Recentemente eu assisti uma entrevista do autor de "Me Chame Pelo seu Nome", o italiano Aciman André, e como provavelmente muita gente, fiquei surpresa que o autor se declare hétero, inclusive com mulher e filhos para "comprovar" o afirmado. Uma de suas falas durante a entrevista conduzida pelo Pedro HMC do canal "Põe na Roda" (do qual sou fã) me foi bastante problemática. Ele dizia que depois de duas vodkas todo mundo era bissexual. Quando comentei no vídeo, incomodada pelo dito, eu só falei que as pessoas não deveriam ser levadas a beber só porque alguém quer que elas "se liberem sexualmente", isso havia me soado muito como estupro de vulnerável, já que uma pessoa embriagada não tem discernimento suficiente para responder a investidas sexuais. Não lembro se mais de uma, ou apenas uma pessoa veio me educar a respeito do que ele "realmente quis dizer", e eu levei em consideração o argumento da moça. Continuei pensando a respeito, e hoje cheguei a conclusão que meu desconforto com a frase não é apenas, como se não fosse o suficiente, pela insinuação de estupro, mas algo ainda mais problemático. Mais uma vez, invisibilização das sexualidades não monossexistas (como a heterossexualidade e a homossexualidade exclusivss). Bissexuais, pansexuais ou polissexuais, como quiser, não se sentem atraídos por apenas um gênero, mas pelo próprio, e por pelo menos um outro. Mas isso parece ser ignorado pelas demais pessoas, e esse é o problema. Dizer que "todo mundo é bissexual", mesmo que bêbado, é dizer que nossa sexualidade não é válida. E mais, é tratar nossa sexualidade como promíscua. Nós seríamos abertamente promíscuos, nada mais. É também limitar nossas relações à motivações meramente de cunho carnal, e não é esse o caso em absoluto. Por isso essa frase tinha me incomodado profundamente, são camadas de problematizações escondidos em uma "piada" que a primeira vista pode até soar inocente, mas não é. E me fez lembrar uma coisa que aconteceu comigo há muitos anos. Uma pessoa amiga, e que à época se declarava apaixonada por mim, talvez pela confusão de seus próprios sentimentos, disse que eu era "safada" e não LGBT. E pasmem, essa pessoa falou isso não pra me machucar, de forma alguma. Ela achava que isso aliviava o peso do que eu era. Projetando em mim, o que talvez ela estivesse pensando de si mesma frente aos seus próprios sentimentos e desejos dirigidos a alguém do mesmo sexo. Eu não fiquei brava com ela, e tinha até esquecido desse evento, mas tudo voltou à tona pensando sobre a fala do Aciman nessa entrevista.
Não venho condená-lo por ter dito isso. Não estou querendo colocar ninguém na fogueira, pelo contrário. Como até respondi pra moça que tentou interpretar para mim o que ele queria dizer com isso, ele conhece muito mais gente que eu, e tem muito mais tempo de vida. Ou seja, a realidade dele é totalmente diferente da minha. E as experiências de vida dele podem tê-lo ensinado justamente esse conceito. No final das contas, a gente aprende com o que vive, ou com o que vê. Só estou dizendo, não se limitem a isso. E não invalidem outras vivências! Por ser um espectro (observável em escala, por assim dizer), há pessoas em todas as variáveis de sexualidade, inclusive os fora desse espectro, como é o caso dos assexuados (pessoas que não sentem atração sexual). Sendo assim, claro que vai ter gente nos extremos, no meio e em todas as escalas, inclusive fora! Essa é a beleza da diversidade, e de sermos tão maravilhosamente diferentes uns dos outros, sem que isso seja, ou mesmo precise ser, um problema na vida de ninguém. E por fim, tratar desse assunto como se fosse só uma questão sexual é um erro inadmissível. Todas as pessoas se relacionam afetivamente, não só sexualmente. Tocar só nesse ponto, faz com que continue se concretizando na cabeça, principalmente dos heterossexuais, que a gente não ama, a gente só faz sexo, e só quer sexo. E também, que se não fosse por nossa "safadeza" nós conseguiríamos muito bem, ter relacionamentos "normais", entre opostos apenas. Vê como isso é problemático?! Não continuem endossando falas assim, só porque gostam da pessoa que a profere. Não é militância se a gente escolhe quando ficar ofendido, e quem pode ou não dizer certa coisa a nosso respeito.
P.s¹.: Não leiam essa parte se ainda não viram o filme ou leram o livro, e pretendem fazê-lo. A verdade é que eu ainda não vi o filme, ou li o livro, mas peguei spoilers nos comentários da entrevista. E não me pareceu promissor pra visibilização LGBTQ, já que a história se trata de um "caso de verão", entre um rapaz jovem e um homem mais velho. Que parece focado na parte sexual da história, que tem um final que não é feliz para o casal (assim soube). Não tenho NADA contra isso, de tratar a sexualidade humana em uma peça. Mas para se redimir, e não soar que está só surfando na onda do pink money (exploração do poder de consumo de pessoas LGBTQ), e da polêmica, é bom que suas próximas histórias com personagens desse universo, tratem também de mais aspectos de um relacionamento, não só o desejo, mas o afeto, sejam mais profundos, e mais duradouros do que uma temporada. Assim ele pode se redimir aos meus olhos, não que isso seja importante pra ninguém.
P.s.²: Eu comentei tudo isso com o Edson, e ele me convenceu que não valia a pena escrever mais um comentário no vídeo para falar sobre isso, porque eu poderia atrair muitos defensores do autor, o que era sem sentido, nesse caso. Então decidi fazer essa publicação, ao invés disso, e fico grata por isso. Me fez desenvolver melhor meu pensamento, escrever sobre, com certa calma de não ofender ninguém, ou atrair ódio para mim, o autor ou o dono do canal, o que não é minha intenção de forma alguma. E me fez cumprir uma promessa que tinha feito. A de escrever mais publicações com a temática do vale.
