobre outras religiões, como também o catolicismo. A internet brasileira não era tão desenvolvida como hoje, e a gente ainda não tinha acesso às redes sociais. E então eu fui convidada para o Orkut (rede social similar ao que o Facebook é hoje) e a experiência de usar a internet começou a mudar. Agora tinha contato com pessoas de qualquer lugar do país, e podia procurar essas pessoas por interesse em comum, já que existiam as comunidades, que eram o equivalente aos grupos do Facebook, mas, mais parecido com um fórum de internet. Cada publicação nesse fórum ficava aberta a discussões, e você podia interagir com as pessoas alí, aprender sobre o que estava sendo debatido. Tinha de tudo! E até o Google retirá-lo do ar, haviam soluções que você não encontraria em outro lugar na internet.
O Youtube surgiu meio tímido. Uma plataforma de vídeos online. Era legal, mas sem muita utilidade prática. A internet aqui não era grandes coisas, e um vídeo precisava carregar por alguns minutos antes que pudéssemos finalmente vê-lo. A qualidade desses vídeos também não era das melhores, muitas limitações técnicas. Não era um site rentável, e permaneceu assim por algum tempo, mesmo depois de ser comprado pelo Google. Não haviam propagandas, e o Google não sabia como monetizá-lo. Tudo foi mudando gradativamente, e hoje é o que é, inclusive criando uma nova profissão: youtuber. Minha queixa com o Youtube é que, uma vez que abro o aplicativo no meu celular, entro num vórtice que me arrasta pelo resto do dia, principalmente se eu não tiver nada do curso pra fazer. Quando me dou conta estou assistindo vídeos que se você me convidasse pra ver, eu certamente recusaria. Mas estou lá, perdendo meu tempo. Perdendo experiências no mundo real. Evitando de fazer o que necessito até, pra ficar completamente hipnotizada pela telinha em minha frente. 
Não serei ingrata, o Youtube já me ajudou bastante. Acho que é a plataforma em que o conhecimento adquirido, ou consultado, foi de mais valor pra meu crescimento. Eu não seria a mesma pessoa num mundo sem ele. Mas sinto que nesse momento de minha vida, mais me segura do que me deixa crescer. É uma compulsão, eu já acordo pensando em pegar o celular e ver vídeos, quando to em casa. Não quero fazer o que preciso, não quero ficar sem fazer nada. Sem ele, preferiria dormir o dia todo. Por isso considero um vício.
Inúmeras vezes já considerei não mais usar smartphone, talvez até ter um flip, só pra convencional e velha forma de comunicação mesmo. Me sinto tão livre só de pensar na possibilidade. Mas vem também a ansiedade de não ter mais as facilidades que ter um aparelho com móvel com internet traz. Principalmente pelo uso de Whatsapp. Toda vez que trago essa ideia à tona, o Edson protesta. O Whatsapp a forma de comunicação mais fácil que temos. E eu ainda uso o aparelho para ouvir música ou audiobooks durante as viagens, pra consultar alguma coisa ou ler documentos. Além de ver avisos do curso, receber e-mails... Enfim, me seria limitante não tê-lo. Mas em casa não tenho necessidade de usá-lo. Quase não faço nada das coisas acima, e tem o computador pra poder fazer algo necessário. Mas como evitar de usá-lo apenas em casa?! Porque esse é o meu problema, o uso em casa. Quando não estou em casa, eu mal uso o aparelho. A não ser pra ver a hora, ouvir música pra não enjoar na viagem, e conferir alguma coisa, mas sempre muito rapidamente.
Pedi pro Edson me ajudar com isso. Chamar minha atenção se eu estiver vendo Youtube, esconder o celular de mim... Assim que ele começou a fazer isso, já vi que não daria certo. Eu fiquei querendo me esconder pra usar. E mesmo ele fazendo o que pedi pra me ajudar a controlar, eu ainda usei mais do que desejava. Então, resolvi que enquanto estiver em casa vou evitar de pegá-lo, e vou fazer outras coisas para não tocar no mesmo. Inclusive deixando-o descarregado durante esse período. Por isso estou aqui escrevendo essa publicação ao invés de estar redigindo o relatório que preciso. Isso aqui é fruto de frustração, principalmente com a compulsão pelo Youtube. 
Desejem-me sorte!

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Manifesto

Senti a necessidade de vir aqui dar notícia do que tem se passado. Já que tanta coisa mudou em minha vida, principalmente em minha rotina. Ainda estou no início dessa grande transformação, é verdade. Mas o impacto dessa mudança tem reverberado em todos as áreas da minha vida. Se escrevesse esse texto semana passada, quando tive crises de ansiedade que levaram a uma crise de depressão forte, quando a minha perspectiva de tudo que está acontecendo era apenas negativa, esse texto estaria em termos menos otimistas. Que bom que escrevo agora, quando estou me sentindo mais esperançosa.