Adendo: retirei o texto do ar por querer reconsiderar o que pensei e escrevi ainda sem ler o livro ou assistir a obra homônima. Pois bem, li o livro, e ainda tenho as mesmas considerações. Por isso restabelecendo o texto aqui.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
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terça-feira, 27 de novembro de 2018
Analogia da Borboleta
Há muitos anos atrás eu escrevi um poeminha que se chamava Pupa. Veja, à época eu tinha um fotolog ou blog (não lembro qual dos dois, pois já tive ambos) de poesias de autoria própria. Infelizmente num rompante, eu deletei blogs e arquivos com as tais poesias na esperança de romper com um passado que considerava triste e desejava esquecer. Avancemos o tempo: valeu como quase um "rito de passagem", mas hoje sinto falta de minhas criações, e daria dinheiro para tê-las todas de volta. Algumas eram até boas!
Bem, nessa época as pessoas costumavam fazer comentários pertinentes sobre o que outras publicavam. Não havia essa interação que tornou tudo automático e impessoal, o famigerado "like". Mas não houve nenhuma resposta a esse meu poeminha. Eu adorava quando as pessoas pegavam a ideia do que eu tinha escrito, ou chegavam pra mim com alguma interpretação própria. Mas nada, nenhuma interação! Quando isso acontecia, eu imaginava que ninguém tinha entendido nada, e ficava triste. Nem passava pela minha cabeça que era uma criação ruim, porque eu considerava boa.
Infelizmente não lembro bem dela, apenas da ideia geral. Como boa narcisista que sou, falava, claro, sobre mim. Eu me comparava a uma lagarta, sabe aquela fase indesejada, larva de borboleta, considerada peste? Pois bem, faminta ela devora tudo o que pode, pra ter energia ao criar o casulo e ficar lá quietinha até ressurgir como uma borboleta, mas não antes de lutar muito pra sair do casulo e assim, fortalecer suas asas, ferramentas indispensáveis a uma borboleta.
Hoje pela manhã, enquanto cuidava dos bichos eu pensava a respeito da comparação que tinha feito nesse poeminha. E de como me é ainda mais real hoje, mas estendido ao ser humano, como indivíduo. Uma reflexão a partir do meu entendimento de vida, é verdade. Mas acho válido escrever aqui. Na infância e adolescência podemos ser como uma lagarta, nossa única preocupação é o nosso próprio bem estar, por vezes nem nos passa pela cabeça o sacrifício que os nossos cuidadores, por exemplo, fazem por nós. Afinal, damos tudo por garantido como nosso direito, e acabamos sendo ingratos e até reclamando se as coisas não são do jeito que desejamos. Quando adultos é que a realidade começa a nos pegar, e muitas vezes nos vemos com a necessidade de considerar o outro além de nós mesmos. Seja por conveniência, necessidade ou amor, o fazemos. Ao precisarmos amadurecer, o caminho se volta para o interno, e tudo deve ser considerado. Pensamos o porquê, e pesamos consequências. Se obtivermos sucesso nisso, ainda nessa fase emergimos como borboletas do casulo, depois de enfrentar várias e longas batalhas internas. À época, eu jurava que era uma pupa, a borboleta em fase de casulo, mas eu ainda era uma lagarta, uma peste que só considerava suas próprias vontades e satisfações. Hoje eu me considero pupa, cada vez mais me voltando pra dentro, tentando ser melhor. Não creio que serei uma borboleta nessa vida, mas vou morrer tentando!
P.S.¹: Um apelo aos que me conhecem desde os primórdios da internet por aqui. Se qualquer um de vocês tiverem qualquer poema (ou coisa do tipo) de minha autoria, me faria uma criatura muito feliz poder lê-los novamente. Não se acanhem em me procurar. Obrigada!
P.S.²: Eu consegui lembrar de umas duas, se não me engano, e as reescrevi de memória na íntegra. Depois posso publicar aqui, se eu as achar.
Bem, nessa época as pessoas costumavam fazer comentários pertinentes sobre o que outras publicavam. Não havia essa interação que tornou tudo automático e impessoal, o famigerado "like". Mas não houve nenhuma resposta a esse meu poeminha. Eu adorava quando as pessoas pegavam a ideia do que eu tinha escrito, ou chegavam pra mim com alguma interpretação própria. Mas nada, nenhuma interação! Quando isso acontecia, eu imaginava que ninguém tinha entendido nada, e ficava triste. Nem passava pela minha cabeça que era uma criação ruim, porque eu considerava boa.
Infelizmente não lembro bem dela, apenas da ideia geral. Como boa narcisista que sou, falava, claro, sobre mim. Eu me comparava a uma lagarta, sabe aquela fase indesejada, larva de borboleta, considerada peste? Pois bem, faminta ela devora tudo o que pode, pra ter energia ao criar o casulo e ficar lá quietinha até ressurgir como uma borboleta, mas não antes de lutar muito pra sair do casulo e assim, fortalecer suas asas, ferramentas indispensáveis a uma borboleta.
Hoje pela manhã, enquanto cuidava dos bichos eu pensava a respeito da comparação que tinha feito nesse poeminha. E de como me é ainda mais real hoje, mas estendido ao ser humano, como indivíduo. Uma reflexão a partir do meu entendimento de vida, é verdade. Mas acho válido escrever aqui. Na infância e adolescência podemos ser como uma lagarta, nossa única preocupação é o nosso próprio bem estar, por vezes nem nos passa pela cabeça o sacrifício que os nossos cuidadores, por exemplo, fazem por nós. Afinal, damos tudo por garantido como nosso direito, e acabamos sendo ingratos e até reclamando se as coisas não são do jeito que desejamos. Quando adultos é que a realidade começa a nos pegar, e muitas vezes nos vemos com a necessidade de considerar o outro além de nós mesmos. Seja por conveniência, necessidade ou amor, o fazemos. Ao precisarmos amadurecer, o caminho se volta para o interno, e tudo deve ser considerado. Pensamos o porquê, e pesamos consequências. Se obtivermos sucesso nisso, ainda nessa fase emergimos como borboletas do casulo, depois de enfrentar várias e longas batalhas internas. À época, eu jurava que era uma pupa, a borboleta em fase de casulo, mas eu ainda era uma lagarta, uma peste que só considerava suas próprias vontades e satisfações. Hoje eu me considero pupa, cada vez mais me voltando pra dentro, tentando ser melhor. Não creio que serei uma borboleta nessa vida, mas vou morrer tentando!
P.S.¹: Um apelo aos que me conhecem desde os primórdios da internet por aqui. Se qualquer um de vocês tiverem qualquer poema (ou coisa do tipo) de minha autoria, me faria uma criatura muito feliz poder lê-los novamente. Não se acanhem em me procurar. Obrigada!
P.S.²: Eu consegui lembrar de umas duas, se não me engano, e as reescrevi de memória na íntegra. Depois posso publicar aqui, se eu as achar.
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
É que Narciso acha feio o que não é espelho...
Por muito tempo eu só conseguia "amar" o que era idêntico (no mínimo similar) a mim. Pessoas com crenças diferentes, com gostos diferentes, eram pessoas com quem eu não desejava nenhum tipo de convívio, e não apenas isso, mas eram pessoas que eu não conseguia me abrir, ao menos para conhecer. E foi assim que eu acabei me isolando mais e mais, a ponto de não ter por perto nem as pessoas que amo. Minha desculpa é que ELAS não me entenderiam, ELAS me julgariam e não gostariam de mim. Quando na verdade era eu quem não as entendia, eu que as julgava e que não gostava de tê-las por perto.
Tudo começou a mudar quando eu notei que repetia com minha irmã o padrão de relacionamento que minha mãe tinha comigo. Não entendia porque ela era tão diferente de mim, logo ela deveria estar errada, claro! Tentava moldá-la à minha imagem, me frustrava e então me afastava. Quando o que ela mais precisava era de alguém pra apoiá-la. Como precisei da nossa mãe quando tinha a idade dela. Mas no meu caso, nessa idade, eu ainda tinha uma mãe, ela não!
Eu entendi a tempo o que se passava, e consegui recuperar um relacionamento que de outra forma, não mais existiria. E é um dos blocos na minha vontade de melhorar. E com certeza é uma das pessoas que mais amo no mundo. Eu a amo do jeitinho que ela é, e principalmente por isso. Por ela ser ela mesma, genuína, e completamente diferente de mim.
Outra história tão esdrúxula quanto essa, é que no início do relacionamento com meu esposo, eu achei que não daríamos certo porque ele gosta de música eletrônica. Vê se pode?! Nós temos um universo de similaridades, mas ele gostava de música eletrônica (que à época eu não gostava) além das músicas que eu gostava. Ridículo! E por essa eu devo agradecer a uma moça amiga de amigas minhas, com quem fui pra um show em Laranjeiras em 2011, por dar na minha cara com a realidade de quão estúpido era esse parâmetro.
O fato é que é normal que nos aproximemos mais de pessoas parecidas com a gente. Mas ao nos afastar de pessoas diferentes, estamos perdendo oportunidades. Oportunidade de conhecer coisas novas, de gostar de outras coisas, além das coisas que já conhecemos e gostamos. E perdemos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e únicas do seu próprio jeito.
E eu tenho pensado muito nisso agora, porque estou fazendo um curso de corte e costura com mulheres maravilhosas, e TODAS bem diferentes de mim. E hoje eu soube que o curso poderia ter parado por agora, e eu não as veria mais. E a realidade é que como não temos muita coisa em comum, dificilmente alguém iria querer a amizade dessa coisinha estranha que sou. E mesmo que o curso acabe hoje, ou daqui a um ou dois meses, eu vou sentir muita falta delas. Sentirei falta até de discordar delas.
E assim uma reflexão virou uma declaração à minha turma e professoras. Obrigada pelo carinho e atenção toda semana. Espero aproveitar bem o tempo com vocês. Vejo vocês segunda! ;)
Tudo começou a mudar quando eu notei que repetia com minha irmã o padrão de relacionamento que minha mãe tinha comigo. Não entendia porque ela era tão diferente de mim, logo ela deveria estar errada, claro! Tentava moldá-la à minha imagem, me frustrava e então me afastava. Quando o que ela mais precisava era de alguém pra apoiá-la. Como precisei da nossa mãe quando tinha a idade dela. Mas no meu caso, nessa idade, eu ainda tinha uma mãe, ela não!
Eu entendi a tempo o que se passava, e consegui recuperar um relacionamento que de outra forma, não mais existiria. E é um dos blocos na minha vontade de melhorar. E com certeza é uma das pessoas que mais amo no mundo. Eu a amo do jeitinho que ela é, e principalmente por isso. Por ela ser ela mesma, genuína, e completamente diferente de mim.
Outra história tão esdrúxula quanto essa, é que no início do relacionamento com meu esposo, eu achei que não daríamos certo porque ele gosta de música eletrônica. Vê se pode?! Nós temos um universo de similaridades, mas ele gostava de música eletrônica (que à época eu não gostava) além das músicas que eu gostava. Ridículo! E por essa eu devo agradecer a uma moça amiga de amigas minhas, com quem fui pra um show em Laranjeiras em 2011, por dar na minha cara com a realidade de quão estúpido era esse parâmetro.
O fato é que é normal que nos aproximemos mais de pessoas parecidas com a gente. Mas ao nos afastar de pessoas diferentes, estamos perdendo oportunidades. Oportunidade de conhecer coisas novas, de gostar de outras coisas, além das coisas que já conhecemos e gostamos. E perdemos a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e únicas do seu próprio jeito.