Apesar de tudo que está acontecendo, a nível mundial, nacional, e mesmo local, eu me sinto esperançosa, com grande ímpeto de estudar e trabalhar para realizar o que idealizei ao decidir voltar a estudar, e esse específico curso, que foi o único curso acadêmico que me fez desejar as salas de aula. Pode ser que esteja em uma leve mania essa semana, por isso quero registrar, pra lembrar em momentos mais sombrios, o que preciso para me mover:

Lembrar de ideias maiores do que meu ego, de problemas maiores que qualquer um que eu possa ter individualmente, e de que eu tenho um papel a cumprir como parte desse mundo. Que é de fazer o meu melhor, assim como deveríamos todos, para, não só viver de forma sustentável, mas ajudar a outras pessoas, a enxergarem e também fazerem o seu melhor, para quem sabe, deixarmos um mundo mais promissor para as futuras gerações, em oposição ao que temos hoje como promessa nebulosa de um não futuro. É não esmorecer com as batalhas perdidas, com as forças contrárias à nossa luta por igualdade, liberdade e progresso real. Nunca desistindo de resistir, e despertando mais pessoas para essa realidade de que sim, nós somos responsáveis por nosso destino, e não só temos direito a um futuro melhor, como dever de não cruzarmos os braços, mas arregaçar as mangas. Pois não há movimento sem ação! Enquanto há lutas políticas por interesses econômicos de curto prazo, e para poucos, devemos continuar focados na saúde do nosso planeta, da nossa relação com ele, nossa relação uns com os outros, e consequentemente, da nossa própria saúde. E para isso, andemos bravamente na direção contrária, pensemos a longo prazo e além de nós mesmos, lutemos pelo que acreditamos, e ao longo dessa jornada, que consigamos mais agentes para essa luta, que não é violenta, que não visa perda de lado algum, que só acrescenta, e que não fecha os olhos pra ninguém! De braços dados, trabalhemos por um MUNDO MELHOR PARA TODOS (sem exceção)!

Sugestões:

Assistam ao documentário "Ser Tão Velho Cerrado"
https://www.netflix.com/br/title/81038976

Leiam o livro (livre pra download) Agroflorestando o mundo de facão a trator
https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/1935293/mod_resource/content/1/agroflorestando-omundo.pdf

Leiam também Atenção Plena – Mark Williams
http://lelivros.love/book/baixar-livro-atencao-plena-mark-williams-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/ e pratiquem meditar.

Se possível, façam terapia, mesmo que achem que não precisam.

domingo, 11 de agosto de 2019

Dança

Eu deveria escrever uma poesia, pois estou frustrada, e é isso que faço quando estou frustrada e não posso/não quero falar sobre o quê. Pra quem lê esse blog (alguém lê?!), não é novidade que sofro de depressão e ansiedade, entre outros males. E a pessoa comum, não ciente de que sofre de algo similar, ou que por alguma razão do universo, realmente pode se dizer mais ou menos "normal", não faz ideia que há pessoas que sofrem, sem mesmo ter motivo. Mesmo quando tudo dá certo. Mesmo quando você não tem nada do que reclamar. E é esse o momento que estou vivendo. A maioria das pessoas que me conhece não sabem, mas eu estou fazendo Agroecologia no IFS (Êêh!), frequentando aula há alguns dias já. E desde antes da inscrição no vestibular era o que eu mais desejava esse ano. Aquela coisa toda de alinhamento dos meus planos pro futuro e tudo mais. Correndo o risco de estar me repetindo, fiz um curso com o Otávio Torrão de manejo agroflorestal, e finalmente, depois de um ano querendo, entrei para o mutirão agroflorestal organizado por pessoas maravilhosas que tive o grande prazer de conhecer por lá. Não só eles, como todo mundo que conheci ou interagi desde então, me faz sentir muito privilegiada de estar presente, de participar... Conhecer, interagir, ser ajudada e apoiada por tanta gente legal, me faz sentir muito grata. E eu espero poder retornar toda essa boa energia. Tudo que eu queria era que meu estado mental e emocional atual correspondesse a toda essa boa energia que vêm sendo depositada em mim. Eu me sinto uma farsa, tenho medo de decepcionar as pessoas, de não dar conta, de estar sendo chata e inconveniente... E eu to beeem desesperada a respeito disso. Eu converso com as pessoas, sorrio. Tento passar uma energia positiva e mostrar meu prazer de estar alí, compartilhando aquele momento com elas. E isso tudo é verdade, eu não estou fingindo nada naquele instante. Mas assim que estou só, meu peito fica pesado. Eu me arrependo das interações que mantive, das coisas que falei, não falei, fiz ou não fiz. Eu preciso de ajuda! Eu estou me sentindo tão errada, e só! Por quê?! Por que minha mente dá tantas voltas pra me sabotar?! Que Jung me ajude! Quero fazer as pazes com minha sombra, me aceitar e apenas ser quem eu supostamente devo ser. Por que esse processo precisa ser tão solitário e doloroso? Quando eu vou me dar por satisfeita?!
Justificando o título: eu não sei lidar com as pessoas. Tudo me intimida! E essa dança social, tem mais passos do que posso dar conta. Eu só queria conversar com alguém que tivesse paciência pra me ouvir, e não julgasse as sandices que saem de minha mente. Se eu não falar ou escrever, sinto que vou explodir. Sinto que esses pensamentos vão me enlouquecer. Eu deveria só me trancar num quarto e falar em voz alta por horas! Por favor, que eu tenha uma quantidade de sanidade o suficiente pra passar desse momento inicial, e tão novo pra mim. Pra que eu possa ser quem eu devo ser.