E eu tenho pensado muito nisso agora, porque estou fazendo um curso de corte e costura com mulheres maravilhosas, e TODAS bem diferentes de mim. E hoje eu soube que o curso poderia ter parado por agora, e eu não as veria mais. E a realidade é que como não temos muita coisa em comum, dificilmente alguém iria querer a amizade dessa coisinha estranha que sou. E mesmo que o curso acabe hoje, ou daqui a um ou dois meses, eu vou sentir muita falta delas. Sentirei falta até de discordar delas.
E assim uma reflexão virou uma declaração à minha turma e professoras. Obrigada pelo carinho e atenção toda semana. Espero aproveitar bem o tempo com vocês. Vejo vocês segunda! ;)
terça-feira, 6 de novembro de 2018
Maneiras de se convencer a agir
Há anos venho dizendo que quero ser produtiva, mais amigável, enfim, mais viva! Bem recentemente, estava desesperada, não conseguia funcionar nem para coisas básicas. A internet, que sempre foi meu ponto de apoio e aprendizado, também é o meu vórtice de procrastinação. Anos e anos gastos pesquisando, lendo, vendo vídeos e tutoriais de como fazer de um a tudo. Nunca parando pra realmente me aprofundar em FAZER alguma coisa. Ao invés disso, me contentava em ver outros fazendo. Isso não é lógico! É preciso mudar!
Sempre fui muito autocrítica, e me encarregava de me estapear metaforicamente (e as vezes até literalmente) por coisas que deveria ter feito, e coisas que não deveria ter feito. Mas, estou tentando ser mais gentil comigo mesma. Parar de me criticar tanto, e me pré-ocupar tanto do futuro. Preceitos de mindfulness (meditação) que tenho aprendido e empreendido o quanto posso em minha vida. Mas talvez eu estivesse sendo muito gentil... Os princípios de mindfulness nos dizem pra não nos punir por termos nossos pensamentos desviados enquanto tentamos meditar, e nos guiar à concentração novamente. Bem, eu só não me punia, mas continuava a alimentar pensamentos monstros e hábitos horríveis, como procrastinar, reclamar de tudo e dormir o máximo de tempo que podia. A vida é o que a gente faz dela.
Outro conceito que sempre soou um alarme dentro de mim é o de self indulgence (ou autocomplacência), que significa sempre se perdoar e se gratificar. Pois bem, dar um tapinha nas próprias costas e continuar a fazer o mesmo erro é o que me deixa mal, cansei! Isso não quer dizer que não posso me perdoar, mas que ao me perdoar, eu me corrija, exatamente como funciona na meditação.
E é basicamente isso que tenho feito nos últimos dias. Estou torcendo pra ser uma daquelas resoluções de mudança de vida, e não só eu tendo mais uma crise de hipomania.
Mas, pra quem se importa, aí vão algumas metas recém pensadas (e algumas iniciadas):
P.S.¹: Ah, eu descobri que alguém lê esse blog (não só os bots do Google), como não sei se posso revelá-la aqui, vai ficar anônima. Mas vai minha gratidão pelas palavras generosas. Espero trazer algo útil pra outras pessoas além de mim mesma. Um beijo pra você que me lê!
P.S.²: Eu comecei a ler novamente o livro Atenção plena – Mindfulness: Como encontrar a paz em um mundo frenético de Danny Penman, Mark Williams. Eu acho que todo mundo deveria meditar, e eu acredito que um dia, todo mundo fará isso. Será primordial para a saúde, como academia e Yoga são hoje. Outras sugestões são os apps de meditação Head Space (não sei se tem em português) a voz dele é perfeita, aqui está o canal com animações fofas e o voiceover dele , só pra você ter uma noção e querer mais https://www.youtube.com/user/Getsomeheadspace, o app Cíngulo: Autoconhecimento, que mescla exercícios, meditação guiada e autoconhecimento para amenizar e ajudar em crises de ansiedade, estresse ou desanimo e o app Daylio: Diário - Controle de humor, uma forma super prática e simples de monitorar seu humor e manter um diário com atividades mostradas por símbolos que você mesmo escolhe, tudo é personalizável e prático. Todas essas dicas de quem recentemente ficou sem Android, e não sente falta nenhuma. To muito bem no mundo offline, e eventualmente usando o PC, na maior parte pra pesquisas e blogar mesmo.
Sempre fui muito autocrítica, e me encarregava de me estapear metaforicamente (e as vezes até literalmente) por coisas que deveria ter feito, e coisas que não deveria ter feito. Mas, estou tentando ser mais gentil comigo mesma. Parar de me criticar tanto, e me pré-ocupar tanto do futuro. Preceitos de mindfulness (meditação) que tenho aprendido e empreendido o quanto posso em minha vida. Mas talvez eu estivesse sendo muito gentil... Os princípios de mindfulness nos dizem pra não nos punir por termos nossos pensamentos desviados enquanto tentamos meditar, e nos guiar à concentração novamente. Bem, eu só não me punia, mas continuava a alimentar pensamentos monstros e hábitos horríveis, como procrastinar, reclamar de tudo e dormir o máximo de tempo que podia. A vida é o que a gente faz dela.
Outro conceito que sempre soou um alarme dentro de mim é o de self indulgence (ou autocomplacência), que significa sempre se perdoar e se gratificar. Pois bem, dar um tapinha nas próprias costas e continuar a fazer o mesmo erro é o que me deixa mal, cansei! Isso não quer dizer que não posso me perdoar, mas que ao me perdoar, eu me corrija, exatamente como funciona na meditação.
E é basicamente isso que tenho feito nos últimos dias. Estou torcendo pra ser uma daquelas resoluções de mudança de vida, e não só eu tendo mais uma crise de hipomania.
Mas, pra quem se importa, aí vão algumas metas recém pensadas (e algumas iniciadas):
- Fazer agroecologia (agrofloresta, permacultura) - Porque é necessário, gratificante, e é mexendo na terra, vendo as plantas e árvores crescendo, as joaninhas, e insetos que nunca vi antes, pássaros e aves que nem conhecia... É assim que eu me sinto viva e bem. É quando to sentada, agachada ou ajoelhada no chão, reverenciando a mãe natureza, com a mão na terra, que olho pro céu e sinto aquela alegria enorme de viver que dá até vontade de chorar. A alegria da conexão com a natureza. O plus disso é ter alimento sem agrotóxico. Comer mais legumes, verduras e frutas, coisas que amo! E acredite, tudo é muito mais saboroso quando a gente mesmo que plantou, colheu e preparou. Isso sim é riqueza!
- Ter uma vida social - Eu sei, eu estou engatinhando para ter relações saudáveis com familiares, amigos e conhecidos. E eu quero ter pessoas por perto. Quero poder ajudar pessoas também.
- Criar um negócio - Todos esses anos, e eu nunca senti necessidade de ganhar dinheiro. Sempre me contentei com pouco, e sempre fui muito insubordinada pra ter um trabalho formal, com patrão, obediência e tarefas. Eu poderia só cuidar aqui do sítio, dos bichos e das plantas e me dar por satisfeita. Apoiar quem gera renda numa família, também é trabalho, sem sombra de dúvidas. Mas eu quero ser independente financeiramente. Não porque me sinto obrigada. Mas porque quero ter renda também. Quero fazer coisas, as quais não acho correto tirar da renda única que temos para sobreviver, mas quero ter essas experiências, e quero promover certas coisas, e aí só com dinheiro mesmo. Já até estou pensando no que fazer. Por enquanto a ideia é um zigoto, mas é mais promissora do que as que tive no passado. Não me fará rica, tem potencial de agregar outras pessoas, e casa com o estilo de vida que venho conquistando aos poucos, e do qual falarei a seguir.
- Sustentabilidade - Porque nós consumimos muito mais do que o planeta pode nos oferecer de forma saudável pra ele, e para todos os seres vivos que ele contém. É por isso que não dá mais para viver sem pensar nas consequências de nossas ações. E eu venho pensando muito sobre isso, e me martirizando a respeito. Mudando hábitos e atitudes. E é crescente. O que eu ainda não consegui fazer, tipo: parar de aceitar copos descartáveis, sacolas plásticas, canudo plástico, guardanapo, enfim, parar de gerar tanto lixo, é minha prioridade agora! É possível viver sem gerar nenhum lixo, reaproveitando TUDO, tudo mesmo! Mas, eu posso nunca chegar a esse nível, alguns sacrifícios podem ser demais pra mim. Mas certamente a maioria, nem é demais, e é até muito mais benéfico do que só usar algo sem me questionar sobre. Eu adoro reutilizar algo que iria pro lixo, ou ser a receptora de algo que não tinha mais serventia pra outra pessoa, criar algo útil de algo que iria prejudicar a natureza ou outras pessoas... Depois eu posso escrever sobre isso por aqui. Sobre nossas aventuras com compostagem e minimalismo, por exemplo.
P.S.¹: Ah, eu descobri que alguém lê esse blog (não só os bots do Google), como não sei se posso revelá-la aqui, vai ficar anônima. Mas vai minha gratidão pelas palavras generosas. Espero trazer algo útil pra outras pessoas além de mim mesma. Um beijo pra você que me lê!
P.S.²: Eu comecei a ler novamente o livro Atenção plena – Mindfulness: Como encontrar a paz em um mundo frenético de Danny Penman, Mark Williams. Eu acho que todo mundo deveria meditar, e eu acredito que um dia, todo mundo fará isso. Será primordial para a saúde, como academia e Yoga são hoje. Outras sugestões são os apps de meditação Head Space (não sei se tem em português) a voz dele é perfeita, aqui está o canal com animações fofas e o voiceover dele , só pra você ter uma noção e querer mais https://www.youtube.com/user/Getsomeheadspace, o app Cíngulo: Autoconhecimento, que mescla exercícios, meditação guiada e autoconhecimento para amenizar e ajudar em crises de ansiedade, estresse ou desanimo e o app Daylio: Diário - Controle de humor, uma forma super prática e simples de monitorar seu humor e manter um diário com atividades mostradas por símbolos que você mesmo escolhe, tudo é personalizável e prático. Todas essas dicas de quem recentemente ficou sem Android, e não sente falta nenhuma. To muito bem no mundo offline, e eventualmente usando o PC, na maior parte pra pesquisas e blogar mesmo.
sexta-feira, 2 de novembro de 2018
Mudaram as estações...
Por Enquanto - Legião Urbana
Mudaram as estaçõesE nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber
Que o pra sempre sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou
Quando penso em alguém, só penso em você
E aí então estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa
Eu fico cantarolando músicas para me conformar... Essa é a mais recente. Eu não tenho saúde mental para lidar com todas as notícias preocupantes, todos os disparos de violência e violações validados por discursos de ordem e ódio. Estou muito desanimada e preocupada com as minorias, o meio ambiente e o futuro de todos nós. Sim, eu quero, mais do que nunca, estar errada sobre todas essas minhas preocupações, mas é pintar nas mídias sociais e ser bombardeada por alardeamentos de arrepiar. Como fiz a escolha de um pouco antes das eleições não usar o Instagram, estou fazendo a escolha de voltar a me afastar do Facebook. Não dá! Eu quero ser forte, ser resistência, apoiar outras pessoas. Mas minha paranoia, minha empatia não deixam. Eu sinto dor fisicamente e estou em estado constante de alerta. Eu realmente não tenho saúde mental para isso! Mas quero ter.
Continuarei escrevendo por aqui, pois isso contribui pra minha sanidade. Quando escrevo me entendo, me acalmo... É isso!
domingo, 28 de outubro de 2018
Desejo, necessidade, vontade...?!
Eu tenho, ao escrever esse texto, trinta anos, a poucos dias de completar trinta e um. Estou casada há quase sete anos, e já tem um tempinho que começaram as cobranças por um filho, um "fruto" da nossa união.
Durante toda a minha vida antes do Edson, eu nunca me imaginei como mãe, no sentido de ter alguém criado e saído de meu ventre. Mas, em várias oportunidades vislumbrei a possibilidade de ser mãe adotiva, e coisas do tipo.
No iniciozinho do nosso relacionamento eu assisti um filme chamado "O Lutador", e lembro de ter uma vontade forte de ter um filho biológico. A verdade é que acho que não entendi o filme direito na época, e estava muito sensibilizada ainda com a morte de minha mãe. Depois disso, o mesmo desejo em momentos de desespero em meio a crises depressivas muito fortes, e por fim, como resultado de pressão dos meus sogros que, naturalmente desejam netos.
Mas hoje, eu não sinto desejo, necessidade ou mesmo vontade de gerar um filho. Adotar volta e meia é um pensamento recorrente, e aqui vai o porquê: sei que muitas crianças orfãs precisam de alguém que as ame, e que cuide de verdade delas. Não tenho necessidade de laços sanguíneos para amar. Mas há um porém, uma criança que já foi rejeitada, as vezes a partir do seu nascimento (ou concebimento), precisa de alguém forte, e que saiba lidar com suas necessidades e peculiaridades. E eu, por minha vez, ainda não me sinto segura de dizer que sou essa pessoa.
Ter um filho, ou adotar uma criança, que seja, significa ser responsável por uma vida. Ser responsável pelo que será daquele ser, daquele momento por toda a sua vida. É permanente, e é a coisa que mais necessita de sua atenção e total responsabilidade. Tendo dito isso, sim é assim mesmo que vejo. E por isso mesmo, eu acredito que fazer um filho, ou mesmo criá-lo, não te faz um bom pai/mãe. Há muito mais envolvido no processo. E muita gente nunca deveria ter filho. Por enquanto, uma dessas pessoas sou eu.
Estou ciente que não existe uma paternidade/maternidade perfeita. Mas um pai ou mãe tem que prover o essencial para a formação de seu filho. E eu não estou falando apenas da parte material, isso é importante. Mas tem um papel, ao meu ver, até secundário. Uma criança precisa de estabilidade e segurança emocional, um lar sem conflitos, oportunidades para crescer e ser ela mesma, uma certa liberdade e senso de responsabilidade, inclusive por si mesma, e claro, carinho, atenção e amor. E isso alguém que ainda está tentando se encontrar, que não está resolvido, que não está preparado emocional e financeiramente, não pode prover.
Na infância é que formamos nosso caráter, é que definimos, muitas vezes, como seremos por toda nossa vida. E não é justo que a gente ponha filho no mundo porque ache que é nossa obrigação - nós não estamos vivendo um período de baixa no número de humanos, pelo contrário! Eu entendo que há pessoas que sonham em ser pai/mãe, que assim o seja, mas primeiro que organize sua vida, saiba que está pronto pra esse comprometimento irrevogável. Entenda a sua responsabilidade como progenitor/progenitora. Não tenha filho porque acha que deve, você não tem obrigação com sua espécie; porque seus pais/sogros ou apenas seu companheiro/companheira deseja; pra segurar alguém ao seu lado num relacionamento - isso não funciona, e ainda tem o potencial de te fazer sozinho e com um filho pra criar, que por vezes, não terá muito contato com o pai ou mãe, ou os dois, já que se trata de um objeto de barganha e frustração; ou ainda, porque você quer um mini-me seu ou de seu parceiro ou parceira: uma criança é outro ser, e por mais que você se esforce pra educá-lo à sua maneira, ele vai ter os próprios princípios - é assim que o mundo avança, por sinal. Pense em quando estava crescendo, e em como você mesmo é diferente de seus pais.
Em oportunidades anteriores, conversando com conhecidos e amigos, a gente sempre passa por momentos "curiosos" falando sobre o assunto. Tem a parte de ter um filho ser uma coisa sagrada na vida de um casal, o que não nos toca, já que ambos não somos religiosos. Uns olhares tortos, e uma frases do tipo: Ah, vocês ainda vão mudar esse pensamento depois. E a gente fica sem ter argumentos. É claro que a gente pode mudar de ideia depois quanto a querer, o fato é que depois de ter um filho, é que você não pode voltar atrás. Esse é nosso pensamento atual, é óbvio, e como tudo no universo, pode não ser definitivo. A situação que consideramos mais engraçada é quando o casal (ou indivíduo) está reclamando da vida de pai/mãe, do trabalho que dá, de como sua vida nunca mais será tranquila, da responsabilidade, falta de liberdade, daí quando a gente diz que não quer ter filho, o discurso vira outro e aí a pessoa diz que a gente precisa ter filho, porque é bom também, é a alegria da pessoa, é alguém pra cuidar de você quando velho. Que ao nosso ver, é o motivo mais desonesto para se ter um filho. Se você pensa assim, invista algum dinheiro a longo prazo ou faça uma poupança. Dá menos gasto, não irá te decepcionar e é certo de que vai lhe servir em sua velhice (quem sabe você possa pagar uma casa de repouso). Nem todo mundo tem cabeça pra cuidar dos pais quando esses envelhecem, eu sei que é triste, mas é fato. Não é garantia que seu filho ou filha vá querer isso. E não é justo pra ele ou ela, que em sua vida adulta tenha que desistir de sonhos e oportunidades pra cuidar dos pais. É drama demais!
Por fim, isso aqui são devaneios incompletos sobre o que significa pra mim ser mãe ou pai. O que representa ser o cuidador/cuidadora de uma criança. E como você não precisa ser pai ou mãe pra ter uma vida completa.
Tenha filhos, mas apenas se perceber o peso disso, e mesmo assim esteja disposto a arcar com todos os contras. Como tudo nessa vida, é uma decisão que deve ser muito bem pensada. E por enquanto, eu estou do lado dos que não desejam ser pais. Eu ainda quero aproveitar a vida de casal ao lado do Edson, e ser a cuidadora de muitos seres, mas todos bem mais simples que um ser humano.
P.S.: O título desse texto vem de uma música dos Titãs, composta por Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Marcelo Frommer chamada "Comida". E sua letra ilustra bem o que falo sobre o material ser o básico, mas que outros aspectos entram no que é essencial em nossa formação.
Durante toda a minha vida antes do Edson, eu nunca me imaginei como mãe, no sentido de ter alguém criado e saído de meu ventre. Mas, em várias oportunidades vislumbrei a possibilidade de ser mãe adotiva, e coisas do tipo.
No iniciozinho do nosso relacionamento eu assisti um filme chamado "O Lutador", e lembro de ter uma vontade forte de ter um filho biológico. A verdade é que acho que não entendi o filme direito na época, e estava muito sensibilizada ainda com a morte de minha mãe. Depois disso, o mesmo desejo em momentos de desespero em meio a crises depressivas muito fortes, e por fim, como resultado de pressão dos meus sogros que, naturalmente desejam netos.
Mas hoje, eu não sinto desejo, necessidade ou mesmo vontade de gerar um filho. Adotar volta e meia é um pensamento recorrente, e aqui vai o porquê: sei que muitas crianças orfãs precisam de alguém que as ame, e que cuide de verdade delas. Não tenho necessidade de laços sanguíneos para amar. Mas há um porém, uma criança que já foi rejeitada, as vezes a partir do seu nascimento (ou concebimento), precisa de alguém forte, e que saiba lidar com suas necessidades e peculiaridades. E eu, por minha vez, ainda não me sinto segura de dizer que sou essa pessoa.
Ter um filho, ou adotar uma criança, que seja, significa ser responsável por uma vida. Ser responsável pelo que será daquele ser, daquele momento por toda a sua vida. É permanente, e é a coisa que mais necessita de sua atenção e total responsabilidade. Tendo dito isso, sim é assim mesmo que vejo. E por isso mesmo, eu acredito que fazer um filho, ou mesmo criá-lo, não te faz um bom pai/mãe. Há muito mais envolvido no processo. E muita gente nunca deveria ter filho. Por enquanto, uma dessas pessoas sou eu.
Estou ciente que não existe uma paternidade/maternidade perfeita. Mas um pai ou mãe tem que prover o essencial para a formação de seu filho. E eu não estou falando apenas da parte material, isso é importante. Mas tem um papel, ao meu ver, até secundário. Uma criança precisa de estabilidade e segurança emocional, um lar sem conflitos, oportunidades para crescer e ser ela mesma, uma certa liberdade e senso de responsabilidade, inclusive por si mesma, e claro, carinho, atenção e amor. E isso alguém que ainda está tentando se encontrar, que não está resolvido, que não está preparado emocional e financeiramente, não pode prover.
Na infância é que formamos nosso caráter, é que definimos, muitas vezes, como seremos por toda nossa vida. E não é justo que a gente ponha filho no mundo porque ache que é nossa obrigação - nós não estamos vivendo um período de baixa no número de humanos, pelo contrário! Eu entendo que há pessoas que sonham em ser pai/mãe, que assim o seja, mas primeiro que organize sua vida, saiba que está pronto pra esse comprometimento irrevogável. Entenda a sua responsabilidade como progenitor/progenitora. Não tenha filho porque acha que deve, você não tem obrigação com sua espécie; porque seus pais/sogros ou apenas seu companheiro/companheira deseja; pra segurar alguém ao seu lado num relacionamento - isso não funciona, e ainda tem o potencial de te fazer sozinho e com um filho pra criar, que por vezes, não terá muito contato com o pai ou mãe, ou os dois, já que se trata de um objeto de barganha e frustração; ou ainda, porque você quer um mini-me seu ou de seu parceiro ou parceira: uma criança é outro ser, e por mais que você se esforce pra educá-lo à sua maneira, ele vai ter os próprios princípios - é assim que o mundo avança, por sinal. Pense em quando estava crescendo, e em como você mesmo é diferente de seus pais.
Em oportunidades anteriores, conversando com conhecidos e amigos, a gente sempre passa por momentos "curiosos" falando sobre o assunto. Tem a parte de ter um filho ser uma coisa sagrada na vida de um casal, o que não nos toca, já que ambos não somos religiosos. Uns olhares tortos, e uma frases do tipo: Ah, vocês ainda vão mudar esse pensamento depois. E a gente fica sem ter argumentos. É claro que a gente pode mudar de ideia depois quanto a querer, o fato é que depois de ter um filho, é que você não pode voltar atrás. Esse é nosso pensamento atual, é óbvio, e como tudo no universo, pode não ser definitivo. A situação que consideramos mais engraçada é quando o casal (ou indivíduo) está reclamando da vida de pai/mãe, do trabalho que dá, de como sua vida nunca mais será tranquila, da responsabilidade, falta de liberdade, daí quando a gente diz que não quer ter filho, o discurso vira outro e aí a pessoa diz que a gente precisa ter filho, porque é bom também, é a alegria da pessoa, é alguém pra cuidar de você quando velho. Que ao nosso ver, é o motivo mais desonesto para se ter um filho. Se você pensa assim, invista algum dinheiro a longo prazo ou faça uma poupança. Dá menos gasto, não irá te decepcionar e é certo de que vai lhe servir em sua velhice (quem sabe você possa pagar uma casa de repouso). Nem todo mundo tem cabeça pra cuidar dos pais quando esses envelhecem, eu sei que é triste, mas é fato. Não é garantia que seu filho ou filha vá querer isso. E não é justo pra ele ou ela, que em sua vida adulta tenha que desistir de sonhos e oportunidades pra cuidar dos pais. É drama demais!
Por fim, isso aqui são devaneios incompletos sobre o que significa pra mim ser mãe ou pai. O que representa ser o cuidador/cuidadora de uma criança. E como você não precisa ser pai ou mãe pra ter uma vida completa.
Tenha filhos, mas apenas se perceber o peso disso, e mesmo assim esteja disposto a arcar com todos os contras. Como tudo nessa vida, é uma decisão que deve ser muito bem pensada. E por enquanto, eu estou do lado dos que não desejam ser pais. Eu ainda quero aproveitar a vida de casal ao lado do Edson, e ser a cuidadora de muitos seres, mas todos bem mais simples que um ser humano.
P.S.: O título desse texto vem de uma música dos Titãs, composta por Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Marcelo Frommer chamada "Comida". E sua letra ilustra bem o que falo sobre o material ser o básico, mas que outros aspectos entram no que é essencial em nossa formação.
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Pronta para me amar mais
Recentemente decidi olhar para dentro, e me vendo, percebi que muitas definições que tinha sobre mim não são certas, ou justas. E outras são simples delírios de uma mente tomada por visões de grandiosidade de si mesma.
Quando estou mal, o que é a maior parte do tempo de minha vida, mesmo quando respondo entusiasmada que estou ótima, me vejo como um grande erro, que sou uma pessoa má, que eu poderia fazer mais por mim mesma, mas principalmente, pelas pessoas que amo, e até pelas pessoas com quem acho que deveria me importar mais. Eu não sou o suficiente, eu não sou o que preciso, ou precisam que eu seja, basicamente, que sou um erro que nunca deveria ter existido. Eu me isolo, me encolho, fico ressentida com tudo o que me dizem, e acho que todo comentário é uma indireta pra mim. Muitas vezes eu sinto que já deu, já vivi mais do que deveria, não tenho vontade de fazer absolutamente nada, mesmo as coisas mais básicas. E isso tudo, sem nada na minha vida justificar esses sentimentos tão intensos e ruins. Eu posso dizer a você que, agora, minha vida só poderia ser melhor, se assim eu a fizesse. E nessas vezes que minto que estou bem, é porque depois de muito reclamar do acaso, e das pessoas ao meu redor, notei que eu é que tenho a chave da minha própria felicidade, eu sou a responsável por ela, mais ninguém. E me faz bem não culpar ninguém, não me lamentar, não arrastar outras pessoas comigo.
Essa parte é embaraçosa, mas vamos lá: quando estou bem, sinto que sou capaz de tudo, sinto que sou mega inteligente, habilidosa, super criativa, sexy e bonita (hilária inclusive). E me pergunto como é que eu me afogo em tanto sentimento ruim, e tanta tarefa acumulada, se é tão "simples e fácil" ficar bem. Nesses momentos que penso em como ser a pessoa que esperam que eu seja, funcional, tendo um trabalho que me traga algum dinheiro e satisfação, em como me manter organizada, em como ter minha casa sempre limpa, em como ser o pilar da minha família, em como ajudar todo mundo, inclusive minha comunidade. Daí eu tenho milhares de "ideias brilhantes", faço mil planos, me convenço de que tudo é simples e que eu não preciso de ajuda, porque eu posso fazer tudo sozinha, certamente. Nunca acontece tudo ao mesmo tempo, ou eu me organizo e organizo a casa, ou eu faço planos mirabolantes, que nunca nem chegam a serem completamente pensados, e promessas que eu sei que não há chance alguma de serem cumpridas. É quando tomo decisões por impulso também, ou falo coisas das quais me envergonho e me arrependo depois.
Imagino quão complicado é para as pessoas que convivem comigo, que não são muitas, por sinal, me verem oscilar entre uma pessoa amável, amiga, acessível e capaz ou que é completamente crítica de todo mundo e dá sermões e conselhos não solicitados, pra alguém que não tem ânimo pra sair da cama ou sofá, que se odeia, e que não consegue manter compromissos, tem medo de fazer qualquer coisa, ou odeia tudo, alguém que está estagnado, que não consegue viver!
E pra quem pode estar pensando em "ah, o que você precisa é de Deus", ou "isso é frescura, mimimi", cara eu queria que você estivesse cem porcento certo! Eu não me importo de estar errada, quando eu estar errada, é a solução. Mas, eu cheguei aqui, nesse nível de esclarecimento sobre mim mesma, o que é só o começo por sinal, nunca parando de me questionar, e me angustiar com a falta de respostas para tanta coisa importante. E principalmente, vencendo o medo de fazer as perguntas que mais receio as respostas.
Agora eu acredito que estou mais perto de entender o que me faz eu. O porque do meu desejo de ser melhor não é o suficiente pra me mover, e é a mesma coisa que me faz sentir como lixo. E estou mais do que pronta para receber ajuda e tentar saber quem sou eu fora desses extremos, e me amar por completo, e funcionar com uma célula normal nesse organismo que somos nós humanos vivendo em sociedade. E ter um papel positivo para as pessoas que posso tocar.
Eu ainda não fui diagnosticada, sendo que ainda não marquei nenhuma consulta. Estou obtendo informações, coletando dados, evidências e fazendo uma reflexão profunda sobre mim e meu comportamento durante toda minha vida (e sim, isso tudo ainda pode ser uma desculpa para não ter feito algo necessário por inúmeras razões, dinheiro sendo a principal. Já falei que sou mão de vaca pra gastar dinheiro comigo?). Por isso não vou dizer o que acho que eu devo ter. Mas se você se identificou com algumas coisas que leu aqui, nós podemos ser irmãs ou irmãos de um certo transtorno, e eu pretendo compartilhar minhas descobertas, e falar sobre saúde mental sempre. Meu intuito é desmistificar transtornos mentais e auxiliar pessoas que precisam, a buscar a ajuda necessária. E sim, pra isso é necessário falar sobre minha vida, minhas experiências, meu defeitos e angústias. Por isso, eu não escrevo para você que se sente uma pessoa "normal", e que acha tudo que eu escrevi absurdo e sem sentido. Por você eu só posso ficar feliz. Mas, para as outras pessoas, as pessoas que não se encontraram ainda, e as que sentem que nunca irão. Pega aqui a minha mão, e vamos em frente! ;*
